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João Pessoa, Paraíba, Brazil
Filho de Antonio Gomes da Silva Netto e Rosilda Lucia Quaresma; nasci em Niterói, RJ, verão de 1982; passei toda minha infância em Jabitacá, PE; estive em convivência tanto no campo como na cidade, cuidei de gado na adolescência os quais minha avó criava , e trabalhei na biblioteca da escola na juventude. Minha conversão se deu no dia 24 de Dezembro de 1998 através do assembleianismo ao qual comunguei por 9 anos. Estudei o 2º grau, e, no ano 2000, aos 18 anos vim morar em João Pessoa, onde me casei com Priscila, e tivemos 2 filhas, Ester e Júlia. Hoje sou formado em Técnico em mecânica pelo Cefet-PB.Fui seminarista da Igreja Presbiteriana Fundamentalista do Brasil. Em 2014 concluí o Curso de Bacharel em Serviço Social. Estou orando para que este Blog sirva à Deus como instrumento de propagação da nova a respeito de Cristo.

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segunda-feira, 12 de março de 2012

Deu a Palavra.




O Senhor deu a Palavra:
Um estudo na história do texto bíblico

por Malcolm Watts

Conteúdo:

I - Antigo Testamento

A - A primeira língua
B - Anotações escritas
C - Revelação
D - Doutrina dupla
E - Por escrito
F - Os originais
G - O Templo
H - O significado da arca
I - Um único livro
J - Cópias
K - O trabalho dos escribas
L - A perda dos originais
M - A grande sinagoga
N - Os famosos massoretas
O - O texto massorético
P - Resumo do Antigo Testamento

II - O Novo Testamento

A - A verdade cristã escrita
B - Os originais divinos
C - Cópias exatas
D - Variações Textuais
E - Reproduzindo o autêntico texto do Novo Testamento
F - Os manuscritos gregos remanescentes
G - Classificação
H - Críticos atacam o texto Bizantino
I - A versão Almeida Corrigida Fiel

A Bíbia é a eterna Palavra de Deus. Foi dada ao homem por Deus para ser o absoluto, o
supremo, o competente, o infalível e imutável padrão de fé e prática. Neste artigo, vamos
delinear a história da Bíblia, desde sua origem na divina auto-revelação, sua incorporação na
forma escrita através da inspiração sobrenatural, até sua transmissão exata na época atual
através da preservação miraculosa. Cremos firmemente que, embora as tempestades de
desaprovação continuem a levantar-se contra a Palavra de Deus, a confiança do crente humilde
nela é justificável e confirmada. Este volume sagrado é – e sempre será – o Livro de Deus.

I - O Antigo Testamento

A maior parte do Antigo Testamento foi escrita em hebraico, algumas vezes chamada “a
língua de Canaã” (Isaías 19.18 Naquele tempo haverá cinco cidades na terra do Egito que falarão a língua de Canaã e farão juramento ao SENHOR dos Exércitos; e uma se chamará: Cidade de destruição. ) ou “a língua dos judeus” (Isaías 36.11Então disseram Eliaquim, Sebna e Joá a Rabsaqué: Pedimos-te que fales aos teus servos em siríaco, porque bem o entendemos, e não nos fales em judaico, aos ouvidos do povo que está sobre o muro. ). Ela, provavelmente,
desenvolveu-se a partir do antigo hebraico falado por Abraão, em Ur dos caldeus (Gênesis
14.13Então veio um, que escapara, e o contou a Abrão, o hebreu; ele habitava junto dos carvalhais de Manre, o amorreu, irmão de Escol, e irmão de Aner; eles eram confederados de Abrão. ) e vários estudiosos crêem que esse hebraico era anterior a Abraão e que era a “mesma
língua” e “a mesma fala” dos tempos pré-Babel (Gênesis 11.1 E era toda a terra de uma mesma língua e de uma mesma fala. ). Em outras palavras, crêem que
essa era a língua original do homem.

A -A prímeira língua

As evidências para o sustento desse ponto de vista são bastante fortes. Primeiramente,
em hebraico, os nomes dos animais expressam sua natureza e características com bastante
acuidade – tanto ou mais, na verdade, que qualquer outra língua arcaica. Isso poderia
relacionar-se ao fato de que Adão, logo após a criação, deu nome aos animais observando suas
peculiaridades e as características de cada espécie (Gênesis 2.19-20 Gên 2:19  Havendo, pois, o SENHOR Deus formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome.
Gên 2:20  E Adão pós os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo o animal do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idônea. ). Em segundo lugar, os
nomes próprios, como Adão, Eva e Caim têm significados importantes em hebraico, alguns dos
quais, na verdade, são-lhes determinados nas Escrituras do Antigo Testamento (Gênesis 2.23;
3.20; 4.1Gên 2:23  E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada. Gên 3:20  E chamou Adão o nome de sua mulher Eva; porquanto era a mãe de todos os viventes. Gên 4:1  E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz a Caim, e disse: Alcancei do SENHOR um homem. ). Terceiro, os nomes de várias nações da Antigüidade parecem ser de origem
hebraica, derivando-se dos filhos e netos de Sem, Cão e Jafé: como, por exemplo, os assírios,
derivados de Assur; os elamitas, de Elão; os arameus, de Aram.

Pode-se argumentar, portanto, que alguma forma de hebraico tenha sido a primeira
linguagem falada e ouvida neste mundo; porém, para se afirmar isso temos como indiscutível o
fato de que praticamente o Antigo Testamento inteiro foi escrito em hebraico. As únicas
exceções estão em aramaico (uma língua cognata, muito próxima do hebraico) que, na verdade,
substituiu o hebraico no tempo do cativeiro. Essas exceções são duas partes do livro de Esdras
(4.8-6.18; 7.12-26), pelo fato de ser o aramaico a língua oficial do Império Persa; um versículo
em Jeremias (10.11Assim lhes direis: Os deuses que não fizeram os céus e a terra desaparecerão da terra e de debaixo deste céu.), onde a citação de um provérbio aramaico; e uma parte relativamente
grande do livro de Daniel (2.4 a 7.28), onde o aramaico é usado, provavelmente, por ser uma
seção inteira que trata das nações do mundo.

B - Anotações escritas

Agora, onde foram registradas as antigas Escrituras? Originalmente, o Antigo
Testamento parece ter sido escrito em papiros. Esse tipo de material era feito a partir de juncos
que cresciam nas margens do Rio Nilo. Os juncos eram cortados em tiras e dispostos, camada
sobre camada, em esquadro. Então, eram achatados, prensados e polidos para formar um tipo
primitivo de papel. Sabemos que o papiro foi usado no Egito há muito tempo, certamente nos
tempos de Moisés e, portanto, é muito provável que os primeiros documentos do Antigo
Testamento tenham sido escritos nesse tipo de material. Se não o foram, poderiam ter sido
escritos em peles de animais, que eram usadas desde aproximadamente 2.000 a.C.. As peles
eram preferidas porque duravam mais e não eram tão frágeis, conseqüentemente, preservaram
o texto mais perfeitamente.

C - Revelação

Sabemos que Deus é o maior dos seres. A Bíblia diz: “Porventura alcançarás os
caminhos de Deus ou chegarás à perfeição do Todo-Poderoso?” (Jó 11.7). E a resposta é,
naturalmente, não. Não podemos, com toda a nossa destreza conhecer o Deus infinito. Ele está
muito, muito além de nossa compreensão humana. Isso significa, então, que não há esperança
de nós O conhecermos? Felizmente, não. Embora não possamos – ainda que com intensa
investigação – conhecer Deus, Ele é capaz de fazer-Se conhecido para nós. Como fonte de toda
a verdade, Ele pode nos ensinar sobre Seu próprio Ser maravilhoso; por isso o salmista diz: “na
tua luz veremos a luz” (Salmo 36.9). Isso nos leva, muito naturalmente, à doutrina da
revelação.

Uma definição concisa, mas exata, da revelação vem da caneta do Dr. James
Bannerman. Ele escreveu: “A revelação, como ato divino, é a apresentação da verdade objetiva
ao homem de maneira sobrenatural por Deus. A revelação, como resultado de tal ato, é a
verdade objetiva então apresentada”1

Agora, há dois tipos de revelação. Primeiro, há a revelação geral. Parte dela é-nos
externa, vem do mundo que nos cerca. Nas obras da criação e da providência, Deus mostra-nos
parte de Suas divindade e perfeição: “Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do
mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem
pelas coisas que estão criadas...” (Romanos 1.20 Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis...; comparar com Salmo 19.1Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
; Atos 14.27 E, quando chegaram e reuniram a igreja, relataram quão grandes coisas Deus fizera por eles e como abrira aos gentios a porta da fé. ). Ao
olharmos as várias partes deste universo visível, somos compelidos a pensar, com temor
reverente, sobre o divino Arquiteto e Construtor. Além disso, parte da revelação geral vem de
dentro de nós. Feitos à imagem de Deus, temos uma percepção natural de Deus, imortalidade e
a diferença entre certo e errado. Somos, como diz Paulo, uma lei para nós mesmos porque “a
obra da lei” está escrita em nossos “corações”, “testificando juntamente a sua consciência”
(Romanos 2.14-15).

Tal revelação é chamada de geral não somente porque acontece de modo geral pelo
mundo, mas também porque lida somente com coisas gerais. Não fala sobre nada específico, tal
como reconciliação com Deus, perdão de pecados ou o caminho para o céu.

Entretanto, em Sua maravilhosa graça, Deus Se agrada de nos conceder uma revelação
especial. Esta também é externa e interna. A revelação especial externa vem através das
“teofanias” por meio das quais Deus verdadeiramente apareceu para os homens e também pelas
de “vozes”, quando Deus falou com eles: “E apareceu o Senhor a Abraão, e disse: À tua
descendência darei esta terra...” (Gênesis 12.7  E apareceu o SENHOR a Abrão e disse: À tua semente darei esta terra. E edificou ali um altar ao SENHOR, que lhe aparecera...; comparar com 3.8-19 Gên 3:8  E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e escondeu-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim.
Gên 3:9  E chamou o SENHOR Deus a Adão e disse-lhe: Onde estás?
Gên 3:10  E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me.
Gên 3:11  E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses?
Gên 3:12  Então, disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi.
Gên 3:13  E disse o SENHOR Deus à mulher: Por que fizeste isso? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi.
Gên 3:14  Então, o SENHOR Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isso, maldita serás mais que toda besta e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás e pó comerás todos os dias da tua vida.
Gên 3:15  E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.
Gên 3:16  E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor e a tua conceição; com dor terás filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.
Gên 3:17  E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida.
Gên 3:18  Espinhos e cardos também te produzirá; e comerás a erva do campo.
Gên 3:19  No suor do teu rosto, comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás. ). A revelação especial
interna veio por intermédio de visões, sonhos e pesos de homens escolhidos. Como Deus mesmo
disse: “...se entre vós houver profeta, eu, o Senhor, em visão a ele me farei conhecer, ou em
sonhos falarei com ele” (Números 12.6). “Pesos” foram graves mensagens colocadas sobre a
mente e o coração. Por isso, lemos: “Peso da palavra do Senhor contra Israel, por intermédio de
Malaquias” (Malaquias 1.1). A revelação especial vai de encontro às mais profundas
necessidades do coração dos homens. Ela responde à questão que é tão antiga quanto a alama
do homem – “como se justificaria o homem para com Deus?” (Jó 9.2). Através das revelações
geral e especial (que alcançaram seu climax, naturalmente, na Encarnação), Deus nos tem dado
graciosamente Sua divina auto-revelação e nos feito conhecer o caminho de Sua salvação.

D - Doutrina dupla

Há uma doutrina dupla que precisamos, agora, considerar: inspiração, que o Professor
Louis Gaussen definiu assim, certa vez: “aquele poder inexplicável que o Espírito Divino
estendeu dos tempos antigos sobre os escritores da santa Escritura, de maneira a guiá-los até
mesmo nas palavras que usaram, e preservá-las de todo o erro ou omissão”.2

A inspiração, portanto, é o processo pelo qual Deus manifesta uma influência
sobrenatural sobre certos homens, capacitando-os para registrar acurada e infalivelmente o que
quer que tenha sido revelado. “Homens santos de Deus”, lemos, “falaram inspirados pelo
Espírito Santo” (II Pedro 1.21). O resultado desse processo é a Palavra de Deus escrita, a
“escritura da verdade” (Daniel 10.21). A afirmação clássica do apóstolo vem imediatamente à
tona: “Toda e Escritura é divinamente inspirada” por Deus (II Timóteo 3.16).

Escritura inspirada é o livro de Deus da revelação. Como resultado da revelação e da
inspiração somos capazes de segurar a Bíblia em nossas mãos e saber que temos posse da
Palavra de Deus escrita.

E - Por escrito

A primeira ordem registrada de que se escrevesse é encontrada em Êxodo 17.14, onde
logo depois da guerra com os amalequitas, o Senhor disse a Moisés: “Escreve isto para memória
num livro...”. Outra vez, em Êxodo 24.4, lemos: “Moisés escreveu todas as palavras do Senhor”.
E, uma vez mais, em Êxodo 34.27, o Senhor lhe disse: “Escreve estas palavras...”. E podemos
continuar... Há muitas outras passagens mostrando que Moisés escreveu mais, muito mais que o
Pentateuco inteiro, i.e., os primeiros cinco livros da Bíblia (p.ex.: Deuteronômio 31.9 E Moisés escreveu esta Lei, e a deu aos sacerdotes, filhos de Levi, que levavam a arca do concerto do SENHOR, e a todos os anciãos de Israel., 24-26 Deu 31:24  E aconteceu que, acabando Moisés de escrever as palavras desta Lei num livro, até de todo as acabar,
Deu 31:25  deu ordem Moisés aos levitas que levavam a arca do concerto do SENHOR, dizendo:
Deu 31:26  Tomai este livro da Lei e ponde-o ao lado da arca do concerto do SENHOR, vosso Deus, para que ali esteja por testemunha contra ti...;
Números 33.1-2 Núm 33:1  Estas são as jornadas dos filhos de Israel, que saíram da terra do Egito, segundo os seus exércitos, pela mão de Moisés e Arão.
Núm 33:2  E escreveu Moisés as suas saídas, segundo as suas jornadas, conforme o mandado do SENHOR; e estas são as suas jornadas, segundo as suas saídas. ).

F - Os originais

Uma vez escritos, os originais inspirados, ou “manuscritos” (como são chamados), foram
cuidadosamente preservados. O rolo de Moisés, por exemplo, foi confiado aos sacerdotes, que o colocaram junto da arca sagrada. Lemos em Deuteronômio 31.25 e 26 que Moisés “deu ordem
aos levitas, que levavam a arca da aliança do Senhor, dizendo: Tomai este livro da lei [o livro
que ele havia escrito], e ponde-o ao lado da arca da aliança do Senhor vosso Deus, para que ali
esteja por testemunha contra ti” (comparar com Josué 1.8 Não se aparte da tua boca o livro desta Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; porque, então, farás prosperar o teu caminho e, então, prudentemente te conduzirás.
; I Reis 2.3 E guarda a observância do SENHOR, teu Deus, para andares nos seus caminhos e para guardares os seus estatutos, e os seus mandamentos, e os seus juízos, e os seus testemunhos, como está escrito na Lei de Moisés, para que prosperes em tudo quanto fizeres, para onde quer que te voltares... ; Neemias 8.1E chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da Porta das Águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da Lei de Moisés, que o SENHOR tinha ordenado a Israel. ).

Depois de Moisés veio Josué, o autor do livro que leva seu nome; e até o fim de sua
vida, de acordo com Josué 24.26, ele fez exatamente o que Moisés já havia feito. Tendo feito
acréscimos ao rolo de Moisés, ele o recolocou no santuário. “E Josué escreveu estas palavras no livro da lei de Deus; e tomou uma grande pedra, e a erigiu ali debaixo do carvalho que estava
junto ao santuário do Senhor”.

Não muito depois, houve outro acréscimo, desta vez por Samuel, que “declarou ao povo
o direito do reino, e escreveu-o num livro, e pô-lo perante o Senhor” (i.e., na presença de Deus,
no aposento mais santo e ao lado da arca da aliança; I Samuel 10.25  E declarou Samuel ao povo o direito do reino, e escreveu-o num livro, e pô-lo perante o SENHOR. Então, enviou Samuel a todo o povo, cada um para sua casa.).

G - O templo

Quando o tabernáculo se transformou em templo, parece que esses originais preciosos
foram transferidos para o prédio mais permanente. Há uma referência a eles em II Reis 22.8,
onde há um registro sobre Hilquias, o sumo-sacerdote: “Achei o livro da lei na casa do Senhor”.
Alguns estudiosos sugeriram que esse “livro da lei” era a cópia original de Moisés, escondida
pelos sacerdotes durante os reinados iníquos de Manassés e Amom e que somente nessa época
foram descobertos e trazidos à atenção do rei.3 Em II Crônicas 34.14, é chamado de “o livro da
lei do Senhor, dada pela mão de Moisés”. Uma tradução mais literal poderia ser “o livro da lei do
Senhor pela mão de Moisés”.

H - O significado da arca

O Dr. W. H. Green salienta que a guarda desses documentos num lugar santo estava “de
acordo com o costume das principais nações da Antigüidade”. Ele remete ao fato de que “os
romanos, gregos, fenícios, babilônios e egípcios tinham seus escritos sagrados, os quais eram
ciosamente preservados em seus templos, e confiados aos cuidados de oficiais especialmente
designados para esse propósito”.4

Havia, entretanto, razões mais importantes pelas quais os rolos deveriam permanecer
nesse lugar: a arca era conservada como relíquia no santuário divino; os escritos colocados a
seu lado eram, dessa maneira, associados peculiarmente com Deus. Ele é, sem sombra de
dúvida, o autor das Escrituras. O que Ele disse e o que as Escrituras dizem são a mesma coisa
(Romanos 9.17  Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para em ti mostrar o meu poder e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra.
; Gálatas 3.2 Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? ). Aqui, portanto, está a Palavra escrita de Deus, como um todo,
esses livros inspirados podem ser chamados de “os oráculos de Deus” (Romanos 3.2 Muita, em toda maneira, porque, primeiramente, as palavras de Deus lhe foram confiadas...; comparar
com Atos 7.38 Este é o que esteve entre a congregação no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai, e com nossos pais, o qual recebeu as palavras de vida para no-las dar. ).

Israelitas piedosos entenderam a arca como o trono de Deus (Êxodo 25.22  E ali virei a ti e falarei contigo de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins ( que estão sobre a arca do Testemunho ), tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel... ; Salmo
80.1 Ó pastor de Israel, dá ouvidos; tu, que guias a José como a um rebanho, que te assentas entre os querubins, resplandece. ). O fato de que esses escritos estivessem colocados ao lado da arca sugeria que eles eram
divinamente autorizados. A Escritura possui tremenda autoridade. Isso requer dos homens fé
invacilante em seus ensinamentos e obediência inabalável a seus preceitos. Toda alma humana
deve prostrar-se diante dela: “Porque ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e pôs uma lei
em Israel, a qual deu aos nossos pais para que a fizessem conhecer a seus filhos” (Salmo 78.5).

Além disso, uma vez que as Escrituras foram colocadas ao lado da arca, no coração do
tabernáculo ou do templo, eles foram separados de todos os livros comuns. Eles foram
manifestadamente declarados santos. Certamente a Palavra escrita de Deus é pura e sublime.
Ela é verdadeira, sem nenhuma mistura de erro: “As palavras do Senhor são palavras puras,
como prata refinada em fornalha de barro, purificada sete vezes” (Salmo 12.6). Os escritos
inspirados devem sempre ser honrados como as “sagradas escrituras” (II Timóteo 3.15).

A arca, naturalmente, tinha seu propiciatório sobre o qual o sangue sacrificial era
aspergido (Êxodo 25.21  E porás o propiciatório em cima da arca, depois que houveres posto na arca o Testemunho, que eu te darei.); e os livros eram colocados por perto, indicando, talvez, que eles explicavam a doutrina da expiação e demonstrando o único caminho para aproximar-se de Deus.
“... assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse
dentre os mortos, e em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados...”
(Lucas 24.46-47).

Um último pensamento: os rolos deveriam estar sob as asas do querubim (Êxodo 25.18-20 Êxo 25:18  Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório.
Êxo 25:19  Farás um querubim na extremidade de uma parte e o outro querubim na extremidade da outra parte; de uma só peça com o propiciatório fareis os querubins nas duas extremidades dele.
Êxo 25:20  Os querubins estenderão as suas asas por cima, cobrindo com as suas asas o propiciatório; as faces deles, uma defronte da outra; as faces dos querubins estarão voltadas para o propiciatório. ), uma indicação de sua essência divinamente salvaguardada e preservada. Embora geralmente negada hoje em dia, a doutrina da preservação da Escritura deve ser crida e
amplamente declarada. “O Antigo Testamento em hebraico... e o Novo Testamento em grego...
ambos imediatamente inspirados por Deus e por Seus singulares cuidado e providência em
mantê-los puros em todas as eras são, portanto, autênticos” (Confissão de Fé de Westminster,
Capítulo 1; Secção 8). Nosso próprio Senhor disse: “... até que o céu e a terra passem, nem um
jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido” (Mateus 5.18; comparar com
Salmo 119.152 Acerca dos teus testemunhos eu soube, desde a antiguidade, que tu os fundaste para sempre. ; Isaías 40.8  Seca-se a erva, e caem as flores, mas a palavra de nosso Deus subsiste eternamente. ).

I - Um único livro

Deus continuou a inspirar homens até que houvesse uma maravilhosa coleção de livros
(I Crônicas 29.29 Os atos, pois, do rei Davi, assim os primeiros como os últimos, eis que estão escritos nas crônicas de Samuel, o vidente, e nas crônicas do profeta Natã, e nas crônicas de Gade, o vidente,...; II Crônicas 9.29  Os demais atos, pois, de Salomão, tanto os primeiros como os últimos, porventura, não estão escritos no livro da história de Natã, o profeta, e na profecia de Aías, o silonita, e nas visões de Ido, o vidente, acerca de Jeroboão, filhos de Nebate?..., 12.15  Os atos, pois, de Roboão, tanto os primeiros como os últimos, porventura, não estão escritos nos livros da história de Semaías, o profeta, e de Ido, o vidente, conforme a relação das genealogias? E houve guerras entre Roboão e Jeroboão em todos os seus dias...; Isaías 30.8 Vai, pois, agora, escreve isto em uma tábua perante eles e aponta-o em um livro; para que fique escrito para o tempo vindouro, para sempre e perpetuamente.
; Jeremias 36.1, 2 Jer 36:1  Sucedeu, pois, no ano quarto de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, que veio esta palavra do SENHOR a Jeremias, dizendo:
Jer 36:2  Toma o rolo de um livro e escreve nele todas as palavras que te tenho falado sobre Israel, e sobre Judá, e sobre todas as nações, desde o dia em que eu te falei a ti, desde os dias de Josias até hoje.). Os mais antigos dos escritos de Moisés datam de, aproximadamente 1450 a.C, enquanto os escritos de Malaquias devem ter sido terminados por volta de 450 a.C. Portanto, por cerca de 1.000 anos Deus graciosamente comunicou-se com os homens e, pela influência sobrenatural de Seu Espírito, fez com seus comunicados fossem escritos, sem nenhum erro, tanto nos fatos como na doutrina.
Esses escritos foram maravilhosamente preservados. Somente nos resta observar aqui que,
desde o princípio, essa coleção foi tomada essencialmente como um único livro, chamado "o
livro do Senhor” (Isaías 34.16).

J - Cópias

A primeira menção feita a uma cópia refere-se aos Dez Mandamentos, escritos
originalmente nas tábuas de pedra, pelo próprio dedo de Deus. Aquelas primeiras tábuas foram
quebradas, então o Senhor ordenou a Moisés que cortasse novas tábuas e o Senhor escreveu
nelas as mesmas palavras. Foi quando Deus estabeleceu o preceito para a cópia: “conforme a
primeira escritura” (Deuteronômio 10.4). E temos bases sólidas para crer que este preceito foi
rigorosamente seguido. Quando a mensagem escrita de Jeremias foi destruída pelo Rei
Jeoiaquim, Deus ordenou ao profeta que fizesse uma outra cópia mas, ao fazê-lo, estipulou que
fosse uma cópia exata: “Toma ainda outro rolo, e escreve nele todas aquelas palavras que
estavam no primeiro rolo” (Jeremias 36.28). Portanto, Baruque (escriba de Jeremias)
reescreveu, de acordo com o ditado do profeta, todas as palavras que haviam sido escritas no
primeiro rolo (36.32 Jer 36:32  Tomou, pois, Jeremias outro rolo e o deu a Baruque, filho de Nerias, o escrivão, o qual escreveu nele, da boca de Jeremias, todas as palavras do livro que Jeoaquim, rei de Judá, tinha queimado; e ainda se acrescentaram a elas muitas palavras semelhantes...;  – o segundo rolo foi, assim, uma cópia exata do primeiro, embora nessa
ocasião Baruque tenha acrescentado algum material do ministério inspirado de Jeremias ). Dessa
maneira, foram feitas cópias não somente dos Dez Mandamentos, mas também de outras partes
das Escrituras. Uma cópia do livro de Deuteronômio, ou talvez até mesmo do Pentateuco inteiro,
devia estar nas mãos de todo rei de Israel: “...então escreverá para si num livro, um traslado
desta lei, do original que está diante dos sacerdotes levitas. E o terá consigo, e nele lerá todos
os dias da sua vida...” (Deuteronômio 17.18-19; comparar com II Crônicas 23.11 Então, tiraram para fora ao filho do rei, e lhe puseram a coroa, e deram-lhe o testemunho, e o fizeram rei; e Joiada e seus filhos o ungiram e disseram: Viva o rei!). Os originais,
naturalmente, eram de responsabilidade dos “sacerdotes levitas”, e quando se diz “escreverá
para si um livro”, provavelmente não significa que o próprio rei deveria fazê-lo, mas que deveria
designar alguém que o fizesse (comparar com I Samuel 1.3  Subia, pois, este homem da sua cidade de ano em ano a adorar e a sacrificar ao SENHOR dos Exércitos, em Siló; e estavam ali os sacerdotes em Siló; e estavam ali os sacerdotes do SENHOR, Hofni e Finéias, os dois filhos de Eli.
; 13.9 Então, disse Saul: Trazei-me aqui um holocausto e ofertas pacíficas. E ofereceu o holocausto.; I Reis 8.62  E o rei e todo o Israel com ele sacrificaram sacrifícios perante a face do SENHOR.
; João 19.19 E Pilatos escreveu também um título e pô-lo em cima da cruz; e nele estava escrito: JESUS NAZARENO, REI DOS JUDEUS..., onde
é ordenado a certos homens que o façam, mas, no caso, certamente foi feito por outros).

A fim de atuarem apropriadamente, os juízes provavelmente precisaram buscar as várias
leis de Moisés (II Crônicas 19.10), bem como os sacerdotes, especialmente aqueles de quem se
dizia “E ensinaram em Judá, levando consigo o livro da lei do Senhor” (v. 9). Não estamos
supondo que somente os oficiais possuíam cópias das Escrituras. Há evidência que sugere que
os crentes em geral tinham acesso aos livros bíblicos (Salmo 1.4 ; Salmo 119).

K - O trabalho dos escribas

Os originais, como já observamos, são chamados “autógrafos”. As cópias são conhecidas como
“apógrafas”. Está claro que tomou-se grande cuidado na cópia das Escrituras. Primeiramente
eram os sacerdotes os responsáveis por elas (Deuteronômio 17.18  Será também que, quando se assentar sobre o trono do seu reino, então, escreverá para si um traslado desta lei num livro, do que está diante dos sacerdotes levitas.); mais tarde, os escribas (do
hebraico, sopherim, de saphar, escrever) assumiram esse papel, como indica a linguagem de
Jeremias, o profeta: “Como, pois, dizeis... a lei do Senhor está conosco? Eis que em vão tem
trabalhado a falsa pena dos escribas” (Jeremias 8.8). Aqueles originariamente designados como
escribas tinham muitas e variadas responsabilidades. Entretanto, com o passar do tempo, a
tendência foi de concentrarem-se no trabalho de transcrição, assim, conseqüentemente, um
homem como Esdras foi chamado de “o escriba das palavras dos mandamentos do Senhor, e
dos seus estatutos sobre Israel” (Esdras 7.11).

É compreensível que a demanda por cópias das Escrituras tenha se tornado muito
grande. Os escribas, por conseguinte, organizaram-se em “famílias” ou “corporações”,
combinando seus esforços de maneira a assegurar os melhores resultados possíveis (I Crônicas
2.55). Sua habilidade nesse campo, juntamente com sua profunda reverência pela Escritura
sagrada signficavam a produção de cópias realmente excelentes. Na verdade, somente os rolos
procedentes dessa classe de escribas eram de confiança.

É digno de observar-se que, pelo propósito e pela providência de Deus, os judeus
tomaram mais cuidado com seus escritos sagrados do que qualquer outro povo do mundo
antigo.

Alcançou-se tal precisão que as cópias dos escribas puderam ser descritas como a
verdadeira Palavra de Deus e, portanto, com autoridade divina. Em I Reis 2.3, Davi ordena a
Salomão, seu filho: “E guarda a ordenança do Senhor teu Deus, para andares nos seus
caminhos, e para guardares os seus estatutos, e os seus mandamentos, e os seus juízos, e os
seus testemunhos, como está escrito na lei de Moisés”. Dessa maneira, o rei Salomão não
somente devia em mãos uma cópia, como mencionado em Deuteronômio 17.18-19, mas,
também, devia observar se essa cópia havia sido “escrita na lei de Moisés”. Tal cuidado
esmerado com relação à cópia garantia que o manuscrito resultante mantinha a autoridade do
original. Era a Palavra de Deus e podia ser tomado como tal.

L - A perda dos originais

Jerusalém caiu sob os babilônios em 586 a.C. A cidade foi terrivelmente danificada e o
grande templo, construído por Salomão, completamente destruído (II Crônicas 36.17-19 2Cr 36:17  Porque fez subir contra eles o rei dos caldeus, o qual matou os seus jovens à espada, na casa do seu santuário; e não teve piedade nem dos jovens, nem das moças, nem dos velhos, nem dos decrépitos; a todos os deu nas suas mãos.
2Cr 36:18  E todos os utensílios da Casa de Deus, grandes e pequenos, e os tesouros da Casa do SENHOR, e os tesouros do rei e dos seus príncipes, tudo levou para a Babilônia.
2Cr 36:19  E queimaram a Casa de Deus, e derribaram os muros de Jerusalém, e todos os seus palácios queimaram, destruindo também todos os seus preciosos objetos.).
Embora não mencionado na história, é quase certo que os escritos originais tenham perecido
juntamente com a cidade. Entretanto, nem tudo estava perdido. Muitas cópias haviam sido feitos no correr do tempo e algumas delas foram levadas ao cativeiro, razão porque encontramos
Daniel mencionando o que deveria ser uma cópia da Lei de Moisés e, também, fazendo alusão à
profecia de Jeremias, cuja cópia ele provavelmente tinha em mãos (9.2  no ano primeiro do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o número de anos, de que falou o SENHOR ao profeta Jeremias, em que haviam de acabar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos. ).

Em 537 a.C, os judeus começaram a voltar do cativeiro e sabemos que Esdras
reestabeleceu o culto em Jerusalém “conforme ao que está escrito no livro de Moisés” (Esdras
6.18). Isso sugere que eles ainda tinham cópias das Escrituras e que podiam consultá-las ao
organizarem o culto no segundo templo. De acordo com Neemias 8.1, o povo realmente pediu
que Esdras que trouxesse “o livro da lei de Moisés, que o Senhor tinha ordenado a Israel”. Não
era o original – mas somente uma cópia – que aqui é expressivamente descrito como “a lei de
Moisés”. Concluímos, a partir de tais Escrituras, que Deus, de maneira maravilhosa, preservou
Sua Palavra.

M - A grande sinagoga

A história do Antigo Testamento termina um tanto abruptamente com a volta do
cativeiro porém, de acordo com os últimos livros, parece que Esdras assumiu a presidência de
um corpo de homens sábios e instruídos (Neemias 8.4  E Esdras, o escriba, estava sobre um púlpito de madeira, que fizeram para aquele fim; e estavam em pé junto a ele, à sua mão direita, Matitias, e Sema, e Anaías, e Urias, e Hilquias, e Maaséias; e à sua mão esquerda, Pedaías, e Misael, e Malquias, e Hasum, e Hasbadana, e Zacarias, e Mesulão., 7 E Jesua, e Bani, e Serebias, e Jamim, e Acube, e Sabetai, e Hodias, e Maaséias, e Quelita, e Azarias, e Jozabade, e Hanã, e Pelaías, e os levitas ensinavam ao povo na Lei; e o povo estava no seu posto., 13 E, no dia seguinte, ajuntaram-se os cabeças dos pais de todo o povo, os sacerdotes e os levitas, a Esdras, o escriba, e isso para atentarem nas palavras da Lei.
; comparar com Esdras 7.6 Estes são os filhos da província, que subiram do cativeiro, os transportados, que transportara Nabucodonosor, rei de Babilônia; e voltaram para Jerusalém e para Judá, cada um para a sua cidade;..., 11 Os filhos de Paate-Moabe, dos filhos de Jesua e de Joabe, dois mil oitocentos e dezoito....,
22  Os filhos de Hasum, trezentos e vinte e oito. ). A tradição judaica nos informa que, depois da volta dos judeus, Esdras criou a Grande Sinagoga com o objetivo de reorganizar a vida religiosa da nação. Este conselho – que é o que era na realidade – consistia de 120 membros e chegou a incluir os profetas Ageu, Zacarias e Malaquias. Os “Homens da Grande Sinagoga” reuniram juntos todas as cópias da Santa Escritura que puderam encontrar e submeteram-nas a detalhados exames e comparações. Muitos dos erros menores, cometidos inadvertidamente, foram, assim, corrigidos. Tais erros consistiam de omissões de uma letra, uma palavra, ou mesmo uma linha. Não é surpresa que tais erros tenham se insinuado em alguns dos manuscritos se lembrarmos que há, ao menos, oito pares de letras hebraicos que são muito semelhantes, ao ponto de serem quase idênticas. Mesmo os escribas mais conceituados não estavam livres de cometerem pequenos erros. Eventualmente, entretanto, as cópias foram submetidas a correções e se alguma, particularmente, fosse encontrada defeituosa, era enterrado em um “genizah”, um lugar sagrado perto da sinagoga judaica. Como resultado do trabalho da Grande Sinagoga, parece que o Segundo Tempo foi provido de um texto muito semelhante ao posterior, o autêntico texto hebraico.5

No tempo em que o Senhor apareceu em cena, muitas cópias confiáveis estavam à
disposição. O Senhor Jesus constantemente apelava para as Sagradas Escrituras. Leu
diretamente delas nas sinagogas (Lucas 4.16   E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga e levantou-se para ler. ); citou-as em Seu ministério público (Mateus 9.35 E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do Reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo...; 21.16 e disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor?
, 42 Diz-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta por cabeça do ângulo; pelo Senhor foi feito isso e é maravilhoso aos nossos olhos? ); e exortou Seus ouvintes a lê-las por si próprios (João 5.39 Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam. ). Não há dúvida de
que Ele considerava as cópias existentes com a verdadeira Palavra de Deus. Embora tenha
corrigido as interpretações e os comentários dos fariseus, em nenhuma das vezes Ele levantou
dúvidas sobre a integridade do texto hebraico. Ele podia dizer: “Está escrito” (Mateus 4.4, 7, 10)
e, novamente, “a Escritura não pode ser anulada” (João 10.35). O mesmo se aplica,
naturalmente, aos apóstolos (Atos 1.16 Varões irmãos, convinha que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam a Jesus;
; 4.25 que disseste pela boca de Davi, teu servo: Por que bramaram as gentes, e os povos pensaram coisas vãs?
; 28.25  E, como ficaram entre si discordes, se despediram, dizendo Paulo esta palavra: Bem falou o Espírito Santo a nossos pais pelo profeta Isaías, ...; Hebreus 1.1Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho,
, 6 E, quando outra vez introduz no mundo o Primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.
, 7  E, quanto aos anjos, diz: O que de seus anjos faz ventos e de seus ministros, labareda de fogo...; etc.).

Poder-se-ia argumentar que isso comprova muito, à medida que a Septuaginta (LXX: a
tradução grega do Antigo Testamento, feita por judeus alexandrinos, cerca de 250 a.C) é
também constantemente citada no Novo Testamento sem que nenhuma dúvida tenha sido
levantada contra ela. Seguindo a mesma premissa, portanto, isso não poderia indicar o
endossamento da Septuaginta como um texto exato e inspirado? Não, há uma grande falha
nessa argumentação. O fato é que muitos dos lugares do Novo Testamento onde aparece a
versão da Septuaginta foram deliberadamente rejeitados (p.ex., Mateus 2.15, onde na
Septuaginta lê-se “de fora do Egito chamei seus filhos”; Romanos 10.15, onde na LXX lê-se
“Estou presente como uma época de beleza sobre as montanhas, como os pés daquele que
prega alegres correntes de paz, como aquele que prega as boas novas”. Ver, também, Romanos
11.4 Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para mim sete mil varões, que não dobraram os joelhos diante de Baal. ; I Pedro 4.8 Mas, sobretudo, tende ardente caridade uns para com os outros, porque a caridade cobrirá a multidão de pecados, ).

Quando algumas citações do Novo Testamento demonstram preferência pela tradução da
Septuaginta, a variação verificada nesses casos é muito pequena, e nunca com referência ao
sentido (p.ex., Mateus 15.8-9 – hebraico: “...o coração deles, eles o colocaram longe de mim, e
seu temor de mim tranformou-se num preceito de homens, uma coisa ensinada”; Atos 13.34 –
hebraico: “Eu lhes darei as fiéis misericórdias de Davi”, porém, o texto grego do Novo
Testamento realmente cita a Septuaginta neste trecho, bem como na margem da Versão
Autorizada, no Inglês: “[Eu lhes darei]... as coisas santas de Davi, as coisas fiéis”).

Além disso, o propósito por trás das citações da Versão Septuaginta é geralmente deixar
mais claro o pretendido significado do original (ver Romanos 10.18 Mas digo: Porventura, não ouviram? Sim, por certo, pois por toda a terra saiu a voz deles, e as suas palavras até aos confins do mundo. ..., onde a tradução “som” é preferível ao hebraico “linha “, uma expressão um tanto obscura, embora como “corda” de um
instrumento musical significa claramente a mesma coisa).

“Não encontramos”, comenta o Dr. Roger Nicole, “nenhum exemplo de dedução ou
aplicação logicamente inferida a partir da Septuaginta que não possa ser mantida com base no
texto hebraico”. Ele conclui: “O uso da LXX nas citações não indica que os escritores do Novo
Testamento tenham visto essa versão como inspirada em si mesma... Contudo a disposição
deles de fazer uso da LXX, apesar de suas falhas ocasionais, ensina a importante lição de que a
mensagem básica de Deus a ser entregue originalmente pode ser transmitida mesmo através de
uma tradução, e que se pode corroborar uma versão à medida que ela concorda com o
original”.6

Voltando ao nosso ponto anterior: o endosso dado por nosso Senhor e Seus apóstolos ao
texto hebraico do primeiro século mostra que o texto tem que ser ambos: exato e confiável.

N - Os famosos massoretas

Como temos visto, Deus levantou escribas, ou sopherim, para produzirem um texto
notavelmente puro. Coube a outros o trabalho de continuar a obra, tomando as devidas
precauções para a preservação do texto. Este grupo era o dos massoretas, um nome derivado
da palavra hebraica massorah, que significa “tradição”. Eles eram famílias de estudiosos e
críticos judeus que, eventualmente, abriram academias, uma em Tiberíades (na costa do Mar da
Galiléia) e outra na Babilônia (no leste). Não se sabe exatamente quando os massoretas
apareceram pela primeira vez. Alguns crêem que sua linhagem pode ser traçada até o primeiro
século d.C. Outros, estabelecem seus primórdios mais tarde, perto de 500 d.C. Qualquer que
seja a data correta, a realização dos massoretas é o que realmente importa.

Jerusalém foi destruída no ano 70 da nossa era. Conseqüentemente, os judeus foram
espalhados pelos vários países do Império romano. Os massoretas sabiam que esses judeus
dispersos e suas sucessivas gerações iriam precisar de cópias das Santas Escrituras, além disso,
criam que certas medidas deveriam ser tomadas para assegurar a preservação do texto hebraico
puro. Com isso em mente, coligiram informações vitais sobre o texto e estabeleceram regras
detalhadas para a cópia exata. Introduziram os pontos de vogal (o hebraico não tem vogais),
fixaram acentos (para assegurar a pronúncia correta), explicaram o significado de palavras
(onde existia ambigüidade), providenciaram leituras de margem (para eliminar incertezas), e
indicaram pausas planejadas (que geralmente alteram o significado). Foram tão meticulosos em
seus estudos que até contaram os versículos, as palvras e as letras do Velho Testamento,
observando, por exemplo, que Aleph ocorre 42.377 vezes; Beth, 38.218; Gimel, 29.537 e assim
por diante.

Os copistas tinham que seguir as severas regras do Talmude, que incluíam o seguinte:
somente podiam ser usadas peles de animais limpos; cada pele devia conter o mesmo número
de colunas; não podia haver menos que quarenta e oito nem mais que sessenta linhas; a tinta
preta devia ser preparada de acordo com uma receita específica; nenhuma palavra ou letra
devia ser escrita de memória; se somente uma letra fosse omitida, ou erroneamente inserida,
ou mesmo se uma letra tocasse outra, a folha devia ser destruída; três erros numa página
significavam que o manuscrito inteiro estava condenado; e a revisão da cópia devia acontecer
dentro de 30 dias, de outra maneira, seria rejeitada. Um manuscrito que sobrevivesses a esse
processo, dificilmente poderia ser outra coisa que não maravilhosamente exato.

O - O texto massorético

O objetivo dos massoretas era preservar o Antigo Testemento de qualquer tipo de
alteração e, em prol de assegurar tal propósito, eles estabeleceram uma série de observações
detalhadas (o massorah). Os judeus chamavam seu primeiro trabalho de “O Cercado da Lei”.
Como resultado de seus esforços, temos hoje em dia um texto padrão e tradicional.

O texto a partir do qual a Versão Almeida foi traduzido chama-se Texto Ben Chayyim
(por causa de Jacob ben Chayyim, sob cuja edição o primeiro foi impresso em 1524-5) e é
similar ao texto de Ben Asher (que viveu no primeiro século, em Tiberíades, na Palestina, e que,
juntamente com membros de sua família, organizou uma cuidadosa edição do Texto
Massorético). Este é um texto fidedigno e seguro.

Através da providência especial de Deus, podemos afirmar com confiança que o Texto
Massorético Hebraico é muito próximo do hebraico original.

P - O resumo do Antigo Testamento

Resumindo, então, quais foram os meios que Deus usou para assegurar a preservação
de Sua Palavra?

O primeiro foi a profunda reverência dos judeus pelas Santas Escrituras. Um judeu
literalmente tremia diante da Palavra escrita. De acordo com Philo e Josephus, eles preferiam
sofrer algum tormento, ou mesmo morrer, a mudar qualquer coisa nas Escrituras Sagradas.
Deus usou essa reverência pelo texto para evitar que ele fosse falsificado e corrompido.

Segundo, havia as ordenanças sagradas das Escrituras, tais como em Deuteronômio 4.2:
“Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela”. Essas ordenanças,
imbuídas de autoridade divina, instilavam genuíno temor no coração dos homens.

Terceiro, os rolos ficam no Santo dos Santos. Não havia lugar mais sagrado na terra,
colocando-os além do alcance de mãos perturbadoras.

Quarto, o total profissionalismo dos escribas e massoretas asseguraram e preservaram
um texto puro. Eles eram grandes estudiosos, experimentados na lei divina e reverenciados
como intérpretes das Sagradas Escrituras.

Quinto, havia a supervisão dos profetas. Durante o período do Antigo Testamento, os
profetas exerceram um ministério singular e eram bem capazes de supervisionar o trabalho de
cópia. Qualquer erro na transcrição seria rapidamente percebido por eles.

Sexto, os judeus repetiam constantemente suas Escrituras, como Deuteronômio 6.7
mostra claramente: “E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e
andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te”. Essas repetições criavam tal
familiaridade com o texto que mesmo que uma palavra fosse alterada, ela seria imediatamente
notada e, sem dúvida, seriam feitos protestos veementes.

Sétimo, Cristo e Seus apóstolos confirmararm as Escrituras como eles a receberam em
seu tempo. O texto padrão usado por eles é o mesmo que usamos hoje. A resoluta citação deles
como Palavra de Deus é um selo incontestável de autenticidade e confiança.

Essas e outras considerações levam-nos a crer que Deus tem preservado o texto do
Antigo Testamento de maneira maravilhosa. Quando o Antigo Testamento é lido, de acordo com
o texto massorético, podemos crer que estamos lendo e ouvindo a Palavra de Deus. É
interessante como se podem, não nós, aceitar traduções peculiares dos Rolos do Mar Morto, da
versão latina, ou de qualquer outra fonte.
Deus preservou Sua Palavra. Isto não deve ser entendido como se, através da história,
Deus tivesse realizado repetidos milagres, nem que Ele tenha “inspirado” vários rabinos e
escribas que trabalharam no texto. Reconhecemos que os autógrafos perderam-se há muito
tempo e que alguns erros podem ter ocorrido nas cópias de que agora dispomos.
Conseqüentemente, a crítica textual é necessária. A doutrina da “preservação divina” requer
definição cuidadosa. O que exatamente queremos dizer com ela? Aqui, citarei as palavras do
Professor John H. Skilton: “Deus, que nos deu as Escrituras, que opera todas as coisas segundo
a Sua vontade, tem tido um cuidado notável com Sua Palavra, preservando-a em todas as
épocas num estado de fundamental pureza, e a tem capacitado a atingir o propósito para o qual
foi dada.”7

O texto hebraico, então, foi originalmente dado por Moisés e pelos profetas; foi fielmente
copiado pelos escribas, padronizado por Esdras juntamente com os Homens da Grande
Sinagoga, endossado por nosso Senhor e por Seus apóstolos, e editado com cuidado meticuloso
pelos massoretas. A ortodoxia requer que corajosamente afirmemos nossa fé no Antigo
Testamento como traduzido do texto massorético hebraico.

II - O Novo Testamento


O Senhor Jesus imputou autoridade às Escrituras do Antigo Testamento (Mateus 5.18 Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido. ;
15.3 Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Por que transgredis vós também o mandamento de Deus pela vossa tradição?
; Marcos 12.36 Mas eu vos digo que de toda palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no Dia do Juízo. ; João 10.35 Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida ( e a Escritura não pode ser anulada ), ...). ele também prometeu que, após Sua volta ao céu, Ele
enviaria o Espírito de Deus para comunicar outras verdades a Seus servos escolhidos,
capacitando-os a guardá-las. Isto muniria a Igreja Cristã de um guia infalível. “Mas aquele
Consolador”, disse Ele, “o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará
todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (João 14.26; comparar com
16.12, 13).

No princípio, havia somente o ensino oral. Porém, logo ficou claro que a verdade cristã
precisava ser escrita. Primeiro, porque os apóstolos (as testemunhas de nosso Senhor nos dias
de Sua encarnação) começaram a viajar para terras distantes e logo morreram (II Timóteo 4.6 Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. ;
II Pedro 1.14 sabendo que brevemente hei de deixar este meu tabernáculo, como também nosso Senhor Jesus Cristo já mo tem revelado. ); depois, o número sempre crescente de novos convertidos e novas igrejas exigia
instrução regular, detalhada e abrangente (Lucas 1.3, 4 Luc 3:3  E percorreu toda a terra ao redor do Jordão, pregando o batismo de arrependimento, para o perdão dos pecados,
Luc 3:4  segundo o que está escrito no livro das palavras do profeta Isaías, que diz: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai as suas veredas.
; Atos 1.1 Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar, ); mais ainda, escritos espúrios
e heréticos, igualmente em circulação, estavam causando sérias confusões doutrinárias (II Tessalonicenses 2.1, 2 2Ts 2:1  Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele,
2Ts 2:2  que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o Dia de Cristo estivesse já perto.
; 3.17 Saudação da minha própria mão, de mim, Paulo, que é o sinal em todas as epístolas; assim escrevo. ).

O Espírito Santo, antecipando tudo isso, exerceu Sua influência sobrenatural sobre
certos homens escolhidos, fazendo-os escrever o que era infalível e exato. Deste modo, no final
de seu Evangelho, João descreve-se a si mesmo como “este é o discípulo que testifica destas
coisas, e as escreveu”; e acrescenta “e sabemos que seu testemunho é verdadeiro” (João 21.24, 25  Joã 21:24  Este é o discípulo que testifica dessas coisas e as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro.
Joã 21:25  Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e, se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem. Amém! ...; comparar com I Coríntios 14.37 Se alguém cuida ser profeta ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor.
...; Gálatas 1.20 Ora, acerca do que vos escrevo, eis que diante de Deus testifico que não minto....; Filipenses 3.1 Resta, irmãos meus, que vos regozijeis no Senhor. Não me aborreço de escrever-vos as mesmas coisas, e é segurança para vós. ; I João 1.4 Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra. ...etc.).

A - A verdade cristã escrita

Assim começaram as Escrituras do Novo Testamento. Primeiramente, foram escritas em
grego, que era a língua comum do Império Romano na época em que o cristianismo começou.
Os escritos eram feitos em material especialmente preparado: “papiros” (um material
semelhante ao papel, feito a partir do cerne da planta papiro) e, mais tarde, “pergaminhos”
(pele animal, chamada de “velino”, quando de qualidade particularmente fina). Na forma, os
documentos eram feitos em rolos (quando papiros) ou livros (quando pergaminhos ou velinos).
Um nome técnico para os últimos é codices (a forma singular é codex). Como canetas,
utilizavam bambus afiados (feitos de tiras ou hastes) ou penas de pássaros e, a tinta,
certamente era preta, a base de carbono (preparada com fuligem misturada com cola). Mais
tarde, cerca do século V, uma tinta metálica vermelha (preparada a partir de galhas) foi
utilizada, porém, ao que parece, somente para enfatizar.

Há, naturalmente, referências no Novo Testamento aos “escritos”, ao “papel (pairo) e
tinta” e, também, aos “livros” e “pergaminhos” (i.e., pergaminhos de peles preparadas). Ver: II Timóteo 4.13 Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos. ; II Coríntios 3.3 porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós e escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração. ; II João 12   Tendo muito que escrever-vos, não quis fazê-lo com papel e tinta; mas espero ir ter convosco e falar de boca a boca, para que o nosso gozo seja cumprido. ; e III João 13 Tinha muito que escrever, mas não quero escrever-te com tinta e pena. ... Uma questão interessante se levanta agora: O que aconteceu a esses originais?

B - Os originais divinos

Imediatamente reconhecidos pelos primeiros cristãos como autoridade divina (I Coríntios 14.37 Se alguém cuida ser profeta ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor. ), esses textos foram lidos primeiro por aqueles a quem foram enviados, indivíduos ou igrejas, e, então, circularam de forma que tantos quanto possível fossem beneficiados pelos ensinamentos dos apóstolos (I Tessalonicenses 5.27 Pelo Senhor vos conjuro que esta epístola seja lida a todos os santos irmãos. ; Apocalipse 1.3 Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo. ; Colossenses 4.16 E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses; e a que veio de Laodicéia, lede-a vós também. ; II Pedro 3.15, 16  2Pe 3:15  e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada,
2Pe 3:16  falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição.). Infelizmente, esses originais (ou “autógrafos”) não sobreviveram muito tempo, em
parte porque eram frágeis e o uso constante fizeram-nos desintegrarem-se; e em parte porque
foram expostos tanto aos riscos de acidente como aos da perseguição.

Há, possivelmente, uma referência aos originais num tratado de cerca de 200 d.C.
Tertuliano, um dos Pais da Igreja, escreveu uma obra intitulada “Prescrição contra os heréticos”*
e, no capítulo 36, disse: “Vocês, que deveriam ter grande prazer em um maior conhecimento,...
deveriam examinar as igrejas apostólicas... nas quais seus próprios escritos autênticos são
lidos... a Acaia está muito perto de vocês, (na qual) vocês encontram Corinto. E, uma vez que
não estão longe da Macedônia, têm Filipos; (e, também) têm os tessalonicenses. Desde que
possam atravessar a Ásia, chegam a Éfeso. Além do mais, estão bem perto da Itália, têm Roma,
de onde vem a nossas mãos a verdadeira autoridade (a dos próprios apóstolos)”8

*

Conhecida como De Praescriptione ou Prescrição de Tertuliano contra os heréticos (nota do tradutor).

Embora alguns estudiosos neguem, outros afirmam que a referência aqui é aos originais
gregos. Tertuliano, como se diz, está recomendando com insistência a seus leitores que visitem
aqueles lugares onde os originais foram guardados e, assim, verem por si próprios os escritos
divinos e sagrados do Novo Testamento.9

C - Cópias exatas

Provavelmente os manuscritos dos próprios apóstolos não duraram mais do que até 200
d.C. Mesmo com a ordem de nosso Senhor para que as Escrituras cristãs fossem preservadas.
“O céu e a terra passarão”, Ele disse, “mas as minhas palavras não hão de passar” (Mateus 24.35; comparar com 28.20  ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém! ; Marcos 8.38  Porquanto qualquer que, entre esta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos anjos. ; I Pedro 1.23-25  1Pe 1:23  sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre.
1Pe 1:24  Porque toda carne é como erva, e toda a glória do homem, como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor;
1Pe 1:25  mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada. ). A preservação delas estava
assegurada, naturalmente, por cópias conscienciosas e fiéis.
Mesmo nos tempos apostólicos, as cópias dos livros do Novo Testamento eram
propriedade tanto de indivíduos como de igrejas. Pedro, sem dúvida alguma, conhecia a epístola
de Paulo aos cristãos que viviam na Ásia Menor (gálatas, efésios ou colossenses) e, na verdade,
ele indica claramente que conhecia bem “todas as espístolas [de Paulo]” (II Pedro 3.15-16  2Pe 3:15  e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada,
2Pe 3:16  falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição. ). Foi
dito à igreja em Colossos que a carta de Paulo a esses irmãos não devia ser tomada como
propriedade particular, mas que – certamente uma cópia – devia ser “lida também na igreja dos
laodicenses”. Também foi dito aos colossenses “e a que veio de Laodicéia,” – novamente,
provavelmente uma cópia – “lede-a vós também” (provavelmente Efésios; Colossenses 4.16).
Em pouco tempo havia coleções desses livros. As igrejas cristãs precisavam de conjuntos
completos desses livros para lê-los no culto público.

Esse fato é confirmado indiretamente pelos escritos dos Pais Apostólicos do segundo
século. Em nome da brevidade, só será feita referência a um deles: Policarpo, um discípulo do
apóstolo João. Escrevendo aos filipenses, ele cita extensivamente trechos dos evangelhos e das
epístolas e, então, expressa sua confiança que os próprios filipenses estão “bem versados nas
Escrituras sagradas”.10 Nesse tempo, certamente haviam sido feitas cópias e há indícios de que
elas tinham ampla circulação.

As primeiras cópias devem ter sido feitas pelos próprios apóstolos. Paulo, em sua prisão
romana, pediu que lhe trouxessem “livros, principalmente os pergaminhos” (II Timóteo 4.13). J.
P. Liley sugere que “os ‘pergaminhos’ podiam ser cópias ou porções das Escrituras ou mesmo de
suas próprias cartas às Igrejas”.11 Também se supõe – e com muita probabilidade – que João fez
sete cópias de seu “Apocalipse” e mandou uma para cada uma das sete igrejas da Ásia Menor
(Apocalipse 1.4-6  Apo 1:4  João, às sete igrejas que estão na Ásia: Graça e paz seja convosco da parte daquele que é, e que era, e que há de vir, e da dos sete Espíritos que estão diante do seu trono;
Apo 1:5  e da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dos mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos ama, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados,
Apo 1:6  e nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai, a ele, glória e poder para todo o sempre. Amém!; 2.1  Escreve ao anjo da igreja que está em Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro: , 8  E ao anjo da igreja que está em Esmirna escreve: Isto diz o Primeiro e o Último, que foi morto e reviveu: , 18  E ao anjo da igreja de Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao latão reluzente: ... etc).12
Se os próprios apóstolos não eram sempre os responsáveis pela cópia, então é provável
que esse trabalho fosse executado por seus secretários. Sabemos com certeza que estes eram
contratados às vezes para escrever livros ou cartas (Romanos 16.22    Eu, Tércio, que esta carta escrevi, vos saúdo no Senhor. ; I Pedro 5.12 Por Silvano, vosso fiel irmão, como cuido, escrevi abreviadamente, exortando e testificando que esta é a verdadeira graça de Deus, na qual estais Firmes.). Por que não poderiam ser secundados para o trabalho de cópia?

“Escribas”, originalmente equivalente a “secretários” (Esdras 4.8  Escreveram, pois, Reum, o chanceler, e Sinsai, o escrivão, uma carta contra Jerusalém, ao rei Artaxerxes, nesta maneira.; Ester 3.12   Então, chamaram os escrivães do rei no primeiro mês, no dia treze do mesmo, e conforme tudo quanto Hamã mandou se escreveu aos príncipes do rei, e aos governadores que havia sobre cada província, e aos principais de cada povo; a cada província segundo a sua escritura e a cada povo segundo a sua língua; em nome do rei Assuero se escreveu, e com o anel do rei se selou. ; Jeremias 8.8  Como, pois, dizeis: Nós somos sábios, e a lei do SENHOR está conosco? Eis que em vão tem trabalhado a falsa pena dos escribas.), haviam sido prometidos à Igreja Cristã. “Portanto”, disse nosso Senhor, “eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas...” (Mateus 23.34; compare com 13.52 E ele disse-lhes: Por isso, todo escriba instruído acerca do Reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas. ). Podemos supor que houvesse alguns deles entre os assistentes de Paulo. Na verdade, o apóstolo faz referência a “Zenas, doutor da lei, e Apolo” (Tito 3.13). Os copistas transcreviam esses papéis com escrupuloso cuidado. Como podemos ter certeza disso? Primeiramente, esses livros do Novo
Testamento estavam investidos da mesma santidade das Escrituras do Antigo Testamento (I Timóteo 5.18 Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário. ..., que cita Lucas 10.7  E ficai na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois digno é o obreiro de seu salário. Não andeis de casa em casa... , juntamente com Deuteronômio 25.4  Não atarás a boca ao boi, quando trilhar. ..., como “escritura”; e II Pedro 3.16   falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição. ..., que coloca as epístolas de Paulo na mesma categoria das “outras escrituras”). Em segundo lugar, quase todos os antigos copistas eram escribas judeus contratados ou convertidos, cuja reverência à Palavra escrita de Deus os obrigava a observar uma exatidão
perfeita na transcrição (Jeremias 36.28  Toma ainda outro rolo e escreve nele todas as palavras que estavam no primeiro volume, o qual Jeoaquim, rei de Judá, queimou. ...; compare com Deuteronômio 10.4  Então, escreveu o SENHOR nas tábuas, conforme a primeira escritura, os dez mandamentos, que o SENHOR vos falara no dia da congregação, no monte, do meio do fogo; e o SENHOR mas deu a mim. ). Terceiro, os escritos, por si próprios, reinvidicando serem a inspirada e autoritária Palavra de Deus, estabeleciam as mais severas proibições contra qualquer tipo de adulteração do texto sagrado (I Coríntios 2.13  As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais.
; II Coríntios 2.17  Porque nós não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus; antes, falamos de Cristo com sinceridade, como de Deus na presença de Deus. ; Apocalipse 22.18  Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro;
, 19  e, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa, que estão escritas neste livro.). Quarto, sabendo que os apóstolos ainda
eram vivos e ativos, os antigos copistas teriam todo o cuidado de produzir manuscritos de
primeira qualidade. Quinto, e último, se primeiramente a incumbência de fazer as cópias era dada aos colaboradores dos apóstolos, que eram conhecidos como “evangelistas” (e, de acordo com Eusébio, era deles a responsabilidade de “dar [aos novos convertidos] o livro dos divinos
evangelhos”),13 deve-se lembrar que esses homens recebiam os dons miraculosos do Espírito Santo e estavam, portanto, peculiarmente equipados para preservarem o texto inspirado (II Timóteo 1.6  Por este motivo, te lembro que despertes o dom de Deus, que existe em ti pela imposição das minhas mãos. , 4.5  Mas tu sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério. ).

Além disso, há um fator divino que não pode ser esquecido. Em Sua soberana e graciosa
providência, Deus evidentemente certificou-Se de que o autêntico texto do Novo Testamento
fosse transmitido às futuras gerações.

D - Variações Textuais

Não obstante tudo isso, apareceram erros em algumas cópias e, enquanto mais cópias
eram feitas, começaram a aparecer uma quantidade de versões diferentes. Essas variações são
normalmente classificadas como (1) alterações não-premeditadas, e (2) alterações
premeditadas. As do tipo não-premeditado incluem palavras com erros de ortografia, confusão
de letras, mudanças na ordem das palavras, o uso de sinônimos ou equivalentes verbais, e a
omissão ou repetição de letras, palavras, linhas e mesmo seções. A grande maioria dessas
variações deve-se a deslizes desse tipo por parte dos escribas.

Há, entretanto, alterações premeditadas, com o que queremos dizer adulterações
deliberadas do texto sagrado, geralmente no interesse de teologias ou doutrinas particulares.
Dionísio, um ministro em Corinto, numa carta datada de cerca de 168-170 d.C., lamenta o fato
de que suas próprias cartas terem sido alteradas, e acrescenta: “Não é surpreendente, portanto,
se alguns deles tenham se disposto a adulterar as Escrituras Dominicais”.14 Um autor
desconhecido (que alguns pensam ser Hipólito e outros, Gaio) escreveu, cerca de 230 d.C.: “Eles
(os hereges), com audácia, deitam as mãos sobre as Escrituras divinas, dizendo que as estão
corrigindo”.15 Quem eram os hereges para ousarem tal coisa?

Alguns são praticamente desconheidos, como Asclepíades, Teodoto, Hermófilo e
Apolonide, outros, todavia, são bem conhecidos como, por exemplo, alguns dos antigos
gnósticos (que ensinavam a salvação através do conhecimento secreto): Basilide, Valentino e,
naturalmente, Márcion, que aceitava como canon somente suas edições mutiladas do evangelho
de Lucas e dez das epístolas paulinas. “Márcion, expresiva e abertamente, usou a faca, não a
pena, uma vez que fez tal excisão das Escrituras, a fim de acomodá-las a seu próprio objetivo”.16

E - Reproduzindo o autêntico texto do Novo Testamento

Os professores ortodoxos foram profundamente conscientes dessas alterações
pecaminosas, expondo-as tanto em seus ensinos como em seus excritos. Como resultado,
manuscritos considerados defeituosos não foram comumente usados para propósitos de cópia.
Somente aqueles fielmente preservados dos originais forma os documentos-modelo dos quais
foram feitas múltiplas cópias.

Temos, entretanto, qualquer evidência que nos dê certeza de que isso realmente
aconteceu? Os antigos líderes cristãos certamente rogaram por capacidade para avaliar os vários
manuscritos e decidiram que eram os melhores e mais exatos. Por exemplo, Irineu, em sua
grande obra “Contra as heresias”, refere-se às “cópias mais antigas e aprovadas”.17 Os
critérios usados para determinar a fidelidade de um texto deveriam ser como se segue:

(1) A identidade do copista. Se fosse um cristão comum, sua cópia provavelmente conteria um
certo número de erros. Se, por outro lado, fosse conhecido como um assistente apostólico
ou escriba profissional, um alto grau de exatidão seria esperado.

(2) A natureza do manuscrito a partir do qual a cópia era feita. Nos tempos antigos, isso podia
significar o original inspirado, porém, mais tarde, certamente já seria uma cópia. Agora,
muitas cópias eram o que chamamos de cópias “pessoais”, ou seja, cópias designadas para
o uso pessoa e devocional. Algumas, entretanto, eram cópias “oficiais”, das quais os
ministros cristãos liam e pregavam nos cultos públicos. As últimas geralmente seriam de
maior confiança que as primeiras. Da mesma maneira, as cópias feitas a partir das últimas
seriam mais confiáveis.

(3) O número de cópias que já haviam sido feitas. Uma cópia do original ou uma das cópias
mais antigas do original teriam mais probabilidade de gerar um texto sem defeito que uma
cópia com uma longa e complicada linha de descendência. Por esta razão, a cópia mais velha
não era sempre reconhecida como a melhor, pois poderia ter sido feita a partir de outra do
mesmo período, enquanto que uma cópia posterior poderia tê-lo sido de uma mais antiga,
mais próxima do original.

(4) O lugar onde a cópia foi encontrada. As próprias igrejas tornaram-se as guardadoras da pura
Palavra de Deus (como era o caso antigamente com as sinagogas locais); se o documento
copiado tivesse sido preservado numa igreja, poder-se-ia reconhecê-lo como verdadeiro e
apropriadamente copiado.

(5) A qualidade geral da cópia. Algumas cópias eram manifestadamente falsas. Eram mal
escritas e cheias de erros do tipo mais evidente. Quem quer que as produzisse era ou
ignorante ou descuidado – ou, naturalmente, ambos. Essas cópias não seriam tomadas ou
usadas como verdadeiras testemunhas do autêntico texto do Novo Testamento. As cópias
cuidadosamente escritas, entretanto, inspirariam confiança e, como resultado, transcritas
com grande esmero.

(6) A concordância com outras cópias existentes. Seria um erro assumir que um escriba tivesse
somente um texto diante de si. Nos primeiros dois séculos houve uma rápida multiplicação
de cópias, portanto era possível, por cópias comparativas, perceber versões errôneas e, ao
mesmo tempo, determinar o que os escritores inspirados realmente escreveram. Os
primeiros cristãos estavam numa posição melhor que a nossa. Afinal, eles tinham tido
acesso aos manuscritos que, depois, se perderam.

(7) A estreita proximidade com um centro cristão bem conhecido. Uma cópia feita a certa
distância de onde os apóstolos e seus sucessores imediatos haviam ministrado regularmente
teria mais chances de ter sofrido algumas sérias mudanças ou alterações; porém, uma cópia
feita na área da igreja primitiva teria mais probabilidade de ser a representante de uma pura
tradição textual.

Os professores ortodoxos dos primeiro e segundo séculos podem nem sempre ter tido
acesso aos melhores manuscritos, mas parece que sabiam como identificar “as antigas cópias
aprovadas”. Foram feitos todos os esforços para utilizar seu texto fundamental, com o resultado
de que a esmagadora maioria dos antigos manuscritos gregos estavam em fundamental
concordância. Podemos, portanto, crer que o texto da maioria representada o Original que
impressiva exatidão.

F - Os manuscritos gregos remanescentes

De acordo com uma lista recente, há um total de 5.488 manuscritos do Novo
Testamento inteiro ou de partes dele.18 Eles são geralmente classificados nas seguintes
categorias:

(1) Papiros. De acordo com as estatísticas de 1989, há, catalogados, 96 exemplares desse tipo.
Quase todos são fragmentos, embora, originalmente, deviam ter a forma de codex ou de livro.
Foram encontrados, principalmente, no Egito, onde o clima e a areia ajudaram a preservá-los.
Quando se referem a esses fragmentos, os estudiosos usam a letra “P” seguida por um número
de série: P1, P2, P2 etc..
O P52 (chamado fragmento Rylands) é reconhecidamente o mais antigo. Mede somente
6,5 cm por 9 cm e contém alguns versículos do Evangelho de João (18.31-33  Joã 18:31  Disse-lhes, pois, Pilatos: Levai-o vós e julgai-o segundo a vossa lei. Disseram-lhe, então, os judeus: A nós não nos é lícito matar pessoa alguma.
Joã 18:32  ( Para que se cumprisse a palavra que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer. )
Joã 18:33  Tornou, pois, a entrar Pilatos na audiência, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o rei dos judeus?
, 37-38  Joã 18:37  Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz.
Joã 18:38  Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade? E, dizendo isso, voltou até os judeus e disse-lhes: Não acho nele crime algum. ). Data.
Aproximadamente, de 125 d.C..

Entre os mais importantes papiros encontram-se os P45, P46 e P47. Conhecidos como os
papiros bíblicos de Chester Beatty (depois de terem sido adquiridos por Sir Chester Beatty, em
1930-1), contêm porções dos Evangelhos, das Epístolas paulinas e do livro de Apocalipse. Outra
coleção importante é a da Biblioteca Bodmer (adquirida por M. Martin Bodmer nos idos de
1956). Essa coleção inclui o P66 (que são páginas e fragmentos de um codex do Evangelho de
João, escrito por volta de 200 d.C.) e o P72 (uma cópia do terceiro século – e, portanto,
possivelmente a mais antiga que temos – das Epístolas de Pedro e Judas).

(2) Unciais. Há 299 unciais conhecidos. Originais do início do quarto século, eram escritos em
pergaminho ou em velino, na forma de codex ou de livro. Todos utilizavam a escrita uncial, ou
seja, eram escritos em letras maiúsculas, sem pontuação. Os mais antigos são nomeados
atualmente por letras maiúsculas combinadas com números de série iniciados com zero (p.ex.:
A-02). Os mais recentes têm somente os números (p.ex.: 046).
Entre os que estão no Museu Britânico, encontra-se o Codex Alexandrino, A-02. Esse
uncial foi copiado no Egito, na primeira metade do século quinto e, quando completo, continha a
Bíblia grega inteira juntamente com uma ou duas obras apócrifas. Hoje em dia contém
praticamente o Antigo Testamento inteiro e a maior parte do Novo (há a omissão de Mateus 1.12 - 5.6;
de João 6.50-8.52; de II Coríntios 4.13-12.7). O patriarca de Alexandria presenteou Carlos
I, em 1627, com esse manuscrito.

Outro manuscrito que data do século V é o Codex Beza, D-05. Em 1581, Theodore Beza,
sucessor de João Calvino, ofertou esse manuscrito à Universidade de Cambridge, onde ele
permanece até hoje. Esse codex tem ambos os textos, grego e latino (as páginas da esquerda
para o primeiro e, as da direita, para o segundo), e contém a maior parte dos Evangelhos e do
livro de Atos, bem como alguns versos de III João.

Os mais famosos dos unciais são o Codex Sinaitico, Aleph-01 (Aleph é a primeira letra do
alfabeto hebraico) e o Codex Vaticano, B-03.

O Codex Sinaitico, datado de meados – ou mesmo do fim – do século IV, contém uma
parte somente do Antigo Testamento e o Novo Testamento grego inteiro. É o único manuscrito
uncial completo do Novo Testamento ainda existente. Esse codex egípcio foi escrito em velino,
em páginas com quatro colunas de quarenta e oito linhas cada, porém, há claras indicações de
que o texto, propriamente dito, teve várias correções. No ano de 1844, Constantine Tischendorf
descobriu algumas de suas folhas numa cesta de lixo na biblioteca do monastério de Santa
Catarina, no Monte Sinai. Entretanto, Tischendorf precisou esperar até 1859 para conseguir o
Novo Testamento inteiro. Após conseguir permissão, transferiu o codex para o Cairo, onde fez
uma cópia. Em 1862, através da generosidade de Alexander II, Imperador da Rússia,
Tischendorf publicou uma edição do manuscrito com Introdução e Notas Críticas.

O codex Vaticano pode também ser datado da metade do século quarto e, da mesma
maneira que o Aleph, foi escrito em velino de qualidade, mas com três colunas em cada página,
cada uma com quarenta e duas linhas. Outrora uma bíblia grega completa, foram perdidas, há
muito tempo, porções do Antigo Testamento e grandes seções do Novo Testamento. Estão
faltando, nesse uncial, as epístolas pastorais, Filemom, a conclusão de Hebreus (9.14 até o fim)
e o livro inteiro de Apocalipse. Muitos revisores trabalharam nesse manuscrito e, no século X,
alguém copiou grande parte do original, temendo, ao que parece, que suas letras pudessem
desaparecer. Peculiaridades na soletração sugerem um original alexandrino, mas ninguém sabe
como ele entrou na biblioteca do Vatiano, em Roma. A biblioteca foi fundada em 1448, pelo Papa
Nicolau V e esse manuscrito está listado no catálogo mais antigo, emitido em 1475. Samuel
Tregelles tentou consultá-lo em 1845, mas foi impedido pelos seus curadores clericais. Em 1866,
Tieschendorf recebeu permissão de estudá-lo por quarenta e duas horas e, a partir de seus
estudos e notas, uma edição desse manuscrito – o Codex B – foi produzida em 1867. A esta
edição seguiu-se uma outra, publicada pelas autoridades papais e preparada por Vercellone e
Cozza, em 1868. Finalmente, em 1889-90, um fac-símile fotográfico foi colocado à disposição
dos estudiosos.

(3) Minúsculos. Há 2.812 exemplares desse tipo. São chamados minúsculos porque não são
escritos com letras maiúsculas, mas com letras pequenas (chamadas minúsculas ou cursivas).
Esse estilo de escrita foi usado durante séculos em documentos particulares, porém somente a
partir do nono século, começou a ser utilizado com propósitos literários. Com o crescente
aumento da procura por livros do Novo Testamento, esse tipo de escrita tem as vantagens de
exigir menos tempo para sua execução e de ocupar menos espaço no pergaminho. Com o
objetivo de identificação, são designados por números ordinários (1, 2, 3 e assim por diante).
Os minúsculos, portanto, foram escritos a partir do século IX; porém, sua data recente
não significa, necessariamente, que eles sejam menos fiéis aos originais. Os manuscritos do
século nono foram copiados de outros manuscritos, datados do terceiro século. Como o Prof.
Warfield observou, certa vez: “Não é meramente o número de anos que está por trás de um manuscrito que mede sua distância dos autógrafos, mas o número de cópias”.19

Esses minúsculos incluem: MS 1: um codex do século XII, contendo o Novo Testamento
inteiro, com exceção do livro de Apocalipse; MS 4: uma cópia dos quatro evangelhos, datada do
século XII; MS 21: datada do século X, também contém os evangelhos; MS 43: um trabalho do
século XI, em dois volumes, o primeiro contendo os evangelhos e, o segundo, o livro de Atos e
as epístolas; MS 330: do século XI, contendo os evangelhos, Atos e as epístolas; MS 565: uma
cópia muito delicada dos evangelhos, datada do século nono, escrita em letras douradas sobre
velino púrpura.

(4) Lecionários. Totalizando 2.281, esses textos datam já do sexto século, contendo os
evangelhos e as epístolas (Evangeliaria e Apostoli) escolhidos para serem lidos nas igrejas
cristãs primitivas. A maioria deles usa letras unciais, porém alguns são minúsculos. Uma vez
mais, a designação utilizada é de números, porém, neste caso, antecedidos por um “l” ou da
abreviação “Lect” (por exemplo: l59 ou Lect.1280).
Esses manuscritos são importantes não somente por que alguns são bem antigos, mas,
também, porque foram usados na leitura em cultos públicos da Igreja. Foi tomado o maior
cuidado com essas cópias da igreja, a fim de preservar sua pureza original; e o testemunho de
um lecionário era, na verdade, o testemunho de todas as igrejas. Os lecionários remanescentes
que foram examinados concordam em escala surpreendente. A única explicação razoável,
certamente, é que havia um texto lecionário reconhecido.

G - Classificação

Um grande número de manuscritos gregos está, portanto, à nossa disposição, escritos
desde o segundo século. Os estudiosos que têm se dedicado a eles afirmam que, embora haja
variações, certos manuscritos têm muitas versões em comum, sugerindo que havia grupos ou
famílias. Os mais importantes texto-tipos são os seguintes: (i) o Bizantino (algumas vezes
chamado de Texto Tradicional, Texto Maior ou Texto de Antioquia); (ii) o Alexandrino (ou o que
alguns denominaram Texto Neutro); (iii) o Ocidental; e (iv) o de Cesaréia.

Para os propósitos deste artigo, os dois últimos tipos não requerem comentários
detalhados. Foi B. H. Streeter, em seu livro The Four Gospels (1924), quem primeiro alegou ter
encontrado o texto de Cesaréia. Ele acreditava que esse era o texto do evangelho de Marcos que
Orígenes citou depois de 231 d.C., ano em que veio para Cesaréia. Os críticos literários da
atualidade, entretanto, discordam quanto a se considerar esse texto como um texto-tipo
distinto. Preferem considerá-lo como uma simples composição.

Quanto ao texto Ocidental, identificado por B. F. Westcott e F. J. A. Hort e considerado
originário da Europa ocidental, havia somente evidência de sua existência. É representado pelo
Codex Beza (século V), pelo Codex Claromontano (século VI) e por traduções latinas antigas e
do siríaco curetoniano (terceiro e quarto séculos, respectivamente). Esse texto também é citado
por alguns dos antigos Pais da Igreja, como Irineu, Tertuliano e Cipriano. Entretanto, esse texto-
tipo é radicalmente diferente de todos os outros. É marcado por várias omissões, não somente
de versículos, mas também de passagens inteiras. A tendência maior, entretanto, é fazer
adições, tanto por meio de paráfrases como pela inserção de detalhes adicionais. As ocorrências
são menores nos evangelhos (especialmente na última parte do evangelho de Lucas), porém, no
livro de Atos há um número maior (o livro é, aproximadamente, 10% mais longo). Sir Frederic
Kenyon descreveu-o como “um tipo de texto caracterizado por muitos desvios da tradição
verdadeira”. Uma escassez de apoio a esse manuscrito, juntamente com um número muito
grande de versões diferentes, tornam esse texto-tipo, no melhor dos casos, questionável e, no
pior deles, totalmente indigno de confiança.

Assim, ficamos com os dois maiores grupos de textos: o Bizantino e o Alexandrino.

A.

 O texto-tipo Bizantino

Esse texto recebeu seu nome por ter sido associado, com Constantinopla, a capital
imperial, anteriormente chamada Bizâncio. Além disso, ele tornou-se o texto-modelo da Igreja
Cristã durante o período bizantino (312-1453 d.C.) e mesmo depois deste. Antes de ser
entronizado na capital oriental, entretanto, essa forma de texto foi preservada em Antioquia,
capital da província romana da Síria. Os professores cristãos ligados à igreja ali usaram-no
claramente. Entre esses incluem-se Basílio de Cesaréia, Gregório de Nissa. Gregório de
Nazianzus (Pais da Capadócia), Teodoreto de Ciro e Crisóstomo de Constantinopla (que mudou-
se de Antioquia para se tornar bispo de Constantinopla, em 398 d.C.).

O texto-tipo bizantino teve o esmagador apoio dos manuscritos gregos. Nos primeiros
papiros havia um impressivo número de versões distintivamente bizantinas. P45 e P46, dos
Papiros Chester Beatty, contêm tais versões, bem como P66 da coleção da Biblioteca Bodmer. O
Professor H. A. Sturz conseguiu relacionar 150 versões bizantinas com apoio dos primeiros
papiros.20 Isso mostra, de maneira plena, contrariamente aos pontos de vista dos críticos
literários do passado, que as versões bizantinas podem ser traçadas desde o século II.

Entre os unciais, esse texto é encontrado, no século V, nos Códices Alexandrino (A-02;
bizantino nos evangelhos), Ephraemi (C-01) e em praticamente todos os outros códices
posteriores. Estima-se que aproximadamente 95% dos manuscritos unciais utilizaram o tipo de
texto bizantino. Ainda mais pode ser reinvidicado em favor do minúsculos, uma vez que quase
todas as suas versões são bizantinas.

Os lecionários até agora examinados também apóiam o texto-tipo bizantino.

(1) Apoiado pelas antigas versões.
Essas versões eram as antigas traduções das escrituras do Novo Testamento,
preparadas para auxiliar na expansão da fé cristã entre os povos do mundo. Entre as mais
antigas estão a siríaca (ou aramaica) e as traduções latinas, que remetem à metade do segundo
século. A Peshitta, a “Rainha das traduções”, é uma das mais antigas traduções siríacas e
certamente contém versões bizantinas. Isso também se aplica à versão gótica, do quarto século,
que se diz Ter sido traduzida por Ufilas, bispo de Antioquia.

(2) Confirmado pelos antigos Pais.
Os críticos que negam a primazia do texto bizantino, preferindo vê-lo como uma revisão
do século IV, geramente aludem ao fato de que nenhum Pai da Igreja antes de Crisóstomo (347407
d.C.) parece ter se referido a ele ou, sequer, tenha-no citado. Porém, isso não é verdade.
Uma pesquisa cuidadosa mostrou que Justino Mártir (100-165 d.C.), Irineu (130-200 d.C),
Clemente de Alexandria (150-215 d.C.), Tertuliano (160-220 d.C.), Hipólito (170-236 d.C.) e
mesmo Orígenes (185-254 d.C.) citaram repetidamente o texto bizantino. Edward Miller, depois
de classificar as citações dos patriarcas gregos e latinos que morreram antes de 400 d.C.,
descobriu que tais citações apoiavam-se no texto bizantino 2.630 vezes (e, em outros textos,
somente 1.753 vezes). Além disso, ao examinar trinta passagens importantes, encontrou 530
testemunhos do texto bizantino (e somente 170 em favor de seus oponentes). Esta foi sua
conclusão: “A predominância original do Texto Tradicional é mostrada na lista dos antigos
patriarcas. Seu registro prova que em seus escritos, e mesmo na Igreja em geral, a corrupção
se fez sentir desde os tempos remotos, mas que as águas puras geralmente prevaleceram... A
tradição também é mantida pela maioria dos patriarcas que os sucederam. Não há lapso ou
intervalo: o testemunho é contínuo”.21

O fato evidente é que, por volta do quarto século, o Texto Bizantino já havia emergido
como o texto oficial do Novo Testamento e pelos próximos 2.000 anos (e mais) manteve
controle inconteste sobre a cristandade inteira.

(3) O Novo Testamento grego impresso.
O Novo Testamento foi impresso pela primeira vez em 1514, embora não publicado
numa edição separada até 1522. Obra de Francisco Ximenes, Cardeal Primaz da Espanha, era
parte de seu Poliglota Complutensiano, em seis volumes. Na dedicatória ao Papa Leão X,
Ximenes escreveu: “Estamos, na verdade, em débito com vossa Santidade pelas cópias gregas,
por nos ter enviado, mui amavelmente da Biblioteca Apostólica, os códices muito antigos, ambos
do Antigo e Novo Testamentos, que nos ajudaram muitíssimo neste empreendimento”. O texto
grego resultante parece ter sido do tipo bizantino (e não há evidência de que Ximenes tenha,
alguma vez, seguido o Codex Vaticanus [B]).

Em 1516, quando Desidério Erasmo, o principal estudioso na Europa, publicou a primeira
edição do Novo Testamento grego, baseou-se em manuscritos bizantinos característicos. Erasmo
publicou outras quatro edições de seu trabalho, em 1519, em 1522, em 1527 e em 1535. Outros
logo seguiram seus passos: o mais famoso deles foi Robert Estienne (latinizado como Estéfano),

o editor e impressor francês, cujo texto publicado em 1546 era praticamente idêntico ao de
Erasmo. Houve três edições subseqüentes em 1549, 1550 e em 1551. Ainda outras edições
foram produzidas e impressas por Theodore Beza entre 1565 e 1604. Então, em 1624,
Bonaventure e Abraham Elzevir publicaram sua edição. O prefácio da segunda edição de Elzevir,
publicada em 1633, contém as palavras: “Portanto, agora se tem um texto recebido por todos,
no qual não há alteração ou corrupção”. Por essa razão surgiu a conhecida denominação “O
Texto Recebido”.

O Texto Bizantino foi o texto fundamental de todas as grandes Bíblias protestantes
inglesas, incluindo aquelas associadas aos nomes de William Tyndale (1525), Miles Coverdale
(1535), John Rogers (1537) e Richard Taverner (1539), bem como as conhecidas como a
Grande Bíblia (1539), a Bíblia de Genebra (1560), a Bíblia dos Bispos (1568) e, naturalmente, a
Versão Autorizada (1611); e, ainda: a Reina, em espanhol; a Karoli, em húngaro; a Lutero, em
alemão, a Olivetan, em francês; a Statenvertaling, em holandês; a Almeida, em português; e a
Diodati, em italiano.

Resumindo, os argumentos em favor do texto bizantino são os seguintes:

1.
Esse texto-tipo está associado à cidade de Antioquia, na Síria. Após a morte de Estevão, os
cristãos de Jerusalém fugiram para Antioquia e começaram a pregar o evangelho aos gregos
residentes ali (Atos 11.19-20  Ats 11:19  E os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estêvão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra senão somente aos judeus.
Ats 11:20  E havia entre eles alguns varões de Chipre e de Cirene, os quais, entrando em Antioquia, falaram aos gregos, anunciando o Senhor Jesus. ). Uma igreja forte surgiu, principalmente através dos
ministérios de Barnabé e Paulo (11.22-26  Ats 11:22  E chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé até Antioquia,
Ats 11:23  o qual, quando chegou e viu a graça de Deus, se alegrou e exortou a todos a que, com firmeza de coração, permanecessem no Senhor.
Ats 11:24  Porque era homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor.
Ats 11:25  E partiu Barnabé para Tarso, a buscar Saulo; e, achando-o, o conduziu para Antioquia.
Ats 11:26  E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja e ensinaram muita gente. Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos. ), e foi dessa igreja que o apóstolo partiu para
cada uma de suas viagens missionárias (Atos 13.1-3  Ats 13:1  Na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé, e Simeão, chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo.
Ats 13:2  E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.
Ats 13:3  Então, jejuando, e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram.
; 15.35-36  Ats 15:35  E Paulo e Barnabé ficaram em Antioquia, ensinando e pregando, com muitos outros, a palavra do Senhor.
Ats 15:36  Alguns dias depois, disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar nossos irmãos por todas as cidades em que já anunciamos a palavra do Senhor, para ver como estão.; 18.22-23  Ats 18:22  E, chegando a Cesaréia, subiu a Jerusalém e, saudando a igreja, desceu a Antioquia.
Ats 18:23  E, estando ali algum tempo, partiu, passando sucessivamente pela província da Galácia e da Frígia, confirmando a todos os discípulos. ). Outros apóstolos visitaram a cidade, incluindo o apóstolo Pedro (Gálatas 2.11-12 Gál 2:11  E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível.
Gál 2:12  Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão.). Não demorou
muito para que Antioquia se tornasse a cidade-mãe das igrejas gentílicas e, depois da queda
de Jerusalém, em 70 d.C., transformou-se no inconteste centro do Cristianismo. Um texto
procedente de Antioquia seria o texto aprovado pelos apóstolos nos primórdios da Igreja
Cristã.

2.
Como já observado anteriormente, esse texto recebeu seu nome de Constantinopla
(Bizâncio), a capital do Império Oriental, e, em razão disso, logo se estabeleceu como o
texto grego padrão. Constantinopla era o centro tanto do mundo como da Igreja de fala
grega. Enquanto no Ocidente, o grego havia cedido lugar ao latim, no Oriente permanecia
como idioma oficial e de uso comum. Isso significava, naturalmente, que os estudiosos
gregos em Constantinopla eram peculiarmente qualificados para reconhecer e reproduzir o
texto autêntico.

3.
Durante o quarto século, quando esse texto se tornou o principal, a Igreja foi abençoada
com estudiosos excepcionais, tais como Metódio (260-312 d.C.), Atanásio (196-373) Hilário
de Poitiers (315-67), Cirilo de Jerusalém (315-386) e Gregório de Nazianzen (330-394).
Esses homens – e outros como eles – envolveram-se na formulação da doutrina ortodoxa e
na ratificação do canon do Novo Testamento. Eles também se devotaram a estudar o texto e
tiveram uma vantagem sobre os críticos posteriores, uma vez que tinham acesso a muitos
manuscritos antigos e preciosos, que há muito se perderam. A emergência de um texto
predominante originário desse período é altamente significativa. Era, obviamente,
considerado o texto genuíno, não corrompido e autorizado.

4.
Os judeus eram designados os guardiães das revelações divinas a eles concedidas e, no
cumprimento da confiança sobre eles depositada, preservaram cuidadosamente o texto do
Antigo Testamento, sem corrupção e de forma integral (o texto Massorético hebraico). Como
observado pelo apóstolo Paulo, “porque, primeiramente, as palavras de Deus lhe foram confiadas” (Romanos 3.2  ). Agora, é razoável supor-se que as escrituras do Novo
Testamento fossem confiadas aos cristãos professos ou à professa Igreja Cristã. A questão
que naturalmente se levanta é: qual texto-tipo, falando no geral, teria sido reconhecido e
propagado pela Igreja desde os primórdios? A resposta: o texto-tipo conhecido como
bizantino.

5.
O fato é que aproximadamente 90% dos manuscritos gregos representa o texto-tipo
bizantino. Embora esses manuscritos não sejam tão antigos como alguns críticos quisessem,
são tão numerosos que deve-se assumir que há, literalmente, centenas de documentos
ancestrais, muitos dos quais pertenceram às primeiras eras cristãs. De alguma maneira esse
fato tem que ser explicado, e não é satisfatório persistir-se na argumentação – contra a
evidência de suporte – que o texto bizantino não aparece na história antes do quarto século.
Este texto é anterior. Ele tornou-se difundido porque representa o original fielmente.

6.
Sempre se tem exercido cuidado providencial em relação à Verdade de Deus, pois os crentes
precisam dessa Verdade de forma exata e correta (Mateus 24.35  O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar.; I Pedro 1.23  sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre.
, 25  mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada. ). Por
essa razão, a Palavra dada através da inspiração tem sido a mesma que subseqüentemente
foi publicada (Salmo 68.11  O Senhor deu a palavra; grande era o exército dos que anunciavam as boas-novas.). É inconcebível que Deus tenha dado um texto totalmente
corrompido e mutilado a Seu povo e, então, permita que o texto seja usado por mais de
dezoito séculos. Porém, é exatamente isso que alguns críticos literários modernos querem
nos fazer acreditar! “Deve-se lembrar”, escreve o Dr. Owens, que a cópia vulgar que usamos
(o Texto Autorizado) foi de propriedade pública por muitas gerações...; posto isto,
passemos, então, para o modelo, que é reconhecidamente apropriado, e veremos
rapidamente, se Deus quiser, quão pouca razão há para imitar tais variações de traduções,
com o que também estamos abismados atualmente.”22

7.
É razoável supor-se que Deus agiu de maneira similar em relação aos textos tanto do Antigo
como do Novo Testamentos.O Seu método com o Antigo Testamento foi preservar o texto,
de forma praticamente inalterada, através de várias gerações. O resultado – como Cristo e
Seus apóstolos claramente ensinaram – foi um Livro no qual cada letra e cada parte de letra
era sagrada (Mateus 5.18  bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;  comparar com João 10.35  Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida ( e a Escritura não pode ser anulada ), ...). Quando esta antiga revelação foi
completada, Deus procedeu da mesma maneira: registrou infalivelmente Sua última Palavra,
colocando-a em possessão de Sua Igreja e, então, assegurou-Se de que ela seria passada
através dos séculos sucessivos, até o tempo presente. “A palavra do Senhor permanece para
sempre” (I Pedro 1.25    mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada.).

B.

O texto-tipo Alexandrino

Este é um grupo bem pequeno de manuscritos. Peculiaridades na ortografia mostram
que eles estão associados a Alexandria, no Egito e, não é surpreendente, versões desse tipo de
texto foram encontradas entre os papiros egípcios antigos (por exemplo, P46, P47). Seus
maiores representantes, entretanto, são o Codex Sináitico (ou Codex Aleph) e o Codex Vaticano
(ou Codex B).

O apoio a esse texto-tipo vem dos Pais de Alexandria, mais notadamente de Orígenes
(185-254 d.C.) e Cirilo (376-444).

Vários detalhes devem ser observados aqui:

1.
Esse texto-tipo origina-se de Alexandria, no Egito. As Escrituras não indicam que jamais
tenha havido uma presença apostólica nessas regiões, mas a História da Igreja revela que
muitos heréticos famosos viveram e ensinaram ali, incluindo gnósticos como Basilides,
Isidoro e Valentino. Qualquer coisa que venha desse lugar deve ser considerada com alguma
suspeita.

2.
Há clara evidência de revisão pela reorganização de palavras. B. H. Streeter sugeriu que o
editor foi um bispo egípcio chamado Hesychius.23 Isso significa que, embora tenham sido
feitas grandes reivindicações, esse texto não pode ser considerado como especialmente
“puro”.

3.
Os dois grandes representantes desse texto-tipo, os Codices Aleph (Sináitico) e B (Vaticano)
são excepcionalmente pobres em qualidade. Quando examinado pelo Dr. F. H. A. Scrivener,
o Codex Aleph foi declarado “grosseiramente escrito” e “ repleto de dúzias de erros de
transcrição” tais como “omitir linhas inteiras do original”. O codex B, embora, “menos ruim”,
mostrou-se “passível de falhas”, cometendo “erros do mais evidente caráter”.24

4.
Esses manuscritos principais exibem suas adulterações ao não concordarem entre si em,
literalmente, centenas de lugares (3.000 vezes, somente nos evangelhos).

5.
O texto autenticado pelo Aleph (Sináitico) e pelo B (Vaticano) está em discrepância com a
esmagadora maioria dos manuscritos gregos. Não somente está restrito a uma muito
pequena família de manuscritos, mas estima-se que há algo em torno de 6.000 diferenças
entre os textos Alexandrino e Bizantino.

6.
É verdade que há expressiva perda de texto no Codex B (Vaticano), porém, considerando-se
sua idade (metade ou fim do século IV), esses dois unciais estão em notáveis boas
condições. Uma vez que os mais exatos manuscritos dessa época pereceram em razão do
uso, deve-se supor que esses foram rejeitados como defeituosos e, portanto, não foram
usados pela Igreja.

7.
Apoiando essa conclusão está o fato de que somente umas poucas cópias foram feitas a
partir deles. Como afirma o Dr. Gordon Clark: “Se um grupo ou dois manuscritos têm um
único ancestral, implica que um grupo ou dois copistas criam que aquele ancestral era fiel
aos autógrafos. Porém, se um manuscrito não tem uma descendência numerosa, como no
caso do ancestral do Codex B, pode-se suspeitar que os antigas escribas duvidaram de seu
valor. Possivelmente so antigos cristãos ortodoxos sabiam que o Codex B está corrompido.25

H - Críticos atacam o texto Bizantino

No último século, dois estudiosos de Cambridge, B. F. Westcott e F. J. A. Hort,
elaboraram uma nova teoria radical sobre a primeira transmissão do texto do Novo Testamento.
Defendiam que o melhor texto era, realmente, o Alexandrino (o qual denominaram o “Texto
Neutro”), representado pelo Aleph e pelo B. Uma vez que esses dois manuscritos eram
ligeiramente mais antigos que outros, alegavam que seu ancestral comum estava mais próximo
do original inspirado. Embora não se pudesse atribuir ao texto uma pureza absoluta, Westcott e
Hort estavam prontos a afirmar: “Cremos (1) que as versões de Aleph B devem ser aceitas
como versões verdadeiras até que fortes evidências internas contrárias sejam encontradas; e
(2) que nenhuma versão de Aleph B pode, de maneira plena, ser seguramente rejeitada, embora
seja às vezes indicado reconhecê-las somente como uma base alternativa, especialmente
quando não têm apoio das Versões dos Patriarcas”.26
O texto Bizantino (chamado de “Texto Sírito”) continha, como eles pensavam, “versões
combinantes”, ou seja, combinações de versões mais antigas; eles acreditavam que essas
versões haviam sido originadas de uma revisão feita em dois estágios, produzida em Antioquia
(ou perto de Antioquia), no quarto século. Admitindo-se que isso era apenas “suposição”,
continuaram com a idéia de que “a crescente diferença e confusão dos textos gregos conduziram
a uma revisão oficial em Antioquia” e, mais tarde, a “uma segunda revisão oficial”. O processo
inteiro, segundo eles, foi completado por volta de 350 d.C. Eles ainda lançaram a idéia de que
Luciano de Antioquia (martirizado em 312) devia estar envolvido na primeira revisão.

Essa teoria é seriamente falha. Embora críticos e traduções ainda se refiram “aos mais
antigos e melhores manuscritos”, a frase é no todo enganosa porque, nesta discussão particular,
os “mais velhos” são, na verdade, “os piores”. Quanto a “versões combinantes” no texto
Bizantino, jamais houve nenhuma evidência convincente que apóie essa idéia (mesmo após
vinte e oito anos de estudo, Westcott e Hort só puderam apontar oito exemplos). De qualquer
forma, versões tardias não provam uma interferência posterior no texto. O Professor Sturz que
somente algumas dessas traduções são apoiadas pelos papiros mais antigos (as traduções mais antigas de João 10.19   Tornou, pois, a haver divisão entre os judeus por causa dessas palavras.
 e 10.31  Os judeus pegaram, então, outra vez, em pedras para o apedrejarem...., por exemplo, são apoiadas pelo P66).27 Isto nos leva a concluir
que o engano repousa sobre o texto Alexandrino. Ele ainda acusa o texto Bizantino de ser
reduzido. O que dizer sobre a tão falada “Revisão Luciânica”? Não há evidência de que ela tenha
acontecido.

Westcott e Hort começaram a tarefa de preparar um texto grego revisado. Por
coincidência, eles também faziam parte do comitê, escolhido pela Assembléia de Canterbury, em
1880, designado para preparar uma edição revisada da Bíblia em inglês. Embora o texto grego
desses dois estudiosos ainda não houvesse sido publicado, uma cópia foi colocada à disposição
dos revisores. Então, quando, em 1881, surgiu o Novo Testamento da Versão Revisada, ficou
imediatamente evidente que o texto grego de Westcott e Hort havia não somente influenciado
grandemente o comitê mas, também, que ele tinha sido largamente empregado na Versão
Revisada do Novo Testamento em inglês.

Este texto Hort/Westcott foi o precursor do que hoje se conhece como texto
Nestle/Aland (United Bible Societies), que tem usurpado o lugar do texto Bizantino ou
Tradicional e, subseqüentemente, tornou-se a base de praticamente todas as traduções
modernas. A Nova Versão Internacional, por exemplo, embora afirme em seu prefácio seguir um
texto grego ‘eclético’ (ou seja, uma compilação de uma variedade de manuscritos), continua,
imediatamente, a informar o leitor que “onde houve divergência de manuscritos, os tradutores
escolheram as versões de acordo com os princípios da crítica textual do Novo Testamento”. A
adoção de ‘princípios’ fundamentalmente falhos indica que o texto resultante é muito parecido
com o produzido em 1881, por Westcott e Hort .

I - A versão Almeida Corrigida Fiel

Durante os períodos da Reforma e dos Puritanos, apareceu uma quantidade de versões
protestantes, todas baseadas nos mesmos textos autênticos e traduzidos de acordo com os
mesmos princípios incontestáveis.

A BÍBLIA SAGRADA, em Português, é resultado de mais de 350 anos de esforços
dedicados, desde quando João Ferreira de Almeida começou o seu trabalho de tradução.

Jovem inteligente, Almeida nasceu em Torre de Tavares, Portugal, no ano de 1628. Aos
catorze anos ele já estava na cidade de Batávia (hoje Jacarta, capital da Indonésia). Um dia
recebeu um folheto escrito na língua espanhola que o levou ao encontro pessoal com Deus,
como “Nicodemos—Saulo de Tarso”. Logo começou a pregar nas Igrejas Reformadas Holandesas
(a maior parte do povo, a quem ele ministrava, falava português, pois só fazia um ano que
Portugal havia perdido o controle da região).

No ano de 1644, com a idade de 16 anos, Almeida iniciou a sua primeira tradução do
Novo Testamento, usando versões em latim, espanhol, francês e italiano. Não contente com
essa tradução, anos mais tarde, ele fez uma segunda, desta vez baseada no texto grego, o
Textus Receptus (o mesmo usado pelos reformadores). Num folheto chamado Cartas para a
Igreja Reformada, em 1679, ele escreveu o seguinte, na conclusão daquela obra, que só foi
publicada em Amsterdã, no ano de 1681:

“O Novo Testamento, isto é, todos os sacrossantos livros e escritos evangélicos e apostólicos

do Novo Concerto do nosso fiel Senhor, Salvador e Redentor Jesus Cristo, agora traduzidos

em português por João Ferreira d’Almeida, pregador do santo Evangelho”.

Almeida chegou a traduzir o Velho Testamento, de Gênesis até Ezequiel 48:31, usando o
texto Massorético (hebraico). Não pôde terminar os últimos versículos do livro de Ezequiel,
porque o Senhor Deus o levou à Sua presença em 1691, com 63 anos de idade. O volume I do
Velho Testamento, contendo os livros de Gênesis a Ester, foi impresso no ano de 1748. O
holandês Jacobus op den Akker completou a obra da tradução do Velho Testamento e, em 1753,
o volume II foi publicado.

A primeira revisão da Bíblia em português, feita pela Trinitarian Bible Society (TBS—
Sociedade Bíblica Trinitariana), foi iniciada no dia 16 de maio de 1837. O Rev. Thomas Boys, do
Trinity College, Cambridge, foi encarregado de liderar o projeto. A revisão do Novo Testamento
foi completada em 1839. A revisão completa do Velho Testamento só terminou em 1844. O
último volume foi impresso em Londres, no ano de 1847. Aquela primeira edição, chamada
Revista e Reformada, sofreu revisões ortográficas posteriores, feitas tanto pelo Rev. Boys como
por outros, tornando-se, inclusive, uma parte da edição chamada Correcta. Segundo os dados
históricos, a edição Revista e Reformada também fez parte do leque das várias revisões que
foram usadas para chegar à versão conhecida como a Corrigida. Restou do frontispício da
primeira impressão da tradução de Almeida pela TBS uma expressão, “Segundo o original”, ou,
em outras palavras, “Fiel aos textos originais”.

No ano de 1968, em São Paulo, foi fundada a Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil,
com o objetivo de revisar, com as devidas correções ortográficas, e publicar a Bíblia de João
Ferreira de Almeida, como mais um instrumento nas mãos de Deus para a preservação da Sua
Palavra.

A Bíblia na Edição Corrigida e Revisada, foi preparada por pessoas com a mesma
convicção do tradutor, João Ferreira de Almeida, de que as palavras das Sagradas Escrituras,
originariamente escritas em hebraico, em aramaico e em grego, foram inspiradas por Deus; e,
uma vez que Deus preserva a Sua Palavra, as Sagradas Escrituras falam com nova autoridade a
cada geração, levando as pessoas à salvação, fazendo com que sirvam a Cristo para a glória de
Deus.

Há séculos, a tradução de Almeida tem sido a preferida da grande maioria dos leitores da
Bíblia em língua portuguesa. Indiscutivelmente, continua sendo. Almeida seguiu o sistema de
tradução chamado “equivalência formal”, assim como fizeram os grandes reformadores; ou seja,
tentou traduzir cada palavra, usando o mínimo de palavras de transição, necessárias para
garantir a fluência da leitura em português.

É possível dizer que João Ferreira de Almeida é o tradutor mais amado e respeitado;
pode-se dizer também que a versão mais respeitada e procurada é a Corrigida. Embora os
editores, que publicam as edições denominadas Corrigida, tenham variado na liberdade de
modificar ou até de tirar uma palavra ou outra, mesmo assim, todas elas são praticamente
idênticas.

Como Almeida, os editores deste texto, a Edição Corrigida e Revisada, Fiel ao Texto
Original, também conhecido por Almeida, Corrigida, Fiel (ACF), todos crêem que as palavras da
Bíblia foram inspiradas por Deus.

“Toda a Escritura é divinamente inspirada...” (II Tm 3:16).

Por essa razão, os editores do texto bíblico gastaram anos, com dezenas de revisores, na
produção do texto, objetivando modificar o mínimo possível, conquanto corrigissem a ortografia
e tirassem qualquer influência do Texto Crítico do Novo Testamento que fora introduzida
indevidamente ao trabalho de Almeida.

Malcolm Watts, membro do Comitê Geral da Trinitarian Bible Society, nasceu em 1946, em
Barnstaple, North Devon, Inglaterra. Criado num lar cristão, converteu-se pela graça em sua
adolescência e, mais tarde, foi chamado para o ministério. Estudou no Londo Bible College entre
1967 e 1970 e, desde 1971, é pastor da Emmanuel Church, em Salisbury. Ele e Gillian casaram-
se em 1976 e têm duas filhas: Lydia e Naomi.

Notas

1 BANNERMAN, James – Inspiration: the Infalible Truth and Divine Authority of the Holy Scriptures
(Edimburgo: T&T Clark, 1865), p. 158.

2 GAUSSEN, Louis – Divine Inpiration of the Bible (Grand Rapids: Kregel Publications, 1971. Publicado em
Edimburgo em 1842 sob o título Theopneustia: The Bible, its Divine Origin and Entire Inspiration, Deduced
from Internal Evidence and the Testimonies of Nature, History, and Science), p. 34.

3 Este era o ponto de vista dos comentaristas mais antigos, como Piscator, Poole, Clarke, Gill e outros. Mais
recentemente, foi mantido pelo Dr. Greg L. Bahnsen, em The Inerrancy of the Autographa, um capítulo
incluído no simpósio intitulado Inerrancy, editado pelo Dr. Norman L. Geisler (Grand Rapids: Zondervan
Publishing House, 1980), p. 167.

4 GREEN, William Henry – General Introduction to the Old Testament: The Canon (Londres: John Murray,
1899), p. 11.

5 Mais informações sobre a condição do texto nesse período podem ser encontradas em “The Transmission of
the Scriptures”, de John H. Skilton, em “The Infallible Word: a Symposium by the Members of the Faculty of
Westminster Theological Seminary”, terceira revisão impressa (Filadélfia: Presbyterian and Reformed
Publishing Company, 1967), pp. 153 e seguintes. Ver, também, “Na Introduction to the Critical Study and
Knowledge of the Holy Scriptures”, de Thomas Hartwell Horne, sétima edição (Londres: T. Cadell, 1834),

2:34.
6 NICOLE, Roger – New Testament Use of the Old Testament – in Revelation and the Bible, Carl F.H. Henry,
ed. (Londres: The Tyndale Press, 1959), pp. 142-43. Ver, também, os comentários de Walter C. Kaise Jr.,
The Uses of the Old Testament in the New (Chicago: Moody Press, 1985), pp. 4 e seguintes.

7 Skilton, p. 143.

8 Tertuliano – The Ante-Nicene Fathers, Tertullian – in On Prescription against Heretics – capítulo 36 (Grand
Rapids: William Eerdmans Publishing Company, 1979), 3:260.

9 O Dr. A.Cleveland, que editou as obras de Tertuliano a partir da edição original de Edimburgo, admite,
numa nota de rodapé, que a “frase muito discutida” (‘seus próprios escritos autênticos’) pode se referir aos
autógrafos ou aos originais gregos”. Entretanto, ele crê que “provavelmente” a referência é às “cópias
íntegras” (não mutiladas). Edward Miller (que editou várias das obras do Reitor Burgon), parece crer que
Tertuliano estava se referindo aos manuscritos originais. Ele escreveu: “Tertuliano, numa discussão com os
hereges, convida-os a consultarem os autógrafos dos Apóstolos em Corinto, ou em Tessalônica, ou em Éfeso,
ou em Roma, onde eles estavam guardados e eram lidos em público” (A Guide to the Textual Criticism of the
New Testament [Londres: George Bell and Sons], p. 72).

10 Policarpo – The Ante-Nicene Fathers, Polycarp – in The Epistle of Polycarp to the Philippians – capítulo 12,

1:35.
11 LILLEY, J. P. – The Pastoral Epistles – Edimburgo: T. & Clark, 1901), p. 216.

12 GREGORY, Caspar Rene – Canon and Text of the New Testament (Edimburgo: T & Clark, 1907), p. 309. O
Dr. Gregory observa: “Ninguém imaginaria... que somente aquelas cartas e não o livro inteiro do Apocalipse
deveria ser enviado às igrejas, pois que o versículo (Apocalipse 1.11) diz que João deveria escrever num livro

o que visse, ou seja, as visões que ele teria, e que o enviasse às igrejas” (p. 310).
13 The Ecclesiastical History and Martyrs of Palestine, Eusebius – Ecclesiastical History – volume 3 – capítulo

37. (Loncres: Society for Promoting Christian Knowledge, 1928).
14 Ibid., Volume 4, capítulo 23.

15 Ibid., volume 5, capítulo 28.

16 Tertuliano, capítulo 38, 3:262.

17 Irineu – The Ante-Nicene Fathers, Irenaeus in Irenaeus against Heresies, volume 5, capítulo 30, secç. 1,

1:558.

18 ALAND, Kurt e Barbara – The Text of the New Testament: na Introduction to the Critical Editions and to the
Theory and Practice of Modern Textual Criticism – 2ª edição, 1989. Citado por Bruce M. Metzger em The Text
of the New Testament: Its Transmission, Corruption, and Restoration, 3ª edição ampliada (Oxford: Oxford
University Press, 1992), p. 262.

19 WARFIELD, Genjamin B. – An Introduction to the Textual Criticism of the New Testament (Londres:
Hodder and Stoughton, 1886), pp. 110, 111.

20 STURZ, Harry A. – The Byzantine Text-Type and New Testament Textual Criticism (Nashville, TN: Thomas
Nelson Publishers, 1984), pp. 61 e seguintes, 144 e seguintes.

21 MILLER, Edward in "The Antiquity of the Traditional Text", in BURGON, John William – The Traditional Text
of the Holy Gospels Vindicated and Established (Londres: George Bell and Sons, 1896), p. 121.

22 OWEN, John – "Of the Integrity and Purity of the Hebrew and Greek Text of the Scripture", in The Works
of John Owen (Londres: The Banner of Truth Trust, 1968), 16:366.

23 STREETER, B.H. – The Four Gospels: A Study of Origins, reviado a partir da edição de 1924 (Londres:
Macmillan & Co. Ltd, 1956), pp. 112 e seguintes, 121 e seguintes.

24 SCRIVENER, F. H. A. – Six Lectures on the Text of the New Testament and the Ancient Manuscripts
(Cambridge: Deighton, Bell, and Co., 1875), pp. 41, 43.

25 CLARK, Gordon H. – Logical Criticisms of Textual Criticism (Jefferson Maryland: The Trinity Foundation,
1986), p. 15.

26 WESTCOTT, B.F. e HORT, F. J. A. – Introduction to the New Testament in the Original Greek
(Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1988. Originalmente publicado por Harper and Brothers, Nova York,
1882), p. 225.

27 Sturz, p. 84.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Como deve ser nossos caminhos diante de Deus?


[SERMÕES PESSOAIS]

Jó 4.6: Porventura não é o teu temor de Deus a tua confiança, e a tua esperança a integridade dos teus caminhos?

INTRODUÇÃO

sobre Jó e os seus amigos.

DESENVOLVIMENTO

BASE 1

* O nosso temor em Deus deve ser a base de nossa confiança.

O exemplo de Jó: Jó 1.1: HAVIA um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e era este homem íntegro, reto e temente a Deus e desviava-se do mal.

O que quer dizer temor?

Tributar reverência; ter medo; ter receio; ter respeito.

A – A confiança no Redentor: Jó 19.25 – 26: 25 Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra.
26 E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus,

B – A confirmação da confiança: Jó 42.5: Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te vêem os meus olhos.

BASE 2

* O nosso testemunho pessoal é quem vai dizer o quanto somos íntegros nos nossos caminhos.

A conseqüência de nossas atitudes: Gl 6.7: Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.

Que quer dizer integridade?

Qualidade de íntegro; retidão; imparcialidade.

BASE 3

* A integridade dos nossos caminhos é a prova de nossa esperança.

A esperança na Bíblia: Rm 8.24 – 25: 24 Porque em esperança fomos salvos. Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará?
25 Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos.

Que quer dizer esperança?

Ato de se esperar o que deseja; expectativa; espera.

É esperar o desconhecido.

A – O exemplo de Abraão: Gênesis 22.1 - 3: 1 E ACONTECEU depois destas coisas, que provou Deus a Abraão, e disse-lhe: Abraão! E ele disse: Eis-me aqui.
2 E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi.
3 Então se levantou Abraão pela manhã de madrugada, e albardou o seu jumento, e tomou consigo dois de seus moços e Isaque seu filho; e cortou lenha para o holocausto, e levantou-se, e foi ao lugar que Deus lhe dissera.

1 – O temor de Abraão confirmado: Gn 22.12: Então disse: Não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único filho.

2 - Deus não prometeu nada a Abraão: Gn 22.2: E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi.

3 – A promessa depois da prova: 22.17 – 18: 17 Que deveras te abençoarei, e grandissimamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus, e como a areia que está na praia do mar; e a tua descendência possuirá a porta dos seus inimigos;
18 E em tua descendência serão benditas todas as nações da terra; porquanto obedeceste à minha voz.

Obs – Abraão tinha certeza que sairia ileso da prova: Gênesis 22.5: E disse Abraão a seus moços: Ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o moço iremos até ali; e havendo adorado, tornaremos a vós.

CONCLUSÃO

A oração sábia.

[SERMÕES PESSOAIS]

TITULO: A ORAÇÃO SÁBIA.

TEXTO: 1 JO 5.14. E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve.

OBJETIVO GERAL: DOUTRINÁRIO.

INTRODUÇÃO:

EXISTEM DUAS LINHAS DE PENSAMENTO SOBRE A GRAÇA DIVINA E SUA ATUAÇÃO NO CRENTE:

A 1ª DIZ QUE: O SER HUMANO COOPERA COM DEUS PARA QUE A GRAÇA DIVINA SEJA APLICADA, DE MANEIRA QUE SE O INDIVIDUO FIZER UMA INTERCESSÃO DIANTE DE DEUS ISSO PODE MOVER O CORAÇÃO DE DEUS PARA QUE ELE VENHA A TOMAR UMA DESCISÃO.

A 2ª DIZ QUE: APENAS DEUS PODE OPERAR SOZINHO A GRAÇA DIVINA NA VIDA DO SER HUMANO.

TESE: QUE MAL HÁ ORAR SEGUNDO A SABEDORIA DIVINA? SERÁ QUE DEUS NÃO VAI RESPONDER A ORAÇÃO SEGUNDO O MELHOR FIM POSSÍVEL, PARA A GLÓRIA DE SEU NOME?

OBJETIVO ESPECÍFICO: QUERO QUE OS OUVINTES ENTENDAM QUE DEUS SEMPRE NOS DARÁ ALGO SEGUNDO SUA SABEDORIA E, NÃO SEGUNDO O NOSSO QUERER.

DESENVOLVIMENTO

PONTO 1: NÃO SABEMOS ORAR COMO CONVÉM. RM 8.26.  E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.


DEVIDO A DOIS FATOS:

A.NÃO COMPREENDEMOS O AGIR DE DEUS. JÓ 37.5. Com a sua voz troveja Deus maravilhosamente; faz grandes coisas, que nós não podemos compreender.

B.NÃO COMPREENDEMOS A CRIAÇÃO INCLUINDO NÓS MESMOS E NOSSAS FRAGILIDADES. EC 8.17. Então vi toda a obra de Deus, que o homem não pode perceber, a obra que se faz debaixo do sol; por mais que trabalhe o homem para a descobrir, não a achará; e, ainda que diga o sábio que a conhece, nem por isso a poderá compreender.
 

PONTO 2: CRISTO INTERCEDE POR NÓS APENAS SEGUNDO A VONTADE DE DEUS. RM 8.27. E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos.

PONTO 3: PRESCISAMOS ORAR.

PELO MENOS POR 2 MOTIVOS:

A.É UMA ORDEM DE CRISTO. MT 7.7-8.  7
Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.
8
Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á.       

B.PORQUE LOGICAMENTE PRECISAMOS RECEBER, MAS PARA ISSO DEVEMOS TER FÉ QUE VAMOS RECEBER. MT 21.21-22.  21
Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até se a este monte disserdes: Ergue-te, e precipita-te no mar, assim será feito;
22
E, tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis.       

CONCLUSÃO

domingo, 12 de junho de 2011

Agostinho de Hipona




  No dia 13 de Novembro de 354 na cidade de Tagaste província de Souk Ahras (próximo a Cartago na Tunísia) no norte da África (hoje Argélia) filho de Patrício que era pagão e Mônica que havia se tornado cristão nasceu Aurelius Augustinus (nome latim).

  Nesta época se desenrolava as diferenças cristológicas no oriente grego onde as igrejas disputavam suas crenças a respeito da deidade de Cristo.



  Agostinho sendo criado com pais que tinham diferenças religiosas teve forte influência na sua personalidade, sobre tudo de seu pai, resistindo sempre aos ensinamentos religiosos de sua mãe.

  Com 11 anos de idade foi enviado para a escola de Madaura, cidade da Numídia.

  Neste local ele foi ensinado em toda a crença da religião pagã, da cultura e literatura latina.

  Depois deste período ele ficou em casa do ano de 369 a 370 onde pode ter contato com o livro de Cícero “Hortensius” que foi uma forte influência para sua vida, principalmente no contexto argumentativo de dialogo. Através disso ele passou a se interessar pelo maniqueísmo uma seita gnóstica (O Maniqueísmo é uma filosofia religiosa sincrética e dualística que divide o mundo entre Bem, ou Deus, e Mal, ou o Diabo. A matéria é intrinsecamente má, e o espírito, intrinsecamente bom. Com a popularização do termo, maniqueísta passou a ser um adjetivo para toda doutrina fundada nos dois princípios opostos do Bem e do Mal.). Logo depois deste tempo ele realmente passou a ser um discípulo do maniqueísmo.

  Agostinho se destacava na sua retórica (eloquência, oratória), porém não conseguia dominar o grego.

  Com 17 anos graças a um concidadão chamado Romaniano, o pai de Agostinho consegue lhe enviar de volta para Cartago para continuar seus estudos na retórica.

  Embora fosse catecúmeno desde a infância, era apaixonado pelo teatro, e só conseguiu dominar sua sexualidade após se unir a uma concubina (mulher que vive com homem sem ser legalmente casada) de 372 – 385 a qual lhe deu um filho, Adeodato que faleceu logo (por volta de 390).

  Durante o período de 373 – 374 (19 – 20 anos) Agostinho foi professor de gramática na sua cidade natal Tagaste. No ano seguinte foi para Cartago ser professor na rede municipal, mas ficou desapontado com a falta de interesse dos alunos, permaneceu ai durante 9 anos.

  Em 383 ele mudou-se para Roma onde estabeleceria uma escola de retórica pois os melhores professores haviam se estabelecido ali. Mas logo ficou descontente pois seus alunos fugiam na hora de pagar as mensalidades. Mas ai em Roma ele foi apresentado ao prefeito através de seus amigos maniqueístas, Symmachus, que tinha sido solicitado a fornecer um professor de retórica para o tribunal em Milão, Agostinho ficou com o emprego e ocupou o cargo até 384 onde recebeu forte influencia da filosofia neoplatônica que o convenceu da existência do Ser transcendente imaterial e lhe deu uma nova compreensão sobre o problema do bem e do mal (Corrente doutrinária fundada por Amônio Sacas (séc. II), em Alexandria, e cujos representantes principais são Plotino, filósofo romano (204-270), em Roma; Jâmblico, filósofo grego (c. 250-330), na Síria; e Proclo, filósofo grego (410-485), em Atenas. Caracterizava-se pelas teses da absoluta transcendência do ser divino, da emanação (q. v.) e do retorno do mundo a Deus pela interiorização progressiva do homem.).

  Por esse tempo Agostinho foi perseguido por sua mãe que tentava inculcar os ideais cristãos nele e também queria ver seu progresso profissional, mas como sempre ele ia resistindo, até que ele conheceu o bispo de Roma Ambrósio (339-397), homem que lhe impressionou, sobretudo devido sua eloquência erudita e sua pregação alegórica (Ambrósio é considerado o maior pregador da igreja latina).



  No ano de 386 quando estava a meditar sobre a sombra de uma árvore no seu jardim em Milão ele teve uma experiência ímpar em sua vida a qual está descrita em um de seus livros chamado “Confissões”. De repente enquanto estava conversando com seu amigo Alípio sobre a mensagem do apóstolo Paulo, ele se emociona e se afasta uma distância de seu amigo e começa ouvir ao longe uma criança cantando tolle lege (toma e lê). Abrindo aleatoriamente a bíblia no livro de Romanos capítulo 13 versículos de 13 a 14: Andemos honestamente, como de dia; não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências.

  Após esta leitura Agostinho creu em Cristo e logo foi batizado por Ambrósio na Páscoa de 387, abandonando sua carreira pública e se tornando monge.

  Depois deste período ele retorna para a Tagaste e sua mãe faleceu na cidade de Óstia e seu filho também neste tempo (388 – 390) deixando-o sozinho sem família. Vendeu toda sua herança e deu aos pobres, só não vendeu sua casa que fez uma fundação monástica para ele e um grupo de amigos.

  Ao fazer uma visita a cidade de Hipona no norte da África (na Argélia) foi ordenado sacerdote mesmo contra sua vontade. Tornou-se bispo coadjutor em 395 e um ano depois foi ordenado bispo de Hipona (Annaba, na Argélia), função que exerceu até o fim de sua vida em 28 de Agosto de 430. Sua vida foi registrada pela primeira vez por seu amigo Possídio, bispo de Calama, no seu Sancti Augustini vita.

  Por esta época Agostinho começou a ter disputas com um grupo chamado de donatista, que era uma seita cismática da igreja africana. Eles surgiram no período das perseguições do IV séc. Por volta de 303 a 311.

  Os donatistas afirmavam 2 coisas principalmente:

1ª) Os cristãos que haviam negado o nome de Cristo por causa da perseguição, não deveriam ser readmitidos na igreja novamente.

2ª) Afirmavam que aqueles que haviam sido batizados ou ordenados ministros pela igreja não donatista, não poderiam ser considerados servos nem ministros de Deus.

  Os donatistas cresciam na África e se tornaram uma poderosa igreja rival, a qual Agostinho foi se defrontando e soube acabar com todas as heresias.

  O primeiro livro que Agostinho escreveu sobre a heresia donatista foi “Sobre o batismo” onde ele aborda 2 assuntos principais:

1º) A natureza da igreja.

2º) A validade dos sacramentos.

  A ênfase principal dos donatistas era a pureza da igreja: era considerada a congregação dos santos “tanto na terra como no céu”, coisa que Agostinho conseguiu objetar afirmando que, “os donatistas são impuros, por destruírem a unidade da igreja e caírem no pecado do cisma”. Para ele a igreja comporta todos os tipos de pessoas, contendo em si tanto o bem como o mal até a separação definitiva no fim do mundo (joio e trigo: Mt 13.38-43: O campo é o mundo; e a boa semente são os filhos do reino; e o joio são os filhos do maligno; O inimigo, que o semeou, é o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos.

  Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo.

  Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidade. E lança-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.)

  Quanto aos sacramentos (a ceia do Senhor e o batismo) ele afirmou que eles transmitem a graça de Deus “ex opero operato” ou seja, “opera em virtude do próprio ato”, independente da condição moral ou espiritual do oficiante. Os sacramentos provém de Cristo e seu poder e sua eficácia baseiam-se na santidade de Cristo, que não pode ser corrompida por ministros indignos, “assim como a luz que provém do sol não pode ser corrompida ao brilhar através de um esgoto”. Portanto um sacramento é válido mesmo quando ministrado por um sacerdote imoral e herético, contanto que tenha uma ordenação válida e esteja em comunhão com a igreja, sendo mero instrumento da graça de Cristo.

  A heresia donatista desapareceu por volta do séc. VII depois de muitas disputas, mas os fundamentos levantados e deixados por Agostinho foram fatores determinantes para isso.

  Para os reformadores do tempo de Lutero, Agostinho foi o principal pai da igreja antiga, sobretudo pelos fundamentos deixados sobre o pecado, sobre o livre-arbítrio e sobre a graça.

  O início de seus tratados nestes temas começou devido a controvérsia com Pelágio, um monge britânico que nasceu no séc. IV. Em 405 ele foi a Palestina e escreveu 2 livros:

1º) Da natureza.

2º) Do livre-arbítrio.

  Lutero se deparou também com o ensino de Pelágio, agora representado por o monge Erasmo de Roterdã, o mesmo que escreveu o textus receptus, a versão da bíblia utilizada até hoje pela igreja reformada, defendida principalmente por Calvino e Theodoro Beza. Erasmo defendeu os ensinos de Pelágio dentro do catolicismo romano o qual foi adotado, criando assim uma ação de contrariedade em Lutero, que o condenou principalmente através da sua obra “nascidos escravos”.

  Embora Pelágio nunca tenha se encontrado com Agostinho foi fortemente criticado por ele e por Jerônimo amigo de Agostinho escritor da Vulgata latina (?- 420). Neste momento foi reunido um concílio para acabar com as heresias de Pelágio, mas ele conseguiu ser inocentado em 415. Todavia foi condenado como herege em 417-418 pelo bispo de Roma e pelo concílio de Éfeso (431).

  Pelágio era um cristão moralista que achava a crença na tendência natural do homem para o pecado um desestimulo para se viver uma vida virtuosa.

  Pelágio foi acusado de 3 heresias:

1ª) Negava o pecado original no sentido de culpa herdada, sendo defendido e acompanhado por muitos cristãos orientais. Dizia que as pessoas pecam por nascerem num mundo corrompido e que são influenciadas pelos maus exemplos ao seu redor, mas que elas não tem tendência natural para pecar, e se o fazem é deliberadamente.

2ª) Ele negou que a graça sobrenatural de Deus seja essencial para a salvação. Tudo de que os cristãos precisam é da iluminação dada pela palavra de Deus e da consciência.

3ª) Afirmou pelo menos em teoria de que é possível viver uma vida sem pecado pelo uso correto do livre-arbítrio. Todo ser humano se encontra na mesma situação que Adão antes da queda, podendo optar em viver em perfeita obediência a lei de Deus.

  Agostinho reagiu fortemente contra estes ensinos, desenvolvendo sua soteriologia que parte de 2 convicções centrais a saber:

1ª) a total corrupção dos seres humanos após a queda.

2ª) a absoluta soberania de Deus.

  Suas principais obras objetando os ensinos de Pelágio foram:

1ª) Do Espírito e da letra (412)

2ª) Da natureza e da graça (415)

3ª) Da graça de Cristo e do pecado original (418)

4ª) Da graça e do livre-arbítrio (427)

5ª) Da predestinação dos santos (429)

  Ele também tratou deste assunto em outras obras como: Enchiridion (421) e A cidade de Deus (413-427).

  Apelando para ensinamentos do apóstolo Paulo como Romanos 5.12-21 ( Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram. Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei. No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir. Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos. E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação. Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo. Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos. Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor. ) Agostinho afirmou que todos os seres humanos inclusive os filhos dos cristãos, nascem culpados e totalmente corrompidos por causa do pecado de Adão e da natureza pecaminosa herdada dele, estando sujeitos a condenação eterna. Eles fazem parte de uma “massa de perdição”. Essa situação só é desfeita pelo batismo (o sacramento da regeneração), pelo arrependimento e pela graça sacramental. A vida virtuosa do cristão é obra da graça de Deus e não produto do esforço humano ou do seu livre-arbítrio, sem a graça capacitadora. Por causa da corrupção herdada, o ser humano não tem liberdade para não pecar (non posse non peccare), mas pelo contrário ele é inteiramente servo do pecado (Nascidos escravos – Lutero).

  Para Agostinho o livre-arbítrio era fazer o que se deseja, agir de acordo com a natureza não tendo escolha contrária, como era sustentado por Pelágio e seus seguidores. O que Agostinho estava querendo dizer não era que o homem não tinha capacidade alguma de fazer o que é bom e certo ou justo, mas somente com relação a sua salvação, o homem era incapaz de querer se aproximar do Deus, Senhor e Salvador.

  Desta forma o homem é livre para pecar, mas não é livre para não pecar. Pecar é tudo o que os seres humanos querem fazer sem o auxílio da graça Divina. Portanto, a graça soberana de Deus é absolutamente necessária para qualquer decisão ou ação positiva do ser humano caído. As criaturas humanas estão de tal maneira corrompidas que se Deus não os concedesse o dom da fé, jamais se voltariam para Ele. Se fosse possível conseguir a retidão somente pela natureza humana e pelo livre-arbítrio, sem a graça sobrenatural, Cristo teria morrido em vão.

  E sua última obra “Da predestinação dos santos”, Agostinho afirmou que Deus escolhe alguns indivíduos do meio da massa humana de perdição para receber o dom da fé e, deixa os outros seguir o rumo natural de suas vidas na perdição. É aquilo que os reformadores do tempo da reforma protestante chamariam de “eleição incondicional” e “graça irresistível”.

  Em uma última análise das obras de Agostinho podemos chegar a conclusão de que ele deixou a desejar na abordagem de alguns temas como por exemplo:

Deus é o autor do mal?
Como conciliar a soberania Divina e a responsabilidade humana?
Porque Deus não salva a todos?

  Agostinho deixa estas coisas com um ponto de interrogação e entende que é um mistério ao qual Deus não quis revelar ao homem, mas ele entende que acima de tudo se deve ter em mente que Deus é a causa suprema de todas as coisas e que não existe nada no universo que possa fugir de seu controle ou frustrar sua vontade.

  Além da doutrina da igreja, da soteriologia e da doutrina da graça, Agostinho deixou como contribuição fundamental foi sobre a doutrina trinitariana no tratado “De Trinitate” (sobre a Trindade). Partindo do fundamento deixado pelos capadócios cuja teologia conheceu através de Hilário de Poitiers, Agostinho deu maior ênfase a unidade da essência Divina que a diversidade de pessoas, embora deixe um resumo. Os capadócios fizeram o inverso. Ao explicar a procedência do Espírito Santo, diz que Ele é o vínculo de amor entre o Pai e o Filho. Agostinho argumentou que todas as coisas pelo fato de terem sido criadas pelo Deus tri uno, levam a marca da Trindade. Assim contribuiu de maneira inovadora com a introdução do “modelo psicológico da Trindade”. Comparou a unidade de Deus com a unidade do ser humano, com relação aos 3 aspectos das faculdades internas da alma, a saber: a memória o entendimento e a vontade.

  Sua obra prima, seu maior tratado e o mais completo foi “A cidade de Deus” onde fez uma grande síntese do pensamento cristão. Começa com uma apologia sobre o incêndio em Roma pelos visigodos no ano de 410. Acabou sendo uma grande interpretação da história romana e cristã, analisada teológica e escatologicamente através dos complexos destinos terrenais de 2 cidades criada por amores conflitantes (ao amor próprio e ao a amor a Deus).

  Segundo ele, o reino de Deus não se identifica com nenhuma civilização humana e não seria afetado pelo declínio do império romano.

  Irônicamente Agostinho morreu quando a África romana sucumbia diante das invasões dos vândalos que cercavam Hipona.

  A civilização romana clássica estava desmoronando-se mas, havia surgido uma nova cultura cristã que ganhava força, e alcançaria seu apogeu no período da idade medieval.

  Para os protestantes ou evangélicos, Agostinho é referencial na história eclesiástica, pois foi um valoroso líder da Igreja primitiva e deixou suas marcas como verdadeiro discípulo de Cristo.

  Agostinho foi um autor prolífico em muitos gêneros — tratados filosóficos, teológicos, comentários de escritos da Bíblia, além de sermões e cartas.

  Dele restaram algumas centenas de cartas (Epistulae) e de sermões (Sermones) considerados autênticos. Além disso, deixou 113 obras escritas.

  Agostinho é chamado de o Doutor da Graça, por sua compreensão sobre o tema.

Textos autobiográficos:

  As suas Confissões (Confesiones), escritas entre os anos 397-398, são geralmente consideradas como a primeira autobiografia. Agostinho descreve sua vida desde sua concepção até à sua então relação com Deus, e termina com um longo discurso sobre o livro do Gênesis, no qual ele demonstra como interpretar a Bíblia. A consciência psicológica e auto-revelação da obra ainda impressionam leitores.

  Mesmo sendo uma autobiografia, as Confissões não deixam de ter a marca filosófica de Agostinho. No Livro X, Agostinho escreve sobre a memória e suas atribuições. Já no Livro XI, Agostinho fala sobre a Criação, sobre o Tempo e da noção psicológica que se tem deste.

  No fim da sua vida, Agostinho revisitou os seus trabalhos anteriores por ordem cronológica e sugeriu que teria falado de forma diferente numa obra intitulada Retratações, que nos daria uma imagem considerável do desenvolvimento de um escritor e os seus pensamentos finais.

Filosóficos: Diálogos: Solilóquios (Soliloquiorum libri duo), Sobre o Mestre (De Magistro, trata da educação neste diálogo), Sobre o livre arbítrio (De Libero Arbitrio, trata sobre o mal e sobre as escolhas)

  Contra os acadêmicos (Contra acadêmicos, em que combate o cepticismo).

  O Livro das disciplinas (Disciplinarum libri é uma vasta enciclopédia com o fim de mostrar como se pode e se deve ascender a Deus a partir das coisas materiais. Não está acabada).

Apologéticos: Da verdadeira religião (De vera religione), etc.

  A Cidade de Deus (iniciada c. de 413, terminada em 426, uma de suas obras capitais, nela nos oferece uma síntese de seu pensamento filosófico, teológico e político). O De civitate Dei libri XXII.

Dogmáticos:

  Entre 399-422, escreveu A Trindade, uma das principais obras que apoia a crença na Santíssima Trindade de Deus. O De Trinitate libri XV.

  Sobre a imortalidade da alma (De inmortalitate animae)

  Sobre a potencialidade da alma (De quantitate animae)

  Enquirídio (Enchiridion, ad Laurentium ou De fide, spe et caritate liber I, é um manual de teologia segundo o esquema das três virtudes teológicas. Contém uma explicação do Credo, da oração do Pai Nosso e dos preceitos morais da Igreja).

  Da fé e do credo livro I (De fide et símbolo liber I), etc.

Morais e pastorais:

  Contra mendacium, Da catequese dos não instruídos livro I (De catechizandis rudibus liber I), Da continência livro I (De continentia liber I), Da paciência livro I (De patientia liber I), etc.

Monásticos:

  Regula ad servos — a mais antiga das regras monásticas do Ocidente.

Exegéticos:

  A Bíblia teve um papel decisivo para Agostinho. Pode-se destacar:

  Da doutrina cristã livro IV (De doctrina christiana libri IV (é uma síntese dogmática que servirá de modelo para as Sententiae os pensadores da Idade Média), De Genesi ad litteram libri XII, Da harmonia dos evangelistas livro IV (De consensu Evangelistarum libri IV (foram escritos em resposta aos que acusavam os evangelistas de contradizer-se e de haver atribuído falsamente a Cristo a divinidade), etc.

Tratados:

  Tratados sobre o evangelho de João (In Iohannis evangelium tractatus), As enarrações, ou exposições, dos Salmos (Enarrationes in Psalmos), etc.

Polêmicos:

  Muitas de suas obras tem caráter polêmico por causa dos conflitos que ele enfrentou. Isso levou São Posídio a classificá-las conforme os adversários combatidos: pagãos, astrólogos, judeus, maniqueus, priscilianistas, donatistas, pelagianos, arianos e apolinaristas.

  De natura boni liber I, Psalmus contra partem Donati, De peccatorum meritis et remissione et de baptismo parvolorum ad Marcellium libri III (de 412, primeira teologia bíblica da redenção, do pecado original e da necessidade do batismo), De gratia et libero arbitrio liber I (de 426, em que demonstra a necessidade da graça, da existência do livre arbitrío), De haeresibus, etc.

Pensamento:

O problema do mal:

  Em seu livro Sobre o livre arbítrio (em latim: De libero arbitrio) Agostinho tenta provar de forma filosófica que Deus não é o criador do mal. Pois, para ele, tornava-se inconcebível o fato de que um ser tão bom, pudesse ter criado o mal.

  A concepção que Agostinho tem do mal, esta baseada na teoria platônica, assim o mal não é um ser, mas sim a ausência de um outro ser, o bem. O mal é aquilo que "sobraria" quando não existe mais a presença do bem. Deus seria a completa personificação deste bem, portanto não poderia ter criado o mal.

  No diálogo com seu amigo Evódio, Agostinho tenta explicar-lhe que a origem do mal está no livre-arbítrio concedido por Deus. Deus em sua perfeição, quis criar um ser que pudesse ser autônomo e assim escolher o bem de forma voluntária. O homem, então, é o único ser que possuiria as faculdades da vontade, da liberdade e do conhecimento. Por esta forma ele é capaz de entender os sentidos existentes em si mesmo e na natureza. Ele é um ser capacitado a escolher entre algo bom (proveniente da vontade de Deus) e algo mau (a prevalência da vontade das paixões humanas).

  Entretanto, por ter em si mesmo a carga do pecado original de Adão e Eva, estaria constantemente tendenciado a escolher praticar uma ação que satisfizesse suas paixões (a ausência de Deus em sua vida). Deus, portanto, não é o autor do mal, mas é autor do livre-arbítrio, que concede aos homens a liberdade de exercer o mal, ou melhor, de não praticar o bem. Tempo e Criação

  No Livro XI das Confissões (em latim: Confessiones) Agostinho põe-se a cargo de versar acerca da criação do mundo por meio do Verbo, que podemos entender como "palavra criadora". Com efeito, o filósofo compreende que o mundo só poderia ter duas origens 1) do nada (em latim: ex-nihilo) e 2) a partir de parte da sua substância. No entanto, a última suposição é falsa pois teria de se admitir um Deus imutável, algo não condizente com o pensamento do Doutor Africano.

  A fim de responder a asserção: “Do que faria Deus antes de criar o mundo?” Tece sua crítica aos maniqueus e expõe seu pensamento a respeito do tempo e da criação. A evidente resposta do Santo Doutor à tal pergunta é a de que Deus não estaria a fazer nada, pois não havia tempo antes deste ter sido criado por Deus, ficando expresso que o tempo nada mais é do que uma criatura assim como o mundo e todas as coisas. Para o pensador, o tempo e o universo foram criado em conjuto, e Deus estaria fora deste contexto pois ele é eterno e a eternidade não entra no tempo.

  Para ele, o tempo não tem existência per se e só pode ser apreendido por nossa alma por meio de uma atividade chamada de "distensão da alma" (em latim: distentio animi). A distensão da alma, grosso modo, nada mais é do que a compreensão dos três tempos; pretérito, presente e futuro na alma, de modo que seja possível lembrar do passado, viver o presente e prever o futuro. Agostinho afirma que a alma é quem pode medir o tempo e essa "medição" atesta a existência do tempo apenas em caráter psicológico.
Influência como pensador e teólogo:



  Na história do pensamento ocidental, sendo muito influenciado pelo platonismo e neoplatonismo, particularmente por Plotino, Agostinho foi importante para o "baptismo" do pensamento grego e a sua entrada na tradição cristã e, posteriormente, na tradição intelectual europeia. Também importantes foram os seus adiantados e influentes escritos sobre a vontade humana, um tópico central na ética, que se tornaram um foco para filósofos posteriores, como Arthur Schopenhauer e Friedrich Nietzsche, mas ainda encontrando eco na obra de Albert Camus e Hannah Arendt (ambos os filósofos escreveram teses sobre Agostinho).

  É largamente devido à influência de Agostinho que o cristianismo ocidental concorda com a doutrina do pecado original. Os teólogos católicos geralmente concordam com a crença de Agostinho de que Deus existe fora do tempo e no "presente eterno"; o tempo só existe dentro do universo criado.

  O pensamento de Agostinho foi também basilar na orientação da visão do homem medieval sobre a relação entre a fé cristã e o estudo da natureza. Ele reconhecia a importância do conhecimento, mas entendia que a fé em Cristo vinha restaurar a condição decaída da razão humana, sendo portanto mais importante. Agostinho afirmava que a interpretação da Bíblia deveria ser feita de acordo com os conhecimentos disponíveis, em cada época, sobre o mundo natural. Escritos como sua interpretação do livro bíblico do Gênesis, iriam influenciar fortemente a Igreja medieval, que teria uma visão mais interpretativa e menos literal dos textos sagrados.

  Tomás de Aquino tomou muito de Agostinho para criar sua própria síntese do pensamento filosófico grego e do cristão. Dois teólogos posteriores que admitiram influência especial de Agostinho foram João Calvino e Cornelius Otto Jansenius.



  Assim encerramos a história deste grande servo de Deus, que entregou-se para a obra do seu Criador.  Que nós possamos tirar exemplos da vida de Agostinho também.


  Soli Deo Glori.

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