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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Filho de Antonio Gomes da Silva Netto e Rosilda Lucia Quaresma; nasci em Niterói, RJ, verão de 1982; passei toda minha infância em Jabitacá, PE; estive em convivência tanto no campo como na cidade, cuidei de gado na adolescência os quais minha avó criava , e trabalhei na biblioteca da escola na juventude. Minha conversão se deu no dia 24 de Dezembro de 1998 através do assembleianismo ao qual comunguei por 9 anos. Estudei o 2º grau, e, no ano 2000, aos 18 anos vim morar em João Pessoa, onde me casei com Priscila, e tivemos 2 filhas, Ester e Júlia. Hoje sou formado em Técnico em mecânica pelo Cefet-PB.Fui seminarista da Igreja Presbiteriana Fundamentalista do Brasil. Em 2014 concluí o Curso de Bacharel em Serviço Social. Estou orando para que este Blog sirva à Deus como instrumento de propagação da nova a respeito de Cristo.

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domingo, 12 de junho de 2011

Agostinho de Hipona




  No dia 13 de Novembro de 354 na cidade de Tagaste província de Souk Ahras (próximo a Cartago na Tunísia) no norte da África (hoje Argélia) filho de Patrício que era pagão e Mônica que havia se tornado cristão nasceu Aurelius Augustinus (nome latim).

  Nesta época se desenrolava as diferenças cristológicas no oriente grego onde as igrejas disputavam suas crenças a respeito da deidade de Cristo.



  Agostinho sendo criado com pais que tinham diferenças religiosas teve forte influência na sua personalidade, sobre tudo de seu pai, resistindo sempre aos ensinamentos religiosos de sua mãe.

  Com 11 anos de idade foi enviado para a escola de Madaura, cidade da Numídia.

  Neste local ele foi ensinado em toda a crença da religião pagã, da cultura e literatura latina.

  Depois deste período ele ficou em casa do ano de 369 a 370 onde pode ter contato com o livro de Cícero “Hortensius” que foi uma forte influência para sua vida, principalmente no contexto argumentativo de dialogo. Através disso ele passou a se interessar pelo maniqueísmo uma seita gnóstica (O Maniqueísmo é uma filosofia religiosa sincrética e dualística que divide o mundo entre Bem, ou Deus, e Mal, ou o Diabo. A matéria é intrinsecamente má, e o espírito, intrinsecamente bom. Com a popularização do termo, maniqueísta passou a ser um adjetivo para toda doutrina fundada nos dois princípios opostos do Bem e do Mal.). Logo depois deste tempo ele realmente passou a ser um discípulo do maniqueísmo.

  Agostinho se destacava na sua retórica (eloquência, oratória), porém não conseguia dominar o grego.

  Com 17 anos graças a um concidadão chamado Romaniano, o pai de Agostinho consegue lhe enviar de volta para Cartago para continuar seus estudos na retórica.

  Embora fosse catecúmeno desde a infância, era apaixonado pelo teatro, e só conseguiu dominar sua sexualidade após se unir a uma concubina (mulher que vive com homem sem ser legalmente casada) de 372 – 385 a qual lhe deu um filho, Adeodato que faleceu logo (por volta de 390).

  Durante o período de 373 – 374 (19 – 20 anos) Agostinho foi professor de gramática na sua cidade natal Tagaste. No ano seguinte foi para Cartago ser professor na rede municipal, mas ficou desapontado com a falta de interesse dos alunos, permaneceu ai durante 9 anos.

  Em 383 ele mudou-se para Roma onde estabeleceria uma escola de retórica pois os melhores professores haviam se estabelecido ali. Mas logo ficou descontente pois seus alunos fugiam na hora de pagar as mensalidades. Mas ai em Roma ele foi apresentado ao prefeito através de seus amigos maniqueístas, Symmachus, que tinha sido solicitado a fornecer um professor de retórica para o tribunal em Milão, Agostinho ficou com o emprego e ocupou o cargo até 384 onde recebeu forte influencia da filosofia neoplatônica que o convenceu da existência do Ser transcendente imaterial e lhe deu uma nova compreensão sobre o problema do bem e do mal (Corrente doutrinária fundada por Amônio Sacas (séc. II), em Alexandria, e cujos representantes principais são Plotino, filósofo romano (204-270), em Roma; Jâmblico, filósofo grego (c. 250-330), na Síria; e Proclo, filósofo grego (410-485), em Atenas. Caracterizava-se pelas teses da absoluta transcendência do ser divino, da emanação (q. v.) e do retorno do mundo a Deus pela interiorização progressiva do homem.).

  Por esse tempo Agostinho foi perseguido por sua mãe que tentava inculcar os ideais cristãos nele e também queria ver seu progresso profissional, mas como sempre ele ia resistindo, até que ele conheceu o bispo de Roma Ambrósio (339-397), homem que lhe impressionou, sobretudo devido sua eloquência erudita e sua pregação alegórica (Ambrósio é considerado o maior pregador da igreja latina).



  No ano de 386 quando estava a meditar sobre a sombra de uma árvore no seu jardim em Milão ele teve uma experiência ímpar em sua vida a qual está descrita em um de seus livros chamado “Confissões”. De repente enquanto estava conversando com seu amigo Alípio sobre a mensagem do apóstolo Paulo, ele se emociona e se afasta uma distância de seu amigo e começa ouvir ao longe uma criança cantando tolle lege (toma e lê). Abrindo aleatoriamente a bíblia no livro de Romanos capítulo 13 versículos de 13 a 14: Andemos honestamente, como de dia; não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências.

  Após esta leitura Agostinho creu em Cristo e logo foi batizado por Ambrósio na Páscoa de 387, abandonando sua carreira pública e se tornando monge.

  Depois deste período ele retorna para a Tagaste e sua mãe faleceu na cidade de Óstia e seu filho também neste tempo (388 – 390) deixando-o sozinho sem família. Vendeu toda sua herança e deu aos pobres, só não vendeu sua casa que fez uma fundação monástica para ele e um grupo de amigos.

  Ao fazer uma visita a cidade de Hipona no norte da África (na Argélia) foi ordenado sacerdote mesmo contra sua vontade. Tornou-se bispo coadjutor em 395 e um ano depois foi ordenado bispo de Hipona (Annaba, na Argélia), função que exerceu até o fim de sua vida em 28 de Agosto de 430. Sua vida foi registrada pela primeira vez por seu amigo Possídio, bispo de Calama, no seu Sancti Augustini vita.

  Por esta época Agostinho começou a ter disputas com um grupo chamado de donatista, que era uma seita cismática da igreja africana. Eles surgiram no período das perseguições do IV séc. Por volta de 303 a 311.

  Os donatistas afirmavam 2 coisas principalmente:

1ª) Os cristãos que haviam negado o nome de Cristo por causa da perseguição, não deveriam ser readmitidos na igreja novamente.

2ª) Afirmavam que aqueles que haviam sido batizados ou ordenados ministros pela igreja não donatista, não poderiam ser considerados servos nem ministros de Deus.

  Os donatistas cresciam na África e se tornaram uma poderosa igreja rival, a qual Agostinho foi se defrontando e soube acabar com todas as heresias.

  O primeiro livro que Agostinho escreveu sobre a heresia donatista foi “Sobre o batismo” onde ele aborda 2 assuntos principais:

1º) A natureza da igreja.

2º) A validade dos sacramentos.

  A ênfase principal dos donatistas era a pureza da igreja: era considerada a congregação dos santos “tanto na terra como no céu”, coisa que Agostinho conseguiu objetar afirmando que, “os donatistas são impuros, por destruírem a unidade da igreja e caírem no pecado do cisma”. Para ele a igreja comporta todos os tipos de pessoas, contendo em si tanto o bem como o mal até a separação definitiva no fim do mundo (joio e trigo: Mt 13.38-43: O campo é o mundo; e a boa semente são os filhos do reino; e o joio são os filhos do maligno; O inimigo, que o semeou, é o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos.

  Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo.

  Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidade. E lança-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.)

  Quanto aos sacramentos (a ceia do Senhor e o batismo) ele afirmou que eles transmitem a graça de Deus “ex opero operato” ou seja, “opera em virtude do próprio ato”, independente da condição moral ou espiritual do oficiante. Os sacramentos provém de Cristo e seu poder e sua eficácia baseiam-se na santidade de Cristo, que não pode ser corrompida por ministros indignos, “assim como a luz que provém do sol não pode ser corrompida ao brilhar através de um esgoto”. Portanto um sacramento é válido mesmo quando ministrado por um sacerdote imoral e herético, contanto que tenha uma ordenação válida e esteja em comunhão com a igreja, sendo mero instrumento da graça de Cristo.

  A heresia donatista desapareceu por volta do séc. VII depois de muitas disputas, mas os fundamentos levantados e deixados por Agostinho foram fatores determinantes para isso.

  Para os reformadores do tempo de Lutero, Agostinho foi o principal pai da igreja antiga, sobretudo pelos fundamentos deixados sobre o pecado, sobre o livre-arbítrio e sobre a graça.

  O início de seus tratados nestes temas começou devido a controvérsia com Pelágio, um monge britânico que nasceu no séc. IV. Em 405 ele foi a Palestina e escreveu 2 livros:

1º) Da natureza.

2º) Do livre-arbítrio.

  Lutero se deparou também com o ensino de Pelágio, agora representado por o monge Erasmo de Roterdã, o mesmo que escreveu o textus receptus, a versão da bíblia utilizada até hoje pela igreja reformada, defendida principalmente por Calvino e Theodoro Beza. Erasmo defendeu os ensinos de Pelágio dentro do catolicismo romano o qual foi adotado, criando assim uma ação de contrariedade em Lutero, que o condenou principalmente através da sua obra “nascidos escravos”.

  Embora Pelágio nunca tenha se encontrado com Agostinho foi fortemente criticado por ele e por Jerônimo amigo de Agostinho escritor da Vulgata latina (?- 420). Neste momento foi reunido um concílio para acabar com as heresias de Pelágio, mas ele conseguiu ser inocentado em 415. Todavia foi condenado como herege em 417-418 pelo bispo de Roma e pelo concílio de Éfeso (431).

  Pelágio era um cristão moralista que achava a crença na tendência natural do homem para o pecado um desestimulo para se viver uma vida virtuosa.

  Pelágio foi acusado de 3 heresias:

1ª) Negava o pecado original no sentido de culpa herdada, sendo defendido e acompanhado por muitos cristãos orientais. Dizia que as pessoas pecam por nascerem num mundo corrompido e que são influenciadas pelos maus exemplos ao seu redor, mas que elas não tem tendência natural para pecar, e se o fazem é deliberadamente.

2ª) Ele negou que a graça sobrenatural de Deus seja essencial para a salvação. Tudo de que os cristãos precisam é da iluminação dada pela palavra de Deus e da consciência.

3ª) Afirmou pelo menos em teoria de que é possível viver uma vida sem pecado pelo uso correto do livre-arbítrio. Todo ser humano se encontra na mesma situação que Adão antes da queda, podendo optar em viver em perfeita obediência a lei de Deus.

  Agostinho reagiu fortemente contra estes ensinos, desenvolvendo sua soteriologia que parte de 2 convicções centrais a saber:

1ª) a total corrupção dos seres humanos após a queda.

2ª) a absoluta soberania de Deus.

  Suas principais obras objetando os ensinos de Pelágio foram:

1ª) Do Espírito e da letra (412)

2ª) Da natureza e da graça (415)

3ª) Da graça de Cristo e do pecado original (418)

4ª) Da graça e do livre-arbítrio (427)

5ª) Da predestinação dos santos (429)

  Ele também tratou deste assunto em outras obras como: Enchiridion (421) e A cidade de Deus (413-427).

  Apelando para ensinamentos do apóstolo Paulo como Romanos 5.12-21 ( Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram. Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei. No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir. Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos. E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação. Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo. Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos. Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor. ) Agostinho afirmou que todos os seres humanos inclusive os filhos dos cristãos, nascem culpados e totalmente corrompidos por causa do pecado de Adão e da natureza pecaminosa herdada dele, estando sujeitos a condenação eterna. Eles fazem parte de uma “massa de perdição”. Essa situação só é desfeita pelo batismo (o sacramento da regeneração), pelo arrependimento e pela graça sacramental. A vida virtuosa do cristão é obra da graça de Deus e não produto do esforço humano ou do seu livre-arbítrio, sem a graça capacitadora. Por causa da corrupção herdada, o ser humano não tem liberdade para não pecar (non posse non peccare), mas pelo contrário ele é inteiramente servo do pecado (Nascidos escravos – Lutero).

  Para Agostinho o livre-arbítrio era fazer o que se deseja, agir de acordo com a natureza não tendo escolha contrária, como era sustentado por Pelágio e seus seguidores. O que Agostinho estava querendo dizer não era que o homem não tinha capacidade alguma de fazer o que é bom e certo ou justo, mas somente com relação a sua salvação, o homem era incapaz de querer se aproximar do Deus, Senhor e Salvador.

  Desta forma o homem é livre para pecar, mas não é livre para não pecar. Pecar é tudo o que os seres humanos querem fazer sem o auxílio da graça Divina. Portanto, a graça soberana de Deus é absolutamente necessária para qualquer decisão ou ação positiva do ser humano caído. As criaturas humanas estão de tal maneira corrompidas que se Deus não os concedesse o dom da fé, jamais se voltariam para Ele. Se fosse possível conseguir a retidão somente pela natureza humana e pelo livre-arbítrio, sem a graça sobrenatural, Cristo teria morrido em vão.

  E sua última obra “Da predestinação dos santos”, Agostinho afirmou que Deus escolhe alguns indivíduos do meio da massa humana de perdição para receber o dom da fé e, deixa os outros seguir o rumo natural de suas vidas na perdição. É aquilo que os reformadores do tempo da reforma protestante chamariam de “eleição incondicional” e “graça irresistível”.

  Em uma última análise das obras de Agostinho podemos chegar a conclusão de que ele deixou a desejar na abordagem de alguns temas como por exemplo:

Deus é o autor do mal?
Como conciliar a soberania Divina e a responsabilidade humana?
Porque Deus não salva a todos?

  Agostinho deixa estas coisas com um ponto de interrogação e entende que é um mistério ao qual Deus não quis revelar ao homem, mas ele entende que acima de tudo se deve ter em mente que Deus é a causa suprema de todas as coisas e que não existe nada no universo que possa fugir de seu controle ou frustrar sua vontade.

  Além da doutrina da igreja, da soteriologia e da doutrina da graça, Agostinho deixou como contribuição fundamental foi sobre a doutrina trinitariana no tratado “De Trinitate” (sobre a Trindade). Partindo do fundamento deixado pelos capadócios cuja teologia conheceu através de Hilário de Poitiers, Agostinho deu maior ênfase a unidade da essência Divina que a diversidade de pessoas, embora deixe um resumo. Os capadócios fizeram o inverso. Ao explicar a procedência do Espírito Santo, diz que Ele é o vínculo de amor entre o Pai e o Filho. Agostinho argumentou que todas as coisas pelo fato de terem sido criadas pelo Deus tri uno, levam a marca da Trindade. Assim contribuiu de maneira inovadora com a introdução do “modelo psicológico da Trindade”. Comparou a unidade de Deus com a unidade do ser humano, com relação aos 3 aspectos das faculdades internas da alma, a saber: a memória o entendimento e a vontade.

  Sua obra prima, seu maior tratado e o mais completo foi “A cidade de Deus” onde fez uma grande síntese do pensamento cristão. Começa com uma apologia sobre o incêndio em Roma pelos visigodos no ano de 410. Acabou sendo uma grande interpretação da história romana e cristã, analisada teológica e escatologicamente através dos complexos destinos terrenais de 2 cidades criada por amores conflitantes (ao amor próprio e ao a amor a Deus).

  Segundo ele, o reino de Deus não se identifica com nenhuma civilização humana e não seria afetado pelo declínio do império romano.

  Irônicamente Agostinho morreu quando a África romana sucumbia diante das invasões dos vândalos que cercavam Hipona.

  A civilização romana clássica estava desmoronando-se mas, havia surgido uma nova cultura cristã que ganhava força, e alcançaria seu apogeu no período da idade medieval.

  Para os protestantes ou evangélicos, Agostinho é referencial na história eclesiástica, pois foi um valoroso líder da Igreja primitiva e deixou suas marcas como verdadeiro discípulo de Cristo.

  Agostinho foi um autor prolífico em muitos gêneros — tratados filosóficos, teológicos, comentários de escritos da Bíblia, além de sermões e cartas.

  Dele restaram algumas centenas de cartas (Epistulae) e de sermões (Sermones) considerados autênticos. Além disso, deixou 113 obras escritas.

  Agostinho é chamado de o Doutor da Graça, por sua compreensão sobre o tema.

Textos autobiográficos:

  As suas Confissões (Confesiones), escritas entre os anos 397-398, são geralmente consideradas como a primeira autobiografia. Agostinho descreve sua vida desde sua concepção até à sua então relação com Deus, e termina com um longo discurso sobre o livro do Gênesis, no qual ele demonstra como interpretar a Bíblia. A consciência psicológica e auto-revelação da obra ainda impressionam leitores.

  Mesmo sendo uma autobiografia, as Confissões não deixam de ter a marca filosófica de Agostinho. No Livro X, Agostinho escreve sobre a memória e suas atribuições. Já no Livro XI, Agostinho fala sobre a Criação, sobre o Tempo e da noção psicológica que se tem deste.

  No fim da sua vida, Agostinho revisitou os seus trabalhos anteriores por ordem cronológica e sugeriu que teria falado de forma diferente numa obra intitulada Retratações, que nos daria uma imagem considerável do desenvolvimento de um escritor e os seus pensamentos finais.

Filosóficos: Diálogos: Solilóquios (Soliloquiorum libri duo), Sobre o Mestre (De Magistro, trata da educação neste diálogo), Sobre o livre arbítrio (De Libero Arbitrio, trata sobre o mal e sobre as escolhas)

  Contra os acadêmicos (Contra acadêmicos, em que combate o cepticismo).

  O Livro das disciplinas (Disciplinarum libri é uma vasta enciclopédia com o fim de mostrar como se pode e se deve ascender a Deus a partir das coisas materiais. Não está acabada).

Apologéticos: Da verdadeira religião (De vera religione), etc.

  A Cidade de Deus (iniciada c. de 413, terminada em 426, uma de suas obras capitais, nela nos oferece uma síntese de seu pensamento filosófico, teológico e político). O De civitate Dei libri XXII.

Dogmáticos:

  Entre 399-422, escreveu A Trindade, uma das principais obras que apoia a crença na Santíssima Trindade de Deus. O De Trinitate libri XV.

  Sobre a imortalidade da alma (De inmortalitate animae)

  Sobre a potencialidade da alma (De quantitate animae)

  Enquirídio (Enchiridion, ad Laurentium ou De fide, spe et caritate liber I, é um manual de teologia segundo o esquema das três virtudes teológicas. Contém uma explicação do Credo, da oração do Pai Nosso e dos preceitos morais da Igreja).

  Da fé e do credo livro I (De fide et símbolo liber I), etc.

Morais e pastorais:

  Contra mendacium, Da catequese dos não instruídos livro I (De catechizandis rudibus liber I), Da continência livro I (De continentia liber I), Da paciência livro I (De patientia liber I), etc.

Monásticos:

  Regula ad servos — a mais antiga das regras monásticas do Ocidente.

Exegéticos:

  A Bíblia teve um papel decisivo para Agostinho. Pode-se destacar:

  Da doutrina cristã livro IV (De doctrina christiana libri IV (é uma síntese dogmática que servirá de modelo para as Sententiae os pensadores da Idade Média), De Genesi ad litteram libri XII, Da harmonia dos evangelistas livro IV (De consensu Evangelistarum libri IV (foram escritos em resposta aos que acusavam os evangelistas de contradizer-se e de haver atribuído falsamente a Cristo a divinidade), etc.

Tratados:

  Tratados sobre o evangelho de João (In Iohannis evangelium tractatus), As enarrações, ou exposições, dos Salmos (Enarrationes in Psalmos), etc.

Polêmicos:

  Muitas de suas obras tem caráter polêmico por causa dos conflitos que ele enfrentou. Isso levou São Posídio a classificá-las conforme os adversários combatidos: pagãos, astrólogos, judeus, maniqueus, priscilianistas, donatistas, pelagianos, arianos e apolinaristas.

  De natura boni liber I, Psalmus contra partem Donati, De peccatorum meritis et remissione et de baptismo parvolorum ad Marcellium libri III (de 412, primeira teologia bíblica da redenção, do pecado original e da necessidade do batismo), De gratia et libero arbitrio liber I (de 426, em que demonstra a necessidade da graça, da existência do livre arbitrío), De haeresibus, etc.

Pensamento:

O problema do mal:

  Em seu livro Sobre o livre arbítrio (em latim: De libero arbitrio) Agostinho tenta provar de forma filosófica que Deus não é o criador do mal. Pois, para ele, tornava-se inconcebível o fato de que um ser tão bom, pudesse ter criado o mal.

  A concepção que Agostinho tem do mal, esta baseada na teoria platônica, assim o mal não é um ser, mas sim a ausência de um outro ser, o bem. O mal é aquilo que "sobraria" quando não existe mais a presença do bem. Deus seria a completa personificação deste bem, portanto não poderia ter criado o mal.

  No diálogo com seu amigo Evódio, Agostinho tenta explicar-lhe que a origem do mal está no livre-arbítrio concedido por Deus. Deus em sua perfeição, quis criar um ser que pudesse ser autônomo e assim escolher o bem de forma voluntária. O homem, então, é o único ser que possuiria as faculdades da vontade, da liberdade e do conhecimento. Por esta forma ele é capaz de entender os sentidos existentes em si mesmo e na natureza. Ele é um ser capacitado a escolher entre algo bom (proveniente da vontade de Deus) e algo mau (a prevalência da vontade das paixões humanas).

  Entretanto, por ter em si mesmo a carga do pecado original de Adão e Eva, estaria constantemente tendenciado a escolher praticar uma ação que satisfizesse suas paixões (a ausência de Deus em sua vida). Deus, portanto, não é o autor do mal, mas é autor do livre-arbítrio, que concede aos homens a liberdade de exercer o mal, ou melhor, de não praticar o bem. Tempo e Criação

  No Livro XI das Confissões (em latim: Confessiones) Agostinho põe-se a cargo de versar acerca da criação do mundo por meio do Verbo, que podemos entender como "palavra criadora". Com efeito, o filósofo compreende que o mundo só poderia ter duas origens 1) do nada (em latim: ex-nihilo) e 2) a partir de parte da sua substância. No entanto, a última suposição é falsa pois teria de se admitir um Deus imutável, algo não condizente com o pensamento do Doutor Africano.

  A fim de responder a asserção: “Do que faria Deus antes de criar o mundo?” Tece sua crítica aos maniqueus e expõe seu pensamento a respeito do tempo e da criação. A evidente resposta do Santo Doutor à tal pergunta é a de que Deus não estaria a fazer nada, pois não havia tempo antes deste ter sido criado por Deus, ficando expresso que o tempo nada mais é do que uma criatura assim como o mundo e todas as coisas. Para o pensador, o tempo e o universo foram criado em conjuto, e Deus estaria fora deste contexto pois ele é eterno e a eternidade não entra no tempo.

  Para ele, o tempo não tem existência per se e só pode ser apreendido por nossa alma por meio de uma atividade chamada de "distensão da alma" (em latim: distentio animi). A distensão da alma, grosso modo, nada mais é do que a compreensão dos três tempos; pretérito, presente e futuro na alma, de modo que seja possível lembrar do passado, viver o presente e prever o futuro. Agostinho afirma que a alma é quem pode medir o tempo e essa "medição" atesta a existência do tempo apenas em caráter psicológico.
Influência como pensador e teólogo:



  Na história do pensamento ocidental, sendo muito influenciado pelo platonismo e neoplatonismo, particularmente por Plotino, Agostinho foi importante para o "baptismo" do pensamento grego e a sua entrada na tradição cristã e, posteriormente, na tradição intelectual europeia. Também importantes foram os seus adiantados e influentes escritos sobre a vontade humana, um tópico central na ética, que se tornaram um foco para filósofos posteriores, como Arthur Schopenhauer e Friedrich Nietzsche, mas ainda encontrando eco na obra de Albert Camus e Hannah Arendt (ambos os filósofos escreveram teses sobre Agostinho).

  É largamente devido à influência de Agostinho que o cristianismo ocidental concorda com a doutrina do pecado original. Os teólogos católicos geralmente concordam com a crença de Agostinho de que Deus existe fora do tempo e no "presente eterno"; o tempo só existe dentro do universo criado.

  O pensamento de Agostinho foi também basilar na orientação da visão do homem medieval sobre a relação entre a fé cristã e o estudo da natureza. Ele reconhecia a importância do conhecimento, mas entendia que a fé em Cristo vinha restaurar a condição decaída da razão humana, sendo portanto mais importante. Agostinho afirmava que a interpretação da Bíblia deveria ser feita de acordo com os conhecimentos disponíveis, em cada época, sobre o mundo natural. Escritos como sua interpretação do livro bíblico do Gênesis, iriam influenciar fortemente a Igreja medieval, que teria uma visão mais interpretativa e menos literal dos textos sagrados.

  Tomás de Aquino tomou muito de Agostinho para criar sua própria síntese do pensamento filosófico grego e do cristão. Dois teólogos posteriores que admitiram influência especial de Agostinho foram João Calvino e Cornelius Otto Jansenius.



  Assim encerramos a história deste grande servo de Deus, que entregou-se para a obra do seu Criador.  Que nós possamos tirar exemplos da vida de Agostinho também.


  Soli Deo Glori.

sábado, 28 de maio de 2011

As viagens missionárias de Paulo



[Documentos pessoais]

INTRODUÇÃO


As viagens missionárias do apóstolo Paulo foram realizadas nas principais cidades romanas. Ele percorreu grande parte das cidades do império romano, partindo de Antioquia da Síria viajou pelo mundo helenista até findar em sua prisão domiciliar em Roma. (At 13-28).
Paulo foi um homem escolhido por Deus para pregar o evangelho aos pagãos do seu tempo. A pessoa de Paulo aparece repentinamente sem se explicar muitos detalhes de sua vida em At 8-9, a única coisa que se diz é que ele perseguia os irmãos e assolava a igreja.
Mas, o contexto bíblico sobre o apóstolo mostra que: Paulo se considerava o menor dos apóstolos 1Co 15.9. (Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus.)
Ele diz que foi separado por Deus antes de nascer e para ser o apóstolo dos pagãos (At 9.15; Gl 1.15-16). (Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel. Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça, Revelar seu Filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei a carne nem o sangue,).
Logo depois de sua conversão ele começou a cumprir a vontade de Deus, e pregou na cidade de Damasco. (At 9.20-25). (E logo nas sinagogas pregava a Cristo, que este é o Filho de Deus. E todos os que o ouviam estavam atônitos, e diziam: Não é este o que em Jerusalém perseguia os que invocavam este nome, e para isso veio aqui, para levá-los presos aos principais dos sacerdotes? Saulo, porém, se esforçava muito mais, e confundia os judeus que habitavam em Damasco, provando que aquele era o Cristo. E, tendo passado muitos dias, os judeus tomaram conselho entre si para matá-lo. Mas as suas ciladas vieram ao conhecimento de Saulo; e como eles guardavam as portas, tanto de dia como de noite, para poderem tirar-lhe a vida, tomando-o de noite os discípulos o desceram, dentro de um cesto, pelo muro.).
Paulo começa a sua vida cristã demonstrando ser um grande instrumento de Deus para a evangelização. Ele evangelizou cerca de 37 cidades do império romano onde milhares de pessoas se convertem a Cristo através de sua mensagem.
Num período de aproximadamente 15 anos, de 45 a 60 d.C. Paulo fez sua pregação. Às vezes ele ficava alguns dias na cidade e outras vezes ele passava anos. Teve cidades que ele visitou mais de uma vez, e tiveram outras que ele nunca mais visitou.
Em At 9.15 (Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel.) vemos que Deus escolheu Paulo para ser um pregador aos pagãos. Então Paulo foi missionário cumprindo a chamada do Espírito Santo.
O Espírito Santo preparou o apóstolo Paulo nos ensinos do velho testamento, na cultura judaica e na cultura romana.
O apóstolo assim tinha um grande potencial para realizar a obra missionária. Em At. 8.3 (E Saulo assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão.). Saulo tinha motivos, ou seja, ele sabia o porquê estava perseguindo a igreja. Filipenses 3.6 (Segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível.) fala que ele era irrepreensível quanto à lei. Deus preparou a Paulo, e ninguém melhor do que ele para pregar o evangelho aos pagãos. Ele saberia como os pagãos pensavam, como eles adoravam e buscavam a salvação, então em cima destes fatos Paulo poderia com maior chance ser bem sucedido.
O apóstolo escolheu como pontos de atuação, os grandes centros e as sinagogas. O império romano construiu varias estradas para ligar as grandes cidades para melhorar o comercio e facilitação nas guerras. Paulo utilizou estas estradas para se locomover, pois ele sendo cidadão romano por nascimento, ele tinha livre acesso a qualquer cidade do império.
Ele fazia discípulos nas principais cidades da província romana. O que antes era campo missionário veio a se tornar bases missionárias.
Tessalônica tornou-se base para a macedônia, corinto para a Acaia, Éfeso para Ásia proconsular, e, Roma para a Espanha (Rm 15.24: Quando partir para Espanha irei ter convosco; pois espero que de passagem vos veja, e que para lá seja encaminhado por vós, depois de ter gozado um pouco da vossa companhia.).
Ele concentrava seus esforços nos grandes centros que eram pontos estratégicos do ponto de vista cultural, econômico, religioso, político e geográfico.
Segundo estudiosos, Paulo procurava atingir os centros provinciais que ainda não haviam sido evangelizados (Rm 15.18-21: Porque não ousarei dizer coisa alguma, que Cristo por mim não tenha feito, para fazer obedientes os gentios, por palavra e por obras; Pelo poder dos sinais e prodígios, na virtude do Espírito de Deus; de maneira que desde Jerusalém, e arredores, até ao Ilírico, tenho pregado o evangelho de Jesus Cristo. E desta maneira me esforcei por anunciar o evangelho, não onde Cristo foi nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio; Antes, como está escrito: Aqueles a quem não foi anunciado, o verão, E os que não ouviram o entenderão.) e contava com estes lugares para dar continuidade com a missão de evangelizar os vizinhos (Rm 10.14: Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão se não há quem pregue?).
As pregações de Paulo nas sinagogas apresentavam as seguintes características:
1-A simpatia e conciliação de Paulo com as sensibilidades dos ouvintes;
2-Reconhece a dificuldade de se proclamar verdades não fáceis de aceitar;
3-O respeito pelos ouvintes, pelas suas capacidades e suas necessidades;
4-Confiança inabalável na verdade e no poder do evangelho.

DESENVOLVIMENTO

Porque Paulo priorizava a pregação na sinagoga? É preciso lembrar que Paulo era um apóstolo enviado aos gentios. Na época de sua conversão no caminho de Damasco o Senhor disse que o livraria “dos gentios, para os quais eu te envio” (At 26.17: Livrando-te deste povo, e dos gentios, a quem agora te envio,.). Pedro, Tiago e João eram enviados aos judeus, porém Paulo aos pagãos (Gl 2.9: E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que me havia sido dada, deram-nos as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão;.). Em quase todas as sinagogas existiam além de judeus é claro, 2 grupos distintos de gentios. O 1º era formado pelos “prosélitos”, o 2º era formado pelos “tementes a Deus” que eram apreciadores da lei e dos ensino judaicos, mas por várias razões não se desligavam de suas religiões pagãs. Os tementes a Deus não tinham direito de participarem de todos os atos litúrgicos. Então o objetivo principal de Paulo era alcançar estes tementes a Deus.
Paulo além de se preocupar com o lado espiritual dos convertidos, ele também visava o lado humanitário, e a prova disso é o que vemos em 2Co 8 e Gl 2.10. (Recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres, o que também procurei fazer com diligência.).
As principais cidades que Paulo visitou são aquelas que são mais conhecidas e de maior importância na historia bíblica, também é importante citar as cidades que ele escreveu as epístolas e as que receberam.


1ª VIAGEM MISSIONÁRIA


A 1ª viagem missionária de Paulo teve inicio na igreja missionária de Antioquia da Síria que teve inicio entre 45 e 50 d.C.

Partiu de lá acompanhado de Barnabé e João Marcos. A 1ª cidade foi Selêucia, situada na foz do Orontes, de lá para Chipre, cidade de Barnabé. Desembarcaram em Salamina na costa de Chipre onde começaram a trabalhar como de costume na sinagoga. Percorreram toda a ilha pregando o evangelho, até chegar a Pafos na costa sudoeste. Foi ai que chamaram a atenção de Sérgio Paulo procônsul romano. (At 13.4-12: E assim estes, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre. E, chegados a Salamina, anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus; e tinham também a João como cooperador. E, havendo atravessado a ilha até Pafos, acharam certo judeu mágico, falso profeta, chamado Barjesus, O qual estava com o procônsul Sérgio Paulo, homem prudente. Este, chamando a si Barnabé e Saulo, procurava muito ouvir a palavra de Deus. Mas resistia-lhes Elimas, o encantador (porque assim se interpreta o seu nome), procurando apartar da fé o procônsul. Todavia Saulo, que também se chama Paulo, cheio do Espírito Santo, e fixando os olhos nele, Disse: Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perturbar os retos caminhos do Senhor? Eis aí, pois, agora contra ti a mão do Senhor, e ficarás cego, sem ver o sol por algum tempo. E no mesmo instante a escuridão e as trevas caíram sobre ele e, andando a roda, buscava a quem o guiasse pela mão. Então o procônsul, vendo o que havia acontecido, creu, maravilhado da doutrina do Senhor.).

Partindo de Chipre navegaram para a Ásia menor e chegaram a Perge na Panfília. Ali João Marcos se separou do grupo; o restante saiu de Perge rumo ao norte, passando pela região da Frigia indo até Antioquia da Pisídia. De Antioquia passaram a Icônio, cidade da Frígia onde uma grande multidão foi convertida (At. 13.51: Sacudindo, porém, contra eles o pó dos seus pés, partiram para Icônio.).

Por causa da perseguição dos judeus foram para listra e Derbe, cidades da região da Licaônia (At 14.1-7: E aconteceu que em Icônio entraram juntos na sinagoga dos judeus, e falaram de tal modo que creu uma grande multidão, não só de judeus, mas de gregos. Mas os judeus incrédulos incitaram e irritaram, contra os irmãos, os ânimos dos gentios. Detiveram-se, pois, muito tempo, falando ousadamente acerca do Senhor, o qual dava testemunho à palavra da sua graça, permitindo que por suas mãos se fizessem sinais e prodígios. E dividiu-se a multidão da cidade; e uns eram pelos judeus, e outros pelos apóstolos. E havendo um motim, tanto dos judeus como dos gentios, com os seus principais, para os insultarem e apedrejarem, Sabendo-o eles, fugiram para Listra e Derbe, cidades de Licaônia, e para a província circunvizinha; E ali pregavam o evangelho.).

Daí começam a voltar e estabelecem presbíteros em Antioquia da Pisídia, atravessando a Panfília e Perge, anunciando a palavra em Perge desceram a Atália e dali navegaram para Antioquia da Síria (At 14.20-26: Mas, rodeando-o os discípulos, levantou-se, e entrou na cidade, e no dia seguinte saiu com Barnabé para Derbe. E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio e Antioquia, Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus. E, havendo-lhes, por comum consentimento, eleito anciãos em cada igreja, orando com jejuns, os encomendaram ao SENHOR em quem haviam crido. Passando depois por Pisídia, dirigiram-se a Panfília. E, tendo anunciado a palavra em Perge, desceram a Atália. E dali navegaram para Antioquia, de onde tinham sido encomendados à graça de Deus para a obra que já haviam cumprido. ).


2ª VIAGEM MISSIONÁRIA


Por volta do ano 50 d.C. Paulo propõe a Barnabé realizar uma 2ª viagem missionária. (At 15.16: Depois disto voltarei, E reedificarei o tabernáculo de Davi, que está caído, Levantá-lo-ei das suas ruínas, E tornarei a edificá-lo). Mas Barnabé queria trazer consigo a João Marcos que era seu sobrinho, (Cl 4.10: Aristarco, que está preso comigo, vos saúda, e Marcos, o sobrinho de Barnabé, acerca do qual já recebestes mandamentos; se ele for ter convosco, recebei-o;) mas Paulo não considerou conveniente. Por causa disso houve uma discussão entre os dois que fez com que Paulo se separasse de Barnabé e, cada um seguiria em uma direção. Talvez Paulo tenha sido considerado prepotente por alguns, que passaram a criticar até mesmo sua autoridade apostólica. Mas ele não se abalou com isso e partiu na direção oposta a Barnabé e, foi ai que ele empreendeu a maior de todas as viagens missionárias. Tomando a seu discípulo Silas como companheiro, ele partiu de Antioquia da Síria para as igrejas da Síria e da Cilícia, e depois foram para o Norte atravessando as montanhas do Touro, chegando às igrejas que haviam sido fundadas na sua 1ª viagem missionária.

Foram a Derbe e a Listra onde Timóteo se ajuntou a eles. Depois foram para Icônio e Antioquia da Pisídia, e, após alguns “impedimentos” do Espirito Santo (At 16.6-7: E, passando pela Frígia e pela província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia. E, quando chegaram a Mísia, intentavam ir para Bitínia, mas o Espírito não lho permitiu.) desceram a Trôade, onde Paulo teve a visão do varão macedônio.

Obedecendo a este chamado, os missionários vão para a Europa, levando Lucas com eles. Desembarcando em Neápolis, seguiram logo para a cidade de Filipos. De Filipos onde Lucas ficou, Paulo, Silas e Timóteo foram para Tessalônica, onde alcançaram muitas almas, fundando ali uma igreja (At 17.1-9: E passando por Anfípolis e Apolônia, chegaram a Tessalônica, onde havia uma sinagoga de judeus. E Paulo, como tinha por costume, foi ter com eles; e por três sábados disputou com eles sobre as Escrituras, Expondo e demonstrando que convinha que o Cristo padecesse e ressuscitasse dentre os mortos. E este Jesus, que vos anuncio, dizia ele, é o Cristo. E alguns deles creram, e ajuntaram-se com Paulo e Silas; e também uma grande multidão de gregos religiosos, e não poucas mulheres principais. Mas os judeus desobedientes, movidos de inveja, tomaram consigo alguns homens perversos, dentre os vadios e, ajuntando o povo, alvoroçaram a cidade, e assaltando a casa de Jasom, procuravam trazê-los para junto do povo. E, não os achando, trouxeram Jasom e alguns irmãos à presença dos magistrados da cidade, clamando: Estes que têm alvoroçado o mundo, chegaram também aqui; Os quais Jasom recolheu; e todos estes procedem contra os decretos de César, dizendo que há outro rei, Jesus. E alvoroçaram a multidão e os principais da cidade, que ouviram estas coisas. Tendo, porém, recebido satisfação de Jasom e dos demais, os soltaram. )

Por causa da perseguição, Paulo foge para Beréia onde desempenha um grande trabalho até mesmo nas sinagogas.

De Beréia eles seguem para Atenas (At 17.10-15: E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Beréia; e eles, chegando lá, foram à sinagoga dos judeus. Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim. De sorte que creram muitos deles, e também mulheres gregas da classe nobre, e não poucos homens. Mas, logo que os judeus de Tessalônica souberam que a palavra de Deus também era anunciada por Paulo em Beréia, foram lá, e excitaram as multidões. No mesmo instante os irmãos mandaram a Paulo que fosse até ao mar, mas Silas e Timóteo ficaram ali. E os que acompanhavam Paulo o levaram até Atenas, e, recebendo ordem para que Silas e Timóteo fossem ter com ele o mais depressa possível, partiram.).

De Atenas parte para Corinto onde passou 18 meses e ao contrário de Atenas os resultados foram admiráveis (At 18.1-11: E depois disto partiu Paulo de Atenas, e chegou a Corinto. E, achando um certo judeu por nome Áqüila, natural do Ponto, que havia pouco tinha vindo da Itália, e Priscila, sua mulher (pois Cláudio tinha mandado que todos os judeus saíssem de Roma), ajuntou-se com eles, E, como era do mesmo ofício, ficou com eles, e trabalhava; pois tinham por ofício fazer tendas. E todos os sábados disputava na sinagoga, e convencia a judeus e gregos. E, quando Silas e Timóteo desceram da Macedônia, foi Paulo impulsionado no espírito, testificando aos judeus que Jesus era o Cristo. Mas, resistindo e blasfemando eles, sacudiu as vestes, e disse-lhes: O vosso sangue seja sobre a vossa cabeça; eu estou limpo, e desde agora parto para os gentios. E, saindo dali, entrou em casa de um homem chamado Tício Justo, que servia a Deus, e cuja casa estava junto da sinagoga. E Crispo, principal da sinagoga, creu no Senhor com toda a sua casa; e muitos dos coríntios, ouvindo-o, creram e foram batizados. E disse o Senhor em visão a Paulo: Não temas, mas fala, e não te cales; Porque eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade. E ficou ali um ano e seis meses, ensinando entre eles a palavra de Deus.).

Partindo para Éfeso, durou pouco tempo chegando até Cesareia, e logo em seguida a Jerusalém, onde saudou a igreja e voltou para Antioquia da Síria de onde havia partido (At 18.22: E, chegando a Cesareia, subiu a Jerusalém e, saudando a igreja, desceu a Antioquia.).


3ª VIAGEM MISSIONÁRIA


Tendo passado algum tempo em Antioquia, o apóstolo e sua comitiva deu início a 3ª viagem missionária no ano 54 d.C. Atravessando a região da Galácia e da Frígia fortalecendo os discípulos (At 18.23: E, estando ali algum tempo, partiu, passando sucessivamente pela província da Galácia e da Frígia, confirmando a todos os discípulos.) vai a Éfeso capital da Ásia e uma das cidades mais importantes do oriente. Permaneceu ali 3 anos (At 20.31: Portanto, vigiai, lembrando-vos de que durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar com lágrimas a cada um de vós. ); durante 3 meses ensino na sinagoga e depois por 2 anos na escola de Tirano (At 19.8-10: E, entrando na sinagoga, falou ousadamente por espaço de três meses, disputando e persuadindo-os acerca do reino de Deus. Mas, como alguns deles se endurecessem e não obedecessem, falando mal do Caminho perante a multidão, retirou-se deles, e separou os discípulos, disputando todos os dias na escola de um certo Tirano. E durou isto por espaço de dois anos; de tal maneira que todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, assim judeus como gregos. ).

O seu trabalho em Éfeso foi o mais notável de todos (At 19-20). De Éfeso partiu para a Macedônia onde depois de fortalecer os irmãos partiu para a Grécia onde permaneceu 3 meses (At 20.2-3: E, havendo andado por aquelas terras, exortando-os com muitas palavras, veio à Grécia. E, passando ali três meses, e sendo-lhe pelos judeus postas ciladas, como tivesse de navegar para a Síria, determinou voltar pela Macedônia.).

Agora Paulo iniciaria sua ultima viagem a Jerusalém acompanhado de vários gentios e judeus helenistas (At 20.4: E acompanhou-o, até à Ásia, Sópater, de Beréia, e, dos de Tessalônica, Aristarco, e Segundo, e Gaio de Derbe, e Timóteo, e, dos da Ásia, Tíquico e Trófimo. )

Seu plano era navegar diretamente para a Síria mas, uma conspiração dos judeus o obrigou a voltar pela Macedônia (At 20.3: E, passando ali três meses, e sendo-lhe pelos judeus postas ciladas, como tivesse de navegar para a Síria, determinou voltar pela Macedônia.). Demorou em Filipos enquanto seus companheiros foram para Trôade (At 20.5: Estes, indo adiante, nos esperaram em Trôade. ). Chegando em Trôade, Paulo demorou pouco tempo e viajou para Assôs. Passando rapidamente por Mitilene e Samos, Paulo r mais alguns amigos chegaram a Mileto. Partindo de Mileto o navio segue atá a ilha de Cós e no dia seguinte chegam a Rodes.

De Rodes passaram até Pátara, nas costas de Lícia (At 21.1: E aconteceu que, separando-nos deles, navegamos e fomos correndo caminho direito, e chegamos a Cós, e no dia seguinte a Rodes, de onde passamos a Pátara.). Achando um navio que ia para a Fenícia embarcaram, e seguindo viagem passaram por Chipre e desembarcaram em Tiro, passando 7 dias ali.

De Tiro foram para Ptolemaida (At 21.5-6: E, havendo passado ali aqueles dias, saímos, e seguimos nosso caminho, acompanhando-nos todos, com suas mulheres e filhos até fora da cidade; e, postos de joelhos na praia, oramos. E, despedindo-nos uns dos outros, subimos ao navio; e eles voltaram para suas casas.) e no dia seguinte chegaram em Cesaréia. Depois de várias predições proibindo Paulo de seguir viagem ele vai destemidamente até Jerusalém (At 21.4, 10-12: E, achando discípulos, ficamos ali sete dias; e eles pelo Espírito diziam a Paulo que não subisse a Jerusalém. E, demorando-nos ali por muitos dias, chegou da Judéia um profeta, por nome Agabo; E, vindo ter conosco, tomou a cinta de Paulo, e ligando-se os seus próprios pés e mãos, disse: Isto diz o Espírito Santo: Assim ligarão os judeus em Jerusalém o homem de quem é esta cinta, e o entregarão nas mãos dos gentios. E, ouvindo nós isto, rogamos-lhe, tanto nós como os que eram daquele lugar, que não subisse a Jerusalém. ) e assim terminou sua 3ª viagem missionária (At 21.12-15: E, ouvindo nós isto, rogamos-lhe, tanto nós como os que eram daquele lugar, que não subisse a Jerusalém. Mas Paulo respondeu: Que fazeis vós, chorando e magoando-me o coração? Porque eu estou pronto não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus. E, como não podíamos convencê-lo, nos aquietamos, dizendo: Faça-se a vontade do Senhor. E depois daqueles dias, havendo feito os nossos preparativos, subimos a Jerusalém.).


AS VIAGENS A ROMA E A ESPANHA.


Paulo escrevendo aos crentes de Roma, expressa seu desejo de pregar desde Jerusalém e circunvizinhança até o ilírico (Rm 15.19: Pelo poder dos sinais e prodígios, na virtude do Espírito de Deus; de maneira que desde Jerusalém, e arredores, até ao Ilírico, tenho pregado o evangelho de Jesus Cristo.). Alguns eruditos acreditavam que em Romanos 15.22-24: (Por isso também muitas vezes tenho sido impedido de ir ter convosco. Mas agora, que não tenho mais demora nestes sítios, e tendo já há muitos anos grande desejo de ir ter convosco, Quando partir para Espanha irei ter convosco; pois espero que de passagem vos verei, e que para lá seja encaminhado por vós, depois de ter gozado um pouco da vossa companhia.) o apóstolo explica o porque empregou seus esforços durante sua vida e desejo de ir a Roma mas ainda não podia ser concluído:
1º)Não visitar os romanos, porque ele não queria semear o evangelho onde já havia sido semeado, deixando os que não haviam ainda ouvido ficar sem conhecimento. Rm 15.20-21: E desta maneira me esforcei por anunciar o evangelho, não onde Cristo foi nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio; Antes, como está escrito: Aqueles a quem não foi anunciado, o verão, E os que não ouviram o entenderão.

2º)visitar os romanos. Depois de toda a sua vida o apóstolo tinha razões para visitá-los agora, devido algumas considerações: Ele havia terminado sua missão nas regiões onde havia passado; agora precisava alcançar outros lugares (Rm 15.23: Mas agora, que não tenho mais demora nestes sítios, e tendo já há muitos anos grande desejo de ir ter convosco,); desejo antigo de conhecer a igreja romana; estabelecer em roma uma base missionária para o ocidente até a Espanha ( 15.24, 28: Quando partir para Espanha irei ter convosco; pois espero que de passagem vos verei, e que para lá seja encaminhado por vós, depois de ter gozado um pouco da vossa companhia. Assim que, concluído isto, e havendo-lhes consignado este fruto, de lá, passando por vós, irei à Espanha. ) “estarei convosco e que para lá (para a Espanha) seja por vós encaminhado...”.

Isto no entanto não significa que não houvesse mais lugar para ser pregado a mensagem, mas significa que para Paulo, ele já havia ido em todas as cidades que ele havia planejado. Então o planejamento dele agora era partir para o ocidente.

Por volta do ano 60 d. C Paulo é enviado a Roma como prisioneiro de César. Em At 27.2 (E, embarcando nós em um navio adramitino, partimos navegando pelos lugares da costa da Ásia, estando conosco Aristarco, macedônio, de Tessalônica.) o apóstolo embarca em um navio adramitino que iria para a costa da Ásia. Agora o apóstolo não tinha mais a companhia de seus amigos cooperadores mas, esta seria uma viagem tão emocionante como as outras.
De Jerusalém ele navegou até Sidom, partindo dali navegou a costa de Chipre por causa dos ventos e, tendo atravessado o mar ao longo da Cilícia e Panfília chegou a Mirra na lícia. Embarcando em um navio alexandrino navegaram lentamente a costa de Cnido e prosseguindo por causa do vento até a costa de creta na altura de Salamina. Em seguida chegaram a cidade de Laseia.
O capitão do navio sabendo que o porto dali não era próprio para invernar, partiu tentando chegar em Fenice, mas aconteceu uma grande tempestade que despedaçou o navio ocorrendo grande naufrágio. Mas Deus havia guardado a todos por amor ao apóstolo. Sendo eles batidos de um lado para outro do mar adriático, depois de muito tempo chegaram em terra firme. Após chegarem em terra souberam que nome do lugar era Malta. Foi ai que uma cobra picou o apóstolo e, milagrosamente ele sobreviveu. Deus operou várias curas neste lugar, e, os bárbaros puseram a todos depois de 3 meses em outro navio, e os presos seguiram viagem.
Chegando em Siracusa passaram 3 dias. Em seguida viajaram até Régio e no dia seguinte chegaram a Puteóli onde encontraram uma igreja a qual passaram 7 dias.
Tendo os irmãos de Roma ouvido a respeito de Paulo, vieram ao seu encontro na praça de ápio e as 3 vendas. Ao vê-los Paulo, rompe em júbilo e dando graças a Deus se reconfortou.

Paulo chega a Roma como um prisioneiro (At 28.16-31: E, logo que chegamos a Roma, o centurião entregou os presos ao capitão da guarda; mas a Paulo se lhe permitiu morar por sua conta à parte, com o soldado que o guardava. E aconteceu que, três dias depois, Paulo convocou os principais dos judeus e, juntos eles, lhes disse: Homens irmãos, não havendo eu feito nada contra o povo, ou contra os ritos paternos, vim contudo preso desde Jerusalém, entregue nas mãos dos romanos; Os quais, havendo-me examinado, queriam soltar-me, por não haver em mim crime algum de morte. Mas, opondo-se os judeus, foi-me forçoso apelar para César, não tendo, contudo, de que acusar a minha nação. Por esta causa vos chamei, para vos ver e falar; porque pela esperança de Israel estou com esta cadeia. Então eles lhe disseram: Nós não recebemos acerca de ti carta alguma da Judéia, nem veio aqui algum dos irmãos, que nos anunciasse ou dissesse de ti mal algum. No entanto bem quiséramos ouvir de ti o que sentes; porque, quanto a esta seita, notório nos é que em toda a parte se fala contra ela. E, havendo-lhe eles assinalado um dia, muitos foram ter com ele à pousada, aos quais declarava com bom testemunho o reino de Deus, e procurava persuadi-los à fé em Jesus, tanto pela lei de Moisés como pelos profetas, desde a manhã até à tarde. E alguns criam no que se dizia; mas outros não criam. E, como ficaram entre si discordes, despediram-se, dizendo Paulo esta palavra: Bem falou o Espírito Santo a nossos pais pelo profeta Isaías, Dizendo: Vai a este povo, e dize: De ouvido ouvireis, e de maneira nenhuma entendereis; E, vendo vereis, e de maneira nenhuma percebereis. Porquanto o coração deste povo está endurecido, E com os ouvidos ouviram pesadamente, E fecharam os olhos, Para que nunca com os olhos vejam, Nem com os ouvidos ouçam, Nem do coração entendam, E se convertam, E eu os cure. Seja-vos, pois, notório que esta salvação de Deus é enviada aos gentios, e eles a ouvirão. E, havendo ele dito estas palavras, partiram os judeus, tendo entre si grande contenda. E Paulo ficou dois anos inteiros na sua própria habitação que alugara, e recebia todos quantos vinham vê-lo; Pregando o reino de Deus, e ensinando com toda a liberdade as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum.) e Lucas relata que “por 2 anos permaneceu Paulo na sua própria casa que alugara” (At 28.30: E Paulo ficou dois anos inteiros na sua própria habitação que alugara, e recebia todos quantos vinham vê-lo;) com toda liberdade de receber a todos que o procuravam e de pregar o evangelho (At 28.30-31: E Paulo ficou dois anos inteiros na sua própria habitação que alugara, e recebia todos quantos vinham vê-lo; Pregando o reino de Deus, e ensinando com toda a liberdade as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum.). Para quem pretendia apenas passar por Roma, e livre, 2 anos e preso era tempo demais.
Provavelmente após esta sua 1ª prisão domiciliar, o apóstolo deve ter ido à Espanha.


CONCLUSÃO


Em fim, o apóstolo visitou em sua 1ª viagem 10 cidades num período de 5 anos; na 2ª viagem ele visitou 19 cidades sendo que 14 cidades eram novas, num período de 4 anos, onde se revela que foi sua maior viagem; na 3ª viagem ele visitou 5 cidades novas e 17 ao todo em um período de aproximadamente 6 anos; e na sua viagem à Roma ele visitou 8 lugares novos e 11 ao todo.
Portanto a obra missionária do apóstolo num período de 15 anos se estendendo por 37 cidades.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Sobre Cristo.




[DOCUMENTOS PESSOAIS]

Em 15 de abril de 1912 partia o TITANIC, o mais famoso navio da história, com a finalidade de cruzar o oceano atlântico pela 1ª vez.
Diziam que tempestade alguma poderia afundá-lo. Um oficial de bordo, quando interrogado no momento dos preparativos para partir declarou: “este navio não pode ser afundado. O próprio Deus não poderia afundá-lo se quisesse”.
Os passageiros estavam tão convencidos disso que, quando os primeiros botes salva-vidas começaram a serem lançados ao mar a maioria dos que estavam a bordo se recusaram a subir neles; eis a razão do grande número de vitimas: mais de 1500.
O navio afundava; ninguém quis acreditar. Logo os motores pararam, mas a orquestra continuou tocando, e alguns passageiros continuaram bebendo e dançando. Quando se deram conta da realidade, já era muito tarde. De repente, em meio a despreocupação, um grande pânico sobreveio sobre eles. E o navio afundou-se nas águas geladas.
O mundo é como o TITANIC quando estava afundando. Não faltaram advertências para se salvarem subindo nos botes salva-vidas, Deus também faz varias advertências para que as pessoas atentem para a salvação em Cristo. A salvação é realizada unicamente por meio de Cristo: Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3.16.
O que você acha sobre esta história? Você acredita que isso tenha acontecido? O que eles deveriam fazer, em sua opinião?
Cristo padeceu muito e foi crucificado com a finalidade de salvar a muitos deste mundo que está a se afundar e, através da sua própria morte aproximar de Deus os que estavam a perecer: Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo. 1Tm 2.5-6.
Assim como no caso do TITANIC o tempo da salvação um dia chegará ao fim; para os que estiverem em Cristo, será eterna esperança, mas para os que continuarem no mundo, acreditando despercebidamente que está tudo bem, será só choro e pânico: E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna. Mt 25.32,46.
Aqueles que não abandonarem suas idéias erradas, assim como os passageiros do TITANIC, que não acreditaram na nova que estava sendo anunciada, irão se arrepender amargamente.
Subamos nos botes salva-vidas que Cristo nos dispõe, e abandonemos o mundo que está a se afundar.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Paulo de Tarso.



[DOCUMENTOS PESSOAIS]


INTRODUÇÃO


Neste pequeno comentário, estarei separando as partes do filme (Paulo de Tarso) que são mais aproximadas do que o relato bíblico mostra, e as partes que são conjecturas. A parte que não tem nenhum fundamento bíblico não será feito nenhum comentário direto, salvo se tiver alguma relevância.


SÍNTESE


FATOS BÍBLICOS.


O filme tem início com cenas da conversão de Saulo, que é algo bíblico descrito no livro de Atos dos Apóstolos, veja Atos 9.1-9:
1 E SAULO, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do SENHOR, dirigiu-se ao sumo sacerdote.
2 E pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, se encontrasse algum daquela seita quer homens quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém.
3 E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu.
4 E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?
5 E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.
6 E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer.
7 E os homens, que iam com ele, pararam espantados, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém.
8 E Saulo levantou-se da terra, e, abrindo os olhos, não via a ninguém. E, guiando-o pela mão, o conduziu a Damasco.
9 E esteve três dias sem ver, e não comeu nem bebeu.


Paulo é um discípulo de Gamaliel, que é um fato bíblico segundo Atos 22.3:
3 Quanto a mim, sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, e nesta cidade criado aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais, zeloso de Deus, como todos vós hoje sois.


O discurso de Gamaliel perante o Sinédrio está muito próximo do que contem na bíblia.


O filme fala sobre a venda do terreno de Barnabé, que, entregou o valor aos pés dos Apóstolos.


Paulo segurou o manto dos que apedrejavam os cristãos, como no filme ele segura o manto de “Rubens”.


A conversão de Saulo acontece de modo muito parecido com o que a bíblia diz; ele ficou cego; ouviu a voz do Senhor; ficou percebendo apenas vultos das pessoas. Agora, vale salientar que no filme ele Paulo ficou relutando contra a cegueira, o que a bíblia não mostra.


Quando Pedro retorna de sua viagem pelas regiões da Judéia e Samaria, ele é interrogado pelos apóstolos em especial por Tiago. O que Pedro fala para eles é uma fração do que está na bíblia.


A morte de Tiago irmão de João também fica próximo do relato bíblico.


A prisão de Pedro por Herodes é descrita com muita precisão.


Sobre o apedrejamento de Paulo e Barnabé em Listra, tirando que o “Rubens” o tenha apedrejado, também está coerente.


Sobre Áquila e Priscila, o filme os coloca como proprietários de um cortiço de fabricação de tendas.


Na parte final do filme Paulo se dedica a fazer vários discursos principalmente em Atenas, que estão descritos tanto em Atos dos Apóstolos como em outros livros do NT. Apesar de ter algumas conjecturas no meio, mas esta parte entra aqui pelo resumo geral dos mesmos.


O filme fala sobre a prisão e interrogatório de Paulo pelos judeus, depois de sua vinda de Cesaréia a Jerusalém, logo em seguida, os judeus entram em voto que só comeriam depois de ter assassinado a Paulo.


Sobre o testemunho perante Felix o filme mostra biblicamente Paulo apelando para Cesar.


O filme termina com Paulo chegando a Roma, avistando a cidade de longe.




CONJECTURAS.


O filme apresenta Paulo como comandante da guarda romana. De alguma forma Paulo deve ter sido um soldado ou prestava serviço como reservista. Veja Atos 8.3; 9.2:


3 E Saulo assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão.
2 E pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, se encontrasse algum daquela seita quer homens quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém.


O batismo no Espírito Santo é semelhante ao que está na bíblia, que todos estavam reunidos no mesmo lugar ainda que o número de pessoas presente foi muito resumido; veio sobre eles um vento impetuoso e foram cheio do Espírito Santo. Mas quanto ao falar em línguas é suprimido também, passando para o discurso de Pedro.


Pelo filme da para entender que o cristianismo era uma seita ramificada dos ensinos do farisaísmo.


Sobre Paulo, o filme novamente volta a falar da vida pessoal dele é o apresenta como cidadão romano que fazia tenda.


A conversa do “sacerdote Rubens” com Paulo sobre o desejo de Roma matar muitos judeus se não fosse contido os cristãos, tem certo fundo histórico.


Quando “Rubens” tenta contradizer Estevão dizendo que Jesus destruiria o templo e em 3 dias o reconstruiria, também é uma conjectura de um dos motivos de o porquê estavam perseguindo os cristãos.
“Rubens” coloca a idéia de que Jesus seria como um 2º Deus para os cristãos e por isso eles eram politeístas, que era uma blasfêmia. Isso ocorre porque os judeus não aceitavam de forma alguma a idéia de que o messias fosse divino. Eles tinham a idéia de um libertador político.


O filme coloca Paulo como comandante na perseguição dos judeus contra os cristãos, mas a bíblia não deixa claro este ensino. A bíblia apenas diz que ele levava presos os cristãos, isso não é motivo concreto para se dizer que Paulo era comandante. Ele pode ter servido como reservista ou ter sido enviado de uma forma especial para está missão, pelo fato de Paulo ser um dos judeus mais preparado religiosamente, e que por ser jovem poderia executar o serviço melhor que os mais velhos.


A questão das coisas sacrificadas e o comer com os pagãos são descrito no filme, mas não é igual ao que se vê no livro de Atos. O que se vê no filme é uma adaptação de Gálatas. O fato é que no filme é colocado como se Pedro desse o veredicto final de todas as coisas. Mas em Atos 15 não conseguimos vê Pedro tomando lugar de destaque, mas Tiago.


A discussão entre Paulo e Barnabé no filme gira em torno de se deveriam ir pregar em Roma ou não. A bíblia mostra claramente que a discussão foi porque Barnabé queria levar a João Marcos é Paulo não considerava justo.


Sobre a purificação de Paulo logo depois de chegar de Cesaréia em Jerusalém, o filme o mostra raspando a cabeça e tomando voto (ainda que não o mostre utilizando navalha que era o costume judeu), mas quanto a sua prisão, o filme mostra um individuo que era de Jerusalém incitando o povo contra Paulo, mas a bíblia diz claramente que quem incitou o povo foi judeus residentes na Ásia.


Sobre a notícia ao comandante romano, em nenhum momento a bíblia mostra uma mulher trazendo a noticia do motim dos judeus para matar a Paulo em segredo.


Sobre a despedida de Paulo e Barnabé a bíblia não faz nenhuma menção.




EXTRA BIBLICO.


O filme coloca Paulo como sendo um soldado e lutador de arena. A bíblia diz que Paulo lutou contra feras, mas ao que da para se entender foi em pro da causa e não como esporte. Veja Atos 15.32:
32 Se, como homem, combati em Éfeso contra as bestas, que me aproveita isso, se os mortos não ressuscitam? Comamos e bebamos que amanhã morreremos.




Mostra Barnabé sendo assaltado e Paulo o livrando. Também diz que o nome da mulher de Barnabé é Agar.


Tem uma cena que Barnabé e um cristão fazem no chão o desenho de um peixe que pode ser um dos símbolos do cristianismo primitivo.


Apresenta Pedro se queixando de não poder pregar por receio de ser morto, coisa que não tem na bíblia.


Quando Pedro tenta pregar para um aleijado, ele o expulsa.


Paulo dava esmola para os aleijados é os conhecia. É algo que não mostra claramente na bíblia, mas podemos ver Paulo incentivando a isso nas suas epístolas.


O discurso de Pedro é abalado pelas pessoas, coisa que não está correto e João também interfere no discurso.


A cura do coxo que é descrito no capítulo 3 de Atos, é adiantado para os acontecimentos do dia de pentecostes.


Os Apóstolos Pedro é João comparecem pela 1ª vez perante o Sinédrio, e no filme, eles são proibidos de falarem no nome de Jesus, mas na bíblia isso só ocorre na 2ª vez que eles comparecem ao Sinédrio.


É feito uma associação entre o batismo das 3 mil almas com a pessoa de Barnabé, só que a bíblia não descreve o batismo de Barnabé; outra coisa errada é sobre o tempo do batismo, que foi logo depois do discurso de Pedro em pentecostes e não na união de Barnabé a igreja.


Colocam que Pedro e João descem para Samaria antes do início da perseguição, é algo errado.


Sobre Barnabé ter ido avisar Ananias da vinda de Paulo, não é bíblico.


Muito provavelmente quem batizou Paulo foi Ananias é não Barnabé como o filme coloca.


Barnabé não estava com Paulo em Damasco segundo a bíblia, só em Jerusalém é que ele viria a se encontrar com Barnabé.


Na bíblia não contem estes discursos entre Pedro, Tiago, Paulo é Barnabé à noite em uma arena ou esconderijo. O que a bíblia diz é que Barnabé tendo trazido Paulo perante os Apóstolos, falou como havia sido a conversão de Paulo em Damasco.


Paulo vai até Pedro para pedir permissão para pregar o evangelho, é Pedro o permite, mas isso é uma irrealidade bíblica, Paulo em nenhum momento vem pedir autorização para poder pregar o evangelho, Cristo foi quem o comissionou.


Sobre a ida de Barnabé a Antioquia, o filme erra quando coloca Pedro dando ordens a ele, para que ele vá até Antioquia. Segundo a bíblia está ida de Barnabé só se deu tempos depois, quando os irmãos de Jerusalém ficaram sabendo que a palavra havia prosperado ali, enviando Barnabé para lá.


O filme mais uma vez dá uma versão equivocada com relação ao tempo. Quando Barnabé vai chamar a Paulo em Tarso, a prisão de Pedro por Herodes, nem havia ocorrido ainda.


A viagem de Paulo e Barnabé parece que começa em Listra, mas a bíblia deixa bem claro que Paulo 1º foi a Salamina.




CONCLUSÃO


Em resumo, o filme colabora com a tradição católica romana, que defende que Pedro foi a cabeça do apostolado, o 1º papa. Em várias partes do filme, é visto o esforço do produtor em mostrar a autoridade de Pedro sobre a igreja, mas quando chega ao concílio de Jerusalém, vemos Pedro tomando o conselho de Paulo sobre a circuncisão, trazendo de forma tão explicita e clara que Pedro precisava de conselho dos outros. Se Pedro fosse papa ele não teria tomado conselho.
Mesmo o produtor querendo trazer o ensino sobre a primazia de Pedro, ele não pode negar o que a bíblia declara.


De certa forma o filme traz uma narrativa bem elaborada do que, foi o ministério de Paulo, ainda que tenha discrepâncias como, por exemplo, as citadas acima.

Atós dos apóstolos sob 3 comentários.



[DOCUMENTOS PESSOAIS]

1-INTRODUÇÃO.


2-O NOVO COMENTÁRIO DA BÍBLIA.


3-O NOVO COMENTÁRIO BÍBLICO CONTEMPORÂNEO. ATOS DOS APÓSTOLOS.


4-INTRODUÇÃO E SÍNTESE DO NOVO TESTAMENTO.


5-CONCLUSÃO.


I. Introdução


Neste trabalho é apresentada uma exposição dos tópicos requeridos pelo professor, baseado em 3 livros onde é feita no final uma avaliação dos pontos positivos é negativos de cada livro.
Os principais objetivos são: verificar a autoria, data, teologia e principais assuntos tratados em Atos dos apóstolos.


II. 1: Titulo: O novo comentário da bíblia.
II. 2: Autor: F. Davidson.
II. 3: Editora: Vida Nova.
II. 4: Ano: 1997.
II. 5:Bibliografia:


F. F. BRUCE, M.A., D.D., Rylands, Professor de Criticismo Bíblico e
Exegese da Universidade de Manchester. A Poesia do Antigo Testamento, A
Literatura de Sabedoria do Antigo Testamento*, Os Quatro Evangelhos,
Juízes, Atos dos Apóstolos, I e II Tessalonicenses.


(The Bearing of
Recent Discovery on the Trustworthiness of the New Testament (1915), págs.
(81, 222).


(W.F. Howard, The Romance of New Testament Scholarship (1949), pág. 151).


Adolf von Harnack, de Berlim. (Vejam-se os seus livros Luke the
Physician (1907), Acts of the Apostles (1909), Date of the Acts (1911).


C. C. Torrey, de Yale The composition and Date of Acts (1916)


(Cfr. W. L. Knox, The Acts of the
Apostles (1948), pág. 91).




A: Sobre a autoria:


Segundo o novo comentário da bíblia, a autoria do livro de Atos é do mesmo autor do 3º evangelho, ou seja, Lucas o médico amado (Cl 4.14: Saúda-vos Lucas, o médico amado, e Demas.). Pag. 1869.


Lucas seria natural de Antioquia da Síria, gentio, teria sido convertido no inicio da pregação do evangelho naquela cidade. Em Cl 4.10: “Aristarco, que está preso comigo, vos saúda, e Marcos, o sobrinho de Barnabé, acerca do qual já recebestes mandamentos; se ele for ter convosco, recebei-o; E Jesus, chamado Justo; os quais são da circuncisão; são estes unicamente os meus cooperadores no reino de Deus; e para mim têm sido consolação.” Paulo saúda 3 companheiros de viagem que eram judeus, e seguem saudando outros que não eram judeus, “12 - Saúda-vos Epafras, que é dos vossos, servo de Cristo, combatendo sempre por vós em orações, para que vos conserveis firmes, perfeitos e consumados em toda a vontade de Deus.
13 - Pois eu lhe dou testemunho de que tem grande zelo por vós, e pelos que estão em Laodicéia, e pelos que estão em Hierápolis.
14 - Saúda-vos Lucas, o médico amado, e Demas.
“15 - Saudai aos irmãos que estão em Laodicéia e a Ninfa e à igreja que está em sua casa.” Pag. 1870.


Sir Wiliam Ramsay sugere que Lucas seja irmão de Tito (2Co 8.17-19: “17 - Pois aceitou a exortação, e muito diligente partiu voluntariamente para vós.
18 - E com ele enviamos aquele irmão cujo louvor no evangelho está espalhado em todas as igrejas.
“(19 - E não só isto, mas foi também escolhido pelas igrejas para companheiro da nossa viagem, nesta graça que por nós é ministrada para glória do mesmo SENHOR, e prontidão do vosso ânimo;”), afirmando que Orígenes entendia que “o irmão cujo louvor no evangelho está espalhado por todas as igrejas” era Lucas; Tito também era grego de Antioquia (Gl 2.1-3: “1 - DEPOIS, passados catorze anos, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também comigo Tito.
2 - E subi por uma revelação, e lhes expus o evangelho, que prego entre os gentios, e particularmente aos que estavam em estima; para que de maneira alguma não corresse ou não tivesse corrido em vão.
“(3 - Mas nem ainda Tito, que estava comigo, sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se;”). Pag. 1870.


B: Sobre a data:


O livro de Atos foi concluído antes das perseguições por Nero de 64-70 d.C. Alguns a colocam na data de 90 d.C., mas para isso ele teria que ter falado sobre fatos importantes como o incêndio de Jerusalém. Pag. 1869.


C: Sobre a teologia:


O autor destaca a obra do Espírito Santo como tema central do livro. O Espírito de Deus é quem dirige toda a obra. O Dr. Pierson o fez menção a obra do Espírito em Atos dizendo que o livro bem podia ser chamado “os atos do Espírito Santo”, por que: o Espírito Santo:
Guia os mensageiros, como o caso de Felipe e o de Pedro (At 8; 10).
Escolheu Barnabé e Saulo (At 13.2: 2 - E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.).
Impede-os de pregar na Ásia (At 16.6-10: 6 - E, passando pela Frígia e pela província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia.
7 - E, quando chegaram a Mísia, intentavam ir para Bitínia, mas o Espírito não lho permitiu.
8 - E, tendo passado por Mísia, desceram a Trôade.
9 - E Paulo teve de noite uma visão, em que se apresentou um homem da Macedônia, e lhe rogou, dizendo: Passa à Macedônia, e ajuda-nos. (10 - E, logo depois desta visão, procuramos partir para a Macedônia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciarmos o evangelho.).
É mencionado no concílio dos apóstolos (At 15.28: 28 - Na verdade pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias:).
Fala mediante profetas (At 11.28: 28 - E, levantando-se um deles, por nome Ágabo, dava a entender pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo, e isso aconteceu no tempo de Cláudio César. E At 21.11: 11 - E, vindo ter conosco, tomou a cinta de Paulo, e ligando-se os seus próprios pés e mãos, disse: Isto diz o Espírito Santo: Assim ligarão os judeus em Jerusalém o homem de quem é esta cinta, e o entregarão nas mãos dos gentios.).
Designa ancião (At 20.28: 28 - Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue.).
Pode-se mentir a ele (At 5.3: 3 - Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade?).
Pode-se tentá-lo (At 5.9: 9 - Então Pedro lhe disse: Por que é que entre vós vos concertastes para tentar o Espírito do Senhor? Eis aí à porta os pés dos que sepultaram o teu marido, e também te levarão a ti.).
Pode-se resisti-lo (At 7.51: 51 - Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais.).
É ele a primeira testemunha da verdade do evangelho (At 5.32: 32 - E nós somos testemunhas acerca destas palavras, nós e também o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem.). Pag. 1876.


D: Principais assuntos:


O principal assunto é apresentar a Teófilo uma narrativa fidedigna de tudo que aconteceu depois que Jesus foi elevado ao céu.
Outros assuntos também ficam evidentes no livro como, por exemplo, demonstrar que o movimento cristão não se constituía ameaça a lei e a ordem romana.


Não fica evidente a importância do livro na vida da igreja primitiva.


III. 1: Titulo:Novo comentário bíblico contemporâneo – Atos.
III. 2:Autor: David J. Wiliams.
III. 3:Editora: Vida.
III. 4:Ano:1996.
III. 5: Bibliografia:
1. J. B. Phillips, The Young Church in Action (A Jovem Igreja
em Ação) Londres: Geoffrey Bles, 1955, p. vii.
2. Veja Hengel, Acts (Atos), p. 39.
3. Hengel, Hengel, p. 38.
4. E. J. Goodspeed, Introduction to the New Testament
(Introdução ao Novo Testamento) Chicago: University of Chicago Press,
1937, pp. 187s.
5. Veja V. K. Robbins, Perspectives (Perspectivas), pp. 215ss.
6. Veja "The Book of Acts" (O Livro de Atos), em A. D. Nock,
Essctys onReligion and the Ancient World (Artigos sobre Religião e o
Mundo Antigo) Londres: Oxford University Press, 1972, vol. 2, pp. 821ss.
7. Hengel, Acts (Atos), p. 66.
8. Veja, p.e., P. Vielhauer, Studies (Estudos), pp. 33-50.
9. Hanson, p. 27.
10. Hengel, Jesus p. 110.
11. C. H. Dodd, The Apostolic Preaching and lis Development
(A PregaçãoApostólica e Seu Desenvolvimento) Londres: Hodder &
Stoughton, 1944, pp.19s.
12. Veja, p.e., Hengel Jesus p. 121: "O conhecimento [de
Lucas] das condições reinantes na Judéia durante mais ou menos os
últimos quinze anos, antes da eclosão da guerra judaica, e o interesse
Especial [desse escritor] com respeito à destruição de Jerusalém
Demonstram como ele foi influenciado por esses acontecimentos, e a eles se
“Manteve relativamente unido”.
13.Krodel, p. 15.
14. Hengel, Acts (Atos), p. 35.
15. Hengel, Acts (Atos), p. 61.
16. Dunn, Jesus, pp. 168s.
17. Dunn, Jesus, pp. 169.
18. Tucídides, History of the Peloponnesian War (História da
Guerra Peloponésia) 1.22.
19. Marshall, p. 40.
20. Bruce, Acts (Atos), p. 21.
21. J. H. Elliott, A Catholic Gospel: Reflections on 'Early
Catholicism' in the New Testament", CBQ31 (1969), pp. 213ss.
22. Maddox, p. 185.
23. F. L. Cribbs, Perspectives (Perspectivas), p. 61.
24. S. G. Wilson, Lucan Eschatology (Escatologia de Lucas),
NTS 16 (1969-70), p. 347. Veja também Hengel, Jesus, p. 107.
25. Hengel, Acts, (Atos), p. 59.
26. Maddox, p. 21.
27. C. K. Barrett, Luke the Historian in Recent Study (Lucas o
Historiador em Estudo Recente), Londres: Epworth Press, 1961, p. 63.
28. Maddox, pp. 96s.
29. Hengel, Acts (Atos), pp. 67s.
30. S. G. Wilson, The Gentiles and the Gentile Mission in Luke-
Acts
(Cambridge: Cambridge University Press, 1973), pp. 266s.
Nota: No começo deste livro há uma lista das abreviaturas empregadas
neste comentário.
A: Sobre a autoria:


Desde o inicio da igreja passando por todas as épocas, é quase incontestável que a autoria tenha sido de Lucas o medico amado.
Em grego o seu nome é LOUKAS que é uma forma abreviada de LOUKANOS, que é um indicio de que Lucas podia ser um escravo, apesar de isso ser só uma especulação, porque os nomes que terminavam em AS geralmente eram nomes de escravos.
Na historia em geral, é comum se ver escravos sendo treinados para assumir a função de médico.


Os fatos sobre o nome de Lucas, que podemos ter como concretos são os que estão incluídos na bíblia. O nome Lucas só aparece 3 vezes no N.T. (Cl 4.14: 14 - Saúda-vos Lucas, o médico amado, e Demas; 2Tm 4.11: 11 - Só Lucas está comigo. Toma Marcos, e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério.; Fm 24: 24 - Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus cooperadores.).


A declaração mais antiga que temos é a que se encontra no prólogo do evangelho ANTIMARCIONISTA que assim se inicia: pag.13 “Lucas, médico de profissão, era de Antioquia”. Alguns acreditam que Lucas tenha sido convertido no período em que os cristãos que foram dispersos desceram até Antioquia e ali pregaram o evangelho. Verdadeiramente segundo o testemunho do próprio livro de Atos a igreja de Antioquia era um grande centro cristão, onde o apostolo Paulo pelo Espírito Santo foi enviado às nações.


Na verdade a pergunta que fica é se realmente foi Lucas que escreveu o livro. A única evidência que se pode extrair do livro é o fato do autor em algumas partes colocar o pronome NÓS que indica que ele estava ali no momento da viagem. Dos companheiros de viagem de Paulo o que mais se encaixa neste quadro é Lucas.








B: Sobre a data:


Os traços culturais e políticos que se pode ver no livro só poderia ter sido escrito no primeiro séc. Porém o que se tenta descobrir é em que década deste 1º séc. o livro foi escrito. Uma das coisas que pode nos ajudar é que em atos o autor não se preocupa em falar sobre os problemas da igreja do II séc. como as heresias; os cargos hereditários; a doutrina da igreja; os sacramentos,... Etc., que colocaria o livro a uma data do II séc. Pag. 23. “Nem os apóstolos, nem Tiago, exercem direção autoritária sobre a igreja de Jerusalém, é tampouco o fazem Paulo é outros noutras cidades”.


A maioria dos autores data o livro de Atos entre 60-70 d.C.; outros preferem o especificar que foi composto antes da morte de Paulo que, se deu no tempo de Nero, cerca de 67 d.C.. Existem algumas objeções contra esta data, a principal é que, se o evangelho é Atos foram escritos no mesmo tempo sendo uma obra completa, utilizou o livro de marcos como fonte de pesquisa para o evangelho.


Pag. 24. Ainda que entendamos que esses autores exageraram em sua argumentação, parece-nos muito provável uma data ao redor de 75 d.C.; Marcos teria sido escrito no final dos anos 60, ou início dos anos 70, seguindo-se o evangelho de Lucas.


C: Sobre a teologia:


Tucídides, o historiador grego, confessou que às vezes não se lembrava quais foram às palavras que as pessoas que ele escrevera falaram, mas que se esforçava ao máximo para ser coerente ao que eles tinham falado. Acredita-se que Lucas através dos testemunhos, tanto orais como escritos, como visíveis, também tomou uma atitude como a de Tucídides.
Assim alguns hão de presumir que a teologia que é apresentada em Atos, não seja a dos apóstolos é discípulos, mas a de Lucas. Pag. 22 “diz o escritor Bruce: não são invenções de Lucas, mas resumos que no fornecem pelo menos a essência do que foi dito em várias ocasiões. Portanto, constituem fontes valiosas independentes quanto à vida é o pensamento da igreja”.
Outra coisa que se pode verificar é que mesmo que se podendo ver as marcas pessoais do autor Lucas, a teologia encontrada em Atos é a mesma que se pode verificar nas cartas de Paulo é de Pedro. Veja 5.30: 30 - O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, ao qual vós matastes, suspendendo-o no madeiro; 13.39: 39 - E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por ele é justificado todo aquele que crê; 15.13-41: 13 - E, havendo-se eles calado, tomou Tiago a palavra, dizendo: Homens irmãos ouvi-me:
14 - Simão relatou como primeiramente Deus visitou os gentios, para tomar deles um povo para o seu nome.
15 - E com isto concordam as palavras dos profetas; como está escrito:
16 - Depois disto voltarei, E reedificarei o tabernáculo de Davi, que está caído, Levantá-lo-ei das suas ruínas, E tornarei a edificá-lo.
17 - Para que o restante dos homens busque ao Senhor, E todos os gentios, sobre os quais o meu nome é invocado, Diz o Senhor, que faz todas estas coisas,
18 - Conhecidas são a Deus, desde o princípio do mundo, todas as suas obras.
19 - Por isso julgo que não se devem perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus.
20 - Mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue.
21 - Porque Moisés, desde os tempos antigos, tem em cada cidade quem o pregue, e cada sábado é lido nas sinagogas.
22 - Então pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos, com toda a igreja, eleger homens dentre eles e enviá-los com Paulo e Barnabé a Antioquia, a saber: Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens distintos entre os irmãos.
23 - E por intermédio deles escreveram o seguinte: Os apóstolos, e os anciãos e os irmãos, aos irmãos dentre os gentios que estão em Antioquia, e Síria e Cilícia, saúde.
24 - Porquanto ouvimos que alguns que saíram dentre nós vos perturbaram com palavras, e transtornaram as vossas almas, dizendo que deveis circuncidar-vos e guardar a lei, não lhes tendo nós dado mandamento,
25 - Pareceram-nos bem, reunidos concorde mente eleger alguns homens e enviá-los com os nossos amados Barnabé e Paulo,
26 - Homens que já expuseram as suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo.
27 - Enviamos, portanto, Judas e Silas, os quais por palavra vos anunciarão também as mesmas coisas.
28 - Na verdade pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias:
29 - Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição, das quais coisas bem fazeis se vos guardardes. Bem vos vá.
30 - Tendo eles então se despedido, partiram para Antioquia e, ajuntando a multidão, entregaram a carta.
31 - E, quando a leram, alegraram-se pela exortação.
32 - Depois Judas e Silas, que também eram profetas, exortaram e confirmaram os irmãos com muitas palavras.
33 - E, detendo-se ali algum tempo, os irmãos os deixaram voltar em paz para os apóstolos;
34 - Mas pareceu bem a Silas ficar ali.
35 - E Paulo e Barnabé ficaram em Antioquia, ensinando e pregando, com muitos outros, a palavra do Senhor.
36 - E alguns dias depois, disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar nossos irmãos por todas as cidades em que já anunciamos a palavra do Senhor, para ver como estão.
37 - E Barnabé aconselhava que tomassem consigo a João, chamado Marcos.
38 - Mas a Paulo parecia razoável que não tomassem consigo aquele que desde a Panfília se tinha apartado deles e não os acompanhou naquela obra.
39 - E tal contenda houve entre eles, que se apartaram um do outro. Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre.
40 - E Paulo, tendo escolhido a Silas, partiu, encomendado pelos irmãos à graça de Deus.
41 - E passou pela Síria e Cilícia, confirmando as igrejas; 20.17-38: 17 - E de Mileto mandou a Éfeso, a chamar os anciãos da igreja.
18 - E, logo que chegaram junto dele, disse-lhes: Vós bem sabeis, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, como em todo esse tempo me portei no meio de vós,
19 - Servindo ao Senhor com toda a humildade, e com muitas lágrimas e tentações, que pelas ciladas dos judeus me sobrevieram;
20 - Como nada, que útil seja, deixei de vos anunciar, e ensinar publicamente e pelas casas,
21 - Testificando, tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo.
22 - E agora, eis que, ligado eu pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que lá me há de acontecer,
23 - Senão o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações.
24 - Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus.
25 - E agora, na verdade, sei que todos vós, por quem passei pregando o reino de Deus, não vereis mais o meu rosto.
26 - Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos.
27 - Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus.
28 - Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue.
29 - Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho;
30 - E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si.
31 - Portanto, vigiai, lembrando-vos de que durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar com lágrimas a cada um de vós.
32 - Agora, pois, irmãos, encomendo-vos a Deus e à palavra da sua graça; a ele que é poderoso para vos edificar e dar herança entre todos os santificados.
33 - De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem o vestuário.
34 - Sim, vós mesmos sabeis que para o que me era necessário a mim, e aos que estão comigo, estas mãos me serviram.
35 - Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos, e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.
36 - E, havendo dito isto, pôs-se de joelhos, e orou com todos eles.
37 - E levantou-se um grande pranto entre todos e, lançando-se ao pescoço de Paulo, o beijavam,
38 - Entristecendo-se muito, principalmente pela palavra que dissera que não veriam mais o seu rosto. E acompanharam-no até o navio.




D: Principais assuntos:


O principal assunto no livro de Atos é: trazer o resumo do início do movimento cristão.


Não fica evidente a importância do livro na vida da igreja primitiva.


IV. 1: Titulo:Introdução e síntese do Novo Testamento.
IV. 2:Autor: Gerard Hörster.
IV. 3:Editora: Editora evangélica esperança.
IV. 4:Ano:1996.
IV. 5: Bibliografia:
M. Baumgarten, Die Apostelgeschichte, vol. 1, 2 ed. 1859, vol. 2, 2 ed. 1859; F. F. Bruce, The Acts of the Apostles, 1951, nova edição 1991; F. F. Bruce, The Book of the Acts, 1954; E. Haenchen, Die Apostelgeschichte des Lukas, vol. 1, 1986; R. Pesch, Die Apostelgeschichte vol. IV/1, 1986, vol. V/2, 1986; J. Roloff, Die Apostelgeschichte, NTD, vol. 5, 17 ed. 1981; G. Schneider, Die Apostelgeschichte, HThK, vol. V/1, 1980, vol. V/2, 1982; G. Sthälin, Die Apostelgeschichte, NTD, vol. 5, 10 ed. 1962.


A: Sobre a autoria:


O livro de Atos não menciona quem é o autor em lugar nenhum apenas ele se apresenta em alguns trechos usando a palavra NÓS que indica que ele tivesse no local (At 16.10-17: 10 - E, logo depois desta visão, procuramos partir para a Macedônia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciarmos o evangelho.
11 - E, navegando de Trôade, fomos correndo em caminho direito para a Samotrácia e, no dia seguinte, para Neápolis;
12 - E dali para Filipos, que é a primeira cidade desta parte da Macedônia, e é uma colônia; e estivemos alguns dias nesta cidade.
13 - E no dia de sábado saímos portas, para a beira do rio, onde se costumava fazer oração; e, assentando-nos, falamos às mulheres que ali se ajuntaram.
14 - E certa mulher, chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que servia a Deus, nos ouvia, e o SENHOR lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia.
15 - E, depois que foi batizada, ela e a sua casa, nos rogou, dizendo: Se haveis julgado que eu seja fiel ao SENHOR, entrai em minha casa, e ficai ali. E nos constrangeu a isso.
16 - E aconteceu que, indo nós à oração, nos saiu ao encontro uma jovem, que tinha espírito de adivinhação, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores.
17 - Esta, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo; 20.5-15: 5 - Estes indo adiante, nos esperaram em Trôade.
6 - E, depois dos dias dos pães ázimos, navegamos de Filipos, e em cinco dias fomos ter com eles a Trôade, onde estivemos sete dias.
7 - E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e prolongou a prática até a meia-noite.
8 - E havia muitas luzes no cenáculo onde estavam juntos.
9 - E, estando certo jovem, por nome Êutico, assentado numa janela, caiu do terceiro andar, tomado de um sono profundo que lhe sobreveio durante o extenso discurso de Paulo; e foi levantado morto.
10 - Paulo, porém, descendo, inclinou-se sobre ele e, abraçando-o, disse: Não vos perturbeis, que a sua alma nele está.
11 - E subindo, e partindo o pão, e comendo, ainda lhes falou largamente até a alvorada; e assim partiu.
12 - E levaram vivo o jovem, e ficaram não pouco consolados.
13 - Nós, porém, subindo ao navio, navegamos até Assôs, onde devíamos receber a Paulo, porque assim o ordenara, indo ele por terra.
14 - E, logo que se ajuntou conosco em Assôs, o recebemos, e fomos a Mitilene.
(15 - E, navegando dali, chegamos no dia seguinte defronte de Quios, e no outro aportamos a Samos e, ficando em Trogílio, chegamos no dia seguinte a Mileto; etc.).


M. Dibelius considera a introdução da palavra NÓS ao texto sagrado como que o autor escrevesse na forma de um diário pessoal.
O testemunho da igreja antiga é que este escritor foi Lucas o companheiro de Paulo.
A crítica histórica levanta as seguintes objeções contra estes fatos:
1-A estadia de Paulo em Jerusalém após sua conversão é conflitante com Gálatas 1-2.
2-Os relatos de Atos 15 sobre o concílio conflitam com Gálatas 2.
3-Paulo sempre se denominou apóstolo em suas cartas(1Co 9.1: 1 - NÃO sou eu apóstolo? Não sou livre? Não vi eu a Jesus Cristo SENHOR nosso? Não sois vós a minha obra no Senhor? ; 12.11: 11 - Fui néscio em gloriar-me; vós me constrangestes. Eu devia ter sido louvado por vós, visto que em nada fui inferior aos mais excelentes apóstolos, ainda que nada sou.; Rm 11.13: 13 - Porque convosco falo, gentios, que, enquanto for apóstolo dos gentios, exalto o meu ministério; ). Em Atos, porém Paulo só é chamado de apóstolo juntamente com Barnabé em 14.4,14: (4 - E dividiu-se a multidão da cidade; e uns eram pelos judeus, e outros pelos apóstolos. 14 - Ouvindo, porém, isto os apóstolos Barnabé e Paulo, rasgaram as suas vestes, e saltaram para o meio da multidão, clamando,). Em outras passagens é feita a distinção entre ele é os apóstolos (9.26-31: 26 - E, quando Saulo chegou a Jerusalém, procurava ajuntar-se aos discípulos, mas todos o temiam, não crendo que fosse discípulo.
27 - Então Barnabé, tomando-o consigo, o trouxe aos apóstolos, e lhes contou como no caminho ele vira ao Senhor e lhe falara, e como em Damasco falara ousadamente no nome de Jesus.
28 - E andava com eles em Jerusalém, entrando e saindo,
29 - E falava ousadamente no nome do Senhor Jesus. Falava e disputava também contra os gregos, mas eles procuravam matá-lo.
30 - Sabendo-o, porém, os irmãos, o acompanharam até Cesaréia, e o enviaram a Tarso.
31 - Assim, pois, as igrejas em toda a Judéia, e Galiléia e Samaria tinham paz, e eram edificadas; e se multiplicavam, andando no temor do Senhor e consolação do Espírito Santo; 15.2,6: 2 - Tendo tido Paulo e Barnabé não pequena discussão e contenda contra eles, resolveu-se que Paulo e Barnabé, e alguns dentre eles, subissem a Jerusalém, aos apóstolos e aos anciãos, sobre aquela questão. 6 - Congregaram-se, pois, os apóstolos e os anciãos para considerar este assunto. 22 - Então pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos, com toda a igreja, eleger homens dentre eles e enviá-los com Paulo e Barnabé a Antioquia, a saber: Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens distintos entre os irmãos; 4 - E, quando iam passando pelas cidades, lhes entregavam, para serem observados, os decretos que haviam sido estabelecidos pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém.)
4-O discurso de Paulo no areópago não parece ser igual ao ensino de Paulo sobre a perdição do homem.
5-O autor parece não entender sobre a mensagem do crucificado, o foco do ensino paulino (a salvação ). Pag. 63.


Essas são objeções que precisam ser analisadas. Sobre a 1ª temos o quadro abaixo que traça um paralelo entre Gálatas é Atos com relação à estadia de Paulo em Jerusalém:














Como se pode ver tanto em Atos como em Gálatas é mencionado que Paulo esteve em Jerusalém após sua conversão. A questão é que em Gálatas o tempo decorrido de sua conversão até o de ter ido para Jerusalém não é declarado.


Com relação à 2ª objeção, afirma-se que em 15.7, Pedro e Tiago defendem Paulo diante do concílio, enquanto em Gálatas 2 Paulo teria se defendido diante de Pedro e Tiago. O fato é que em Gálatas 2 não se fala de uma defesa, mas ao contrário aqueles apóstolos não teriam nenhum peso sobre Paulo.
O foco em Atos era alertar os irmãos com relação aos aspectos da lei, já em Gálatas o foco é a divisão das regiões de evangelização.


Quanto à 3ª objeção, sob observação mais acurada em Atos 15.2 e 16.4 (Tendo tido Paulo e Barnabé não pequena discussão e contenda contra eles, resolveu-se que Paulo e Barnabé, e alguns dentre eles, subissem a Jerusalém, aos apóstolos e aos anciãos, sobre aquela questão; 4-E, quando iam passando pelas cidades, lhes entregavam, para serem observados, os decretos que haviam sido estabelecidos pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém.) dá a entender que Paulo era um apóstolo acima da submissão aos apóstolos.


A 4ª objeção parece ser a mais forte, pois segundo Rm 3.21-31 “21 - Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas;
22 - Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença.
23 - Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;
24 - Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.
25 - Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;
26 - Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.
27 - Onde está logo a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé.
28 - Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei.
29 - É porventura Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente,
30 - Visto que Deus é um só, que justifica pela fé a circuncisão, e por meio da fé a incircuncisão.
31 - Anulamos, pois, a lei pela fé? “De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei.” todos estão perdidos radicalmente e separados de Deus, enquanto At 17.22ss diz que todos os homens mesmo sem saberem estão próximos de Deus.
W. G. Kümel refuta esta objeção nestes termos: Pag. 64 “mesmo admitindo a possibilidade de que numa mensagem evangelística Paulo tenha feito a relação com a cosmovisão dos gentios, é impensável que tenha substituído a mensagem da salvação escatológica tão preciosa para ele, pelo ensino estóico do parentesco de todos os homens com Deus.”
A mensagem de Atos 17 não esta em confronto com o ensino em Romanos, pois no final ele chama a confissão e a conversão. Se compararmos Atos 17 com Romanos1. 18-21(18 - Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça.
19 - Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou.
20 - Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;
(21 - Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.), teríamos um tema tratado de forma semelhante, ou seja, “a revelação de Deus a todos os homens”.


Quanto à 5ª objeção há uma incoerência, pois vários textos de Atos traz a mensagem de do crucificado At 2.22-36; 3.14-20; 4.10-12: 22 - Homens israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis;
23 - A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos;
24 - Ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela;
25 - Porque dele disse Davi: Sempre via diante de mim o Senhor, Porque está à minha direita, para que eu não seja comovido;
26 - Por isso se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou; E ainda a minha carne há de repousar em esperança;
27 - Pois não deixarás a minha alma no inferno, Nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção;
28 - fizeste-me conhecer os caminhos da vida; encher-me-ás de alegria na tua presença.
29 - Homens irmãos seja-me lícito dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi, que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está até hoje a sua sepultura.
30 - Sendo, pois, ele profeta, e sabendo que Deus lhe havia prometido com juramento que do fruto de seus lombos, segundo a carne, levantaria o Cristo, para o assentar sobre o seu trono,
31 - Nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo, que a sua alma não foi deixada no inferno, nem a sua carne viu a corrupção.
32 - Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas.
33 - De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis.
34 - Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio diz: Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita,
35 - Até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés.
36 - Saiba, pois, com certeza toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes Deus o fez Senhor e Cristo; 14 - Mas vós negastes o Santo e o Justo, e pedistes que se vos desse um homem homicida.
15 - E matastes o Príncipe da vida, ao qual Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas.
16 - E pela fé no seu nome fez o seu nome fortalecer a este que vedes e conheceis; sim, a fé que vem por ele, deu a este, na presença de todos vós, esta perfeita saúde.
17 - E agora, irmãos, eu sei que o fizestes por ignorância, como também os vossos príncipes.
18 - Mas Deus assim cumpriu o que já dantes pela boca de todos os seus profetas havia anunciado; que o Cristo havia de padecer.
19 - Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do SENHOR,
20 - E envie-o a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado; 10 - Sejam conhecidos de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, em nome desses é que este está são diante de vós.
11 - Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina.
12 - E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.


Pag. 64. “a investigação mais acurada das objeções a um companheiro de viagem de Paulo como autor de Atos mostra que conclusões pré-concebidas influenciaram a conclusão de muitos eruditos. Nenhuma das objeções pode ser utilizada como prova conclusiva. Por isso a tradição da igreja antiga, de que Atos tenha sido escrito por um companheiro de viagem de Paulo, não ficou abalada. Segundo a tradição, pode de fato ter sido o médico Lucas, o que no entanto, não pode ser comprovado pelo texto de Atos.”


B: Sobre a data:


O que mais chama a atenção em Atos é que Lucas não fez menção à morte de Tiago o irmão do Senhor (62 d.C.) nem a perseguição de Nero (64 d.C.) e a destruição de Jerusalém (70 d.C.), o que é um forte indício de que o livro tenha sido escrito antes destes fatos.
Levando em consideração que Lucas escreveu o evangelho é logo depois o livro de Atos, seria mais coerente situar Atos em uma data ainda mais antiga.


C: Sobre a teologia:


Dentre os motivos que levaram Lucas a escrever o livro de Atos existe 2 tipos:
1º - Os questionáveis: Apesar de o livro ser denominado Atos dos apóstolos, Lucas menciona Atos de outros irmãos que não eram apóstolos é da uma ênfase muito maior a Pedro, Tiago e João, depois dá uma ênfase maior a Pedro e por último fala ainda sobre o ministério de Paulo que não era um apóstolo que teve contato com o Cristo durante sua 1ª vinda.


O livro dá um destaque muito grande às obras de Paulo, o que faz com que alguns achem que o livro era como um documento em defesa de Paulo antes do seu julgamento.


O livro de Atos retrata com detalhes sobre os problemas da igreja da época, o que leva a se pensar que Lucas queria escrever um documento sobre os conflitos existentes na igreja.


2º - Os motivos convincentes: O objetivo principal de Atos é mostrar como a mensagem a respeito de Cristo, se tornou conhecida a todos os povos.


O livro de Atos mostra, ainda que de passagem, em alguns casos, que os cristãos e, sobretudo Paulo, não apresentava nenhum perigo a autoridade romana.


Outro motivo é que: Pedro e Paulo têm atividades iguais no ministério apresentado em Atos, o que comprova o apostolado de Paulo:
Os 2 apóstolos ressuscitaram mortos (At 9.36ss; 20.9), curam coxos (At 3.1ss; 14.8ss), são libertos da prisão de modo miraculoso (At 5.19ss; 12.7ss; 16.26ss), transmitem o dom do Espírito Santo pela imposição de mãos (At 8.14ss; 19.6s); interrompe a ação de mágicos (At 8.18ss; 13.6s). Portanto é Paulo um apóstolo vocacionado como foi Pedro. Pag. 61.


D: Principais assuntos:


O autor faz um relato tendencioso sobre o cristianismo. Pag. 59: As noticias sobre a igreja primitiva, são um tanto resumidas; a comunhão de bens; o início da missão aos gentios; a perseguição por Herodes Agripa; Pedro e Cornélio; 3 vezes a conversão de Paulo.


Sobre a importância do livro, não é feito nenhuma menção clara.






V. Conclusão:


As impressões sobre os 3 livros analisados são: os 3 dão muita ênfase à crítica literal, mas deixam a desejar quanto à inspiração, a infabilidade e a inspiração bíblica.


Parece que nenhum dos 3 é reformado; Davids no novo comentário da bíblia deixa escapar alguns traços de arminianismo. Ele insiste em dizer que o Espírito pode ser resistido.
Gerard Höster em introdução e síntese ao N.T. parece ser reformado, mas às vezes parece ser liberal. Na verdade ele tem mais de reformado que de liberal. Principalmente pelo fato de que ele acredita que Lucas tenha feito um relato tendencioso na escrita de Atos.
Quanto a David J. Williams em o novo comentário bíblico contemporâneo – Atos, não parece ser nem arminiano nem liberal, mas deixa muito a desejar quanto as provas de suas afirmações.


Comparando estes 3 livros com a introdução ao N.T. de David Hale, vemos o quanto os 3 são simples, enquanto David Hale traz todo o arcabouço de informações sobre a autoria data teologia do livro é principais assuntos de Atos.


Sobre a autoria, os 3 concordam como Lucas sendo o autor; que era gentio de Antioquia da Síria; foi convertido quando os primeiros cristãos chegaram àquela cidade. Tornou-se um grande companheiro de Paulo por toda a vida.


Quanto à data, de fato os 3 colocam como principal fato: como o autor não faz nenhuma referência a datas ou a tempos de sua composição, é muito improvável determinar uma data. O que se pode determinar sobre a data é com base em inferência histórica é conjecturas. Devido ao fato de Atos não citar nada sobre a morte de Paulo é a destruição de Jerusalém que são fatos importantíssimos, podemos colocar a data de composição entre 60 e 70 d.C.


Como principais assuntos, o fato de que os cristãos não apresentavam nenhuma ameaça ao poder romano parece ser o mais evidente.
Sobre a aplicação do livro na igreja, os 3 não deixam claro como o faz David Hale.

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